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Nas Vésperas da Independência – Por Mário Freire

Ponte sobre o Rio Itapemirim

Subindo ao trono, D. João VI requisitou informações históricas e geográficas de todo o Brasil. Em junho de 1816, Francisco Alberto Rubim remeteu as do Espírito Santo.

Essa pequena exposição, a que o autor deu o título de "Breve Notícia Statystica" apareceu em 1840 impressa em Lisboa, como "Memórias" de um capixaba, com alterações ligeiras até o ano de 1817, mas acrescida de um resumo histórico.

Nessa época, o Espírito Santo contava 5 vilas, 7 povoações, 8 freguesias, 76 engenhos e 68 engenhocas. Os cálculos da população, a esse tempo, ressentem-se de evidente exagero, agravado pelo total atribuído a Campos e S . João da Barra. Supunha-se a população, em 1817, não excedente de 24.585 habitantes. Para outros subia a perto de 60.000.

Ao tempo em que a primeira dessas descrições foi escrita, percorreu o atual Estado, vindo do sul, o Príncipe de Neuwied, conhecido naturalista alemão. E, no ano em que o capixaba anônimo reviu e ampliou aquele primeiro trabalho, o grande botânico Saint-Hilaire, seguindo, a princípio, o itinerário do Príncipe, foi até a lagoa Juparanã.

Ambos começaram admirando a fazenda Muribeca. Pertencera aos jesuítas, e ainda prosperava graças ao trabalho de centenas de escravos. Os dois notaram o abandono em que ficara a povoação de Siri, após um assalto de indígenas, ainda muito temidos por todo o Espírito Santo quando os cientistas o visitaram: a última barreira do Siri, próxima à foz do Itapemirim, havia sido o extremo norte da fazenda, doada aos padres em 1702.

A vila de Itapemirim, recém-criada, estendia-se à margem direita e a seis léguas do primeiro "caxoeiro" (sic); tinha umas 60 casas, na maioria, - ainda cobertas de palha e habitadas por pescadores ou pequenos lavradores; uma larga praça ostentava ao centro o pelourinho. A igrejinha ficava um pouco afastada, num alto: alguns brigues ancorados demonstravam o comércio de açucar, algodão, arroz, milho e madeira. A localidade, observou Saint-Hilaire, oferecia condições para tornar-se, em pouco tempo, um centro de grande atividade. Exportava muita cebola para Vitória e Campos, assim como mais de sessenta caixas de açúcar por ano, para Vitória e Rio, a 2$000 a arroba. De frete cada arroba pagava cem reis.

Enumerando oito engenhos, afora as engenhocas do distrito, o trabalho apresentado pelo Governador já indicava um em Paineira.

Havia dois quartéis, dos quais o do sul, informava a referida exposição, ainda guarnecido por soldados de Minas Gerais, porque até o ponto da sua localização chegara a picada aberta de lá para a estrada destinada a facilitar as comunicações entre as duas Capitanias . O de Boa Vista servia de registro ao sul, embora houvesse outro mais adiante, em Itabapoana, e o limite meridional, segundo Rubim, fosse S. Catarina das Mós, ao sul desse rio. Repetindo o mesmo limite, Saiint-Hilaire equivoca-se quanto a esse nome: ambos, porém, evidentemente se referem ao extremo norte no distrito dos Campos de Goitacases, que consideravam pertencente à Capitania do Rio de Janeiro, esquecidos de que fora incorporado à Ouvidoria do Espírito Santo, em cuja receita eram computados os respectivos tributos.

 

Fonte: A Capitania do Espírito Santo, ano 1945
Autor: Mário Aristides Freire
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2015

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