Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

No Mapa Capixaba, uma herança dos primeiros habitantes

Monte Aghá, que significa o monte de ver Deus - Ilustração: Genildo Ronchi

Sob a denominação geral topônimos, são incluídos nomes de rios, de montanhas e serras que, muitas vezes, acabaram também por identificar cidades e simples povoados das regiões próximas. Os que seguem são de origem indígena, assim como o vocábulo que designa o nascido no Espírito Santo. Capixaba, que significa roçado, preparação da terra para o plantio. A forma primitiva foi kapixaba e também kopeçaba, tendo por base kô, a roça, e capissaba, capinagem, ação de carpir.

AFONSO CLÁUDIO

Ibicaba - ybycaba é o nome de uma mirtácea; de fruta preta, miúda e sabor sofrível, também chamada ubucaba.

Piracema - de pirá-acema, a saída do peixe, o cardume por ocasião da desova.

ALEGRE

Anutiba - De anu-tyba. abundância dc anus, bando de anus (ave da família dos cuculídeos).

Ararai - de arara-y, água ou rio das araras.

Lambari - de arabe-r-i, a baratinha, rio das baratas, ou dos lambaris. Aramberi, o peixinho de água doce semelhante à sardinha.

ALFREDO CHAVES

Crubixá - ribeirão, nas pedras de cujo álveo se cria um gênero ou sorte de coral azevichado e quebradiço com que as índias se ornam.

lbitiroi - de ibyty-roy, o serro frio; a montanha fria.

ANCHIETA

Araraquara - do tupi ara-ra-quara, o paradeiro ou esconderijo dos papagaios. (Rio, afluente Norte do Benevente).

Iriri - o mesmo que riri, a ostra, o molusco. A praia das ostras.

Iriritiba - de riri-tyba, o sítio das ostras; ostras em abundância, a ostreira.

Guanabara - de gua, enseada, seio, bacia, nã, semelhante; pará, mar. Bacia semelhante a um mar (sinus similis mari) (praia).

Indaiá - de andá-yá, amêndoas ou cocos caídos, ou que se despencam. Rio, afluente esquerdo do Benevente.

Jabaquara - de yaba, fujão, quara, refúgio, esconderijo. Refúgio dos fujões. Onde os escravos fugitivos de seus senhores formaram um quilombo.

Orobó - Supõe Martius que seja termo tupi alterado de urubu. Trata-se, no entanto, do nome de um produto vegetal muito usado em cerimônias religiosas de cultura afro-brasileira. Não é de origem tupi.

Parati - de pará-ty, a jazida do mar; o lagamar, o golfo, porto tranqüilo, mar tranqüilo, água tranqüila. Confunde-se freqüentemente com Pirati. pirá-ti, o peixe branco, a tainha. (Mugil Liza, Cuv.) - Rio afluente do benevente; ilha.

Piratininga - de pirá-tininga, o peixe a secar: o seca-peixe. Designa rio que, por efeito dos transbordamentos, deita peixe fora e o deixa em seco, exposto ao sol. É a explicação de Anchieta. Rio, afluente esquerdo do Benevente.

Ponga - gerúndio-supino de pong; o baque, a queda com ruído; o que se lança abaixo. Rio afluente do Benevente.

Ubu - de y-by, a terra, o solo, o chão. Quando os índios transportavam o corpo do venerável padre Anchieta de Reritiba (Anchieta) para Vitória, ele caiu do esquife e os índios gritaram: ubu, ubu.

APIACÁ

Apiacá - de apya, homem, varão; caa, mato. Homem do mato. Alt. de Epiaca, abreviação de Epiacaba, vista, paisagem, panorama.

ARACRUZ

Guaraná - nome dado à planta medicinal amazônica, cultivada pelos índios maués.

Jacupemba - de yacu-pema, o jacu miúdo, inferior (Penelope superciliaris).

Piracema - de pirá-acema, a saída do peixe, o cardume por ocasião da desova (córrego).

Piraguaçu - de pirá-guassu, peixe grande (rio).

Piraquê-Açu - piraque é alteração do tupi pira-kera, a dormida dos peixes, o lugar onde dormem os peixes; açu, grande (rio).

BAIXO GUANDU

Guandu - de guandu, termo de origem africana introduzido na língua tupi do século XVIII para designar a ervilha e o próprio guandu (ervilha d'Angola).

Ibituba - de yby-tyba, a abundância de terras úmidas.

Mutum - certa ave galinácea da família dos cracídeos (córrego).

BARRA DE SÃO FRANCISCO

Itaperuna - de taper-una, a tapera preta, isto é, aldeia extinta que fora queimada, onde há restos de carvão.

Itaúnas - de itá-una, a pedra preta; o ferro, o minério (rio).

Poranga - bonita, bonito. De pó, mão; R. elemento de fonetização lingüística e onga-ongas, cabeça. Obs. Lamparinas que o seringueiro usa na cabeça a maneira de mineiros, para evitar de ocupar as mãos durante a faina de extração do látex da seringueira, à noite.

BOA ESPERANÇA

Guarabu- de guara-b-u, o indivíduo roxo ou escuro; alusão à cor roxa da madeira desta árvore.

Japira - de y-apyra, cabeceira de rio (cachoeira).

BREJETUBA

Brejetuba - de ybyrayá-yba, a árvore da madeira rija. É uma palmeira de cuja madeira se serviam os índios, para fazer arcos. Bosque de brejaúvas, lugar onde há brejaúvas.

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Burarama - de ybyrá-rama, o bosque, reunião de árvores. A região das madeiras, a terra das matas.

Conduru - árvore da família das mirtáceas.

Ipiaçu - de ypeassu, planta medicinal da família das borragináceas.

Itabira - de itá-bira, a pedra levantada ou empinada. Ponta de rocha, pico de rochedo.

Itaoca - de itá-oca, a casa de pedra, a caverna, furna ou lapa.

Itapemirim - de ita-pé-mirim, a laje pequena, a lajinha. De Ita-pera, a pedra rasteira, o penido. De ita, pedra, pé, caminho, mirim, pequeno.

Jaciguá - de yacy-guá, o globo da lua, a lua cheia, lua redonda.

Marapé - de mbrá-apé, o caminho do mar ou que leva ao mar.

CARIACICA

Cangaíba - de canga, caroço, coquinho, e aiba, ruim, que não serve para comer.

Cariacica - de acari-assyca, pedaço de acari, nome de uma variedade de peixe. Acari, um peixe de água doce, cascudo (Loricaria plecostomus).

Ibiraçu - de ybyra-assu, árvore grande e grossa.

Itangua - de ytã-guá, abaixa das conchas ou itans. Itam concha grande, lacustre. Ou itá-guá, pedra redonda.

Itaquari - Este topônimo pode ter muitas interpretações: tacuari, espécie de planta euforbiácea; tacuar-y, rio das taquaras; itá-cuari, pedra furada; itá-cuar-y, rio da pedra furada.

Mochuara - na língua dos índios quer dizer pedra-irmã. Nos relatos históricos, o nome deve-se aos corsários franceses que aportaram na baía de Vitória no século XVI. Para eles, a neblina que encobria o monte lembrava um imenso pano branco. Daí a expressão muchuá, que vem do francês mouchoir, que significa lenço. Muitas lendas envolvem o monte. Uma delas diz respeito a dois jovens índios, de tribo inimigas, que se - - apaixonaram. O rapaz era da Serra e a moça, de Cariacica. Impedidos de manterem o romance, ele se transformou no Monte Álvaro e ela, no Mochuara. Conta-se que o casal, eternizado pelos dois montes, se comunica nas noites de Natal e de São João através de uma bola irradiante que corta o céu. O monte Mestre Álvaro fica entre os rios Caraípe e o dos Reis Magos e teve um vulcão na antiguidade.

Tabajara - de taba-yara, os aldeões, os moradores, os donos das aldeias.

Tucum - de tu-cu, o espinho alongado, a pua. É o nome da palmeira, cuja haste é guarnecida de longos espinhos, e de que se tira uma fibra das mais resistentes para linha de anzóis e para o fabrico de cordas e redes.

CASTELO

Araçuí - nome tupi de angelim (árvore faseolácea).

COLATINA

Boapaba - de mboia-paba, lugar cheio de cobras.

Sapucaia - Nome de uma árvore silvestre da família das lecitidáceas; no tupi do Norte é o nome que se dá ao galo. De çapucaia, o grito, o clamor; o galo, a galinha.

CONCEIÇÃO DA BARRA

Itaúnas - de itá-una, a pedra preta, ferro, minério (praia).

Taquara - de tá-quara, a haste furada, ou oca.

CONCEIÇÃO DO CASTELO

Angá - de ang-á, a afeição, a ternura, o rogo. Como contração de angaba, significa aparição, visão, fantasma, assombração.

Indaiá - de andá-yá, amêndoas ou cocos caídos, ou que se despencam. Nome de uma palmeira, é o mesmo que inajá.

DIVINO DE SÃO LOURENÇO

Imbuí - de imbui, rio da imbuia (madeira de lei). Este nome pode, também, derivar de mboi-y, rio das cobras, ou água da cobra.

DOMINGOS MARTINS

Aracê - de ara-cê, o dia sai, ou desponta; a aurora.

Araguaia - de ará-guaya, os papagaios mansos. Nome de uma variedade de periquitos (tupi: ará-uáia, rabo de arara).

Cuité - vasilha verdadeira; cuia boa.

Paraju - de para-juba, o rio amarelo.

Perobas - de ipê-roba, a casca amargosa. Conhecida madeira usada em construções. Do tupi yperoba.

Tangará - de atá-cará, andar aos saltos, o pulador, em alusão ao costume da ave deste nome (tanagrá) brincar aos saltos, dois a dois.

Tijuca - de ty-yuca, água podre, o brejo, a lama, o charco, o paul (córrego).

DORES DO RIO PRETO

Caparaó - de cáa-apara-ó, tapada de paus tortos, ou trincheira de paus tortos para vedar a passagem (serra).

ECOPORANGA

Aimorés - de hai, dentes, mbore, pretos. Dentes pretos (serra).

Ecoporanga - beleza, boniteza. Eco, lugar onde se produz a reflexão sonora, visto a cidade estar cercada de montanhas, e poranga, variação do nome de ave nahmbu, devido à existência de muitas delas na região.

Inhambu - de y-nhã-bu, a ave que sai com estrondo, ou que surge com estrépito.

Imburama - de imb-u-rana, o imbu falso; semelhante ao imbu.

Itapeba - de itá-peba, a pedra rasteira, a laje, o penedio.

Jabuti - de ya-u-tí, aquele que não bebe, o cágado, que os índios tinham como insensível à sede, "criando-se pelos pés das árvores sem ir à água (Testudo tabulata). O vocabulário admite outra interpretação, como composto de y-abú-tí, traduzindo-se o que nada respira, ou tem fôlego tenaz. O jabuti é, no folclore indígena, o símbolo da astúcia aliada à perseverança. Manha e paciência é o que o índio vê no jabuti. São elas também as duas virtudes fundamentais do selvagem (córrego).

Joassuba - é uma fruta produzida no juazeiro, que dava no morro. Para pegá-la as pessoas tinham que subir no morro.

Mutum - do tupi mytu, mutum, ave galinácea (córrego).

Muritiba - de muri-tyba, lugar de muitas palmeiras muri. De merí-tyba, o sítio das moscas, o mosqueiro.

FUNDÃO

Timbui - de timbu-y, rio dos gambás.

GUAÇUÍ

Guaçui - de guaçu, veado; y, rio. Rio veado. Guaçu, no tupi do Sul, exprime veado. No tupi costeiro diz-se suaçu, aliás, çoo-açu, que quer dizer: a caça grande, animal de vulto. Como adjetivo, exprime grande, grosso, largo, amplo. No tupi primitivo, dizia-se uaçu. Com o contato português, apareceu a letra "g" inicial e se passou a dizer, na língua geral, guaçu, como em quase todas as palavras começadas por "u", da língua primitiva. Y, a água, o líquido, o rio, a corrente. É uma vogal gutural no tupi. Segundo o tema com que se combina, toma as formas: hy, gy, yg. E conforme as corruptelas: hu, u, cu.

GUARAPARI

Bacutiá - de bac, virar, mudar de direção; cutia, passar adiante. Mudar de direção, adiante (ponta).

Caraís  - de caraíbas, homens brancos, estrangeiros (praia).

Graçaí - de graça, agrado, atrativo, gracejo; y, a água. Água agradável (praia).

Guarapari - de guará, garça, pari, curral. Curral das garças. Armadilha de pegar garças. Bacia onde as garças se reúnem (mangue).

Guararema - de guara-r-ema, a madeira fétida; é o chamado pau d'alho (Scorododendron), com a sua casca rescendendo a alho (ilha).

Iguapé - deve ser alteração de igua-pe, rio dos musgos. No lagamar, na baía fluvial.

Itaúnas - de ita-una, pedra preta (monte).

Jabuti - São João do Jabuti. Veja em Ecoporanga (ribeirão).

Jacarandá - de y-acã-rantã, o de âmago ou cerne rijo. É árvore de madeira negra preciosa, incorruptível, de folhagem penada e flores amarelas (Machaerium sp), da família das leguminosas (rio).

Meaípe - de ubeim, torta doce; aipê, mandioca. Torta de mandioca doce (praia).

Una - de una, preto (rio).

IBATIBA

Ibatiba - de ybá-tyba, o frutal, o pomar, o sítio das frutas.

IBIRAÇU

Aricanga - de airi-canga, o coco de airi (Astrocaryum ayri, Mart.).

Ibiraçu - de ybyra-assu, árvore grande e grossa.

Piraquê-Açu - de piraquê, é alter, do tupi pira-kera, a dormida dos peixes, lugar onde dormem os peixes; assu, grande.

IBITIRAMA

Ibitirama - de ybytyr-am, o monte alto; a montanha.

ICONHA

Iconha - de y-cõia, rios unidos, rio duplo. Iconha, serra ligada à outra.

ITAGUAÇU

Itaçu - de ita-gassu, pedra grande.

Itaguaçu - de ita-guassu, pedra grande, pedra furada que serve de âncora às embarcações.

Itaimbé - de itá-aimbé, a pedra afiada, o penedo pontiagudo.

ITAPEMIRIM Caxangá - nome primitivo de Itapemirim. De caá-sanga, mato espraiado, porém sanga não é termo tupi; caxangá nada mais é que nasalação de acajacá, nome de um cedro brasileiro. Observação: nada tem a ver com o topônimo, e sim uma homenagem à família Freitas Caxangá, que ergueu uma pequena capela em sua propriedade, conhecida como Fazendinha.

Itaipava - de itai-paba, a estância ou pouso de pedregulho, e banco de seixos ou de cascalhos, formando travessão no leito dos rios.

Itaoca - de itá-oca, a casa de pedra, a caverna, furna ou lapa.

Itapecoá - de ita-pycuá, concha bivalente.

Itapemirim - de itapé-mirim, a laje pequena, a lajinha. Caminho pequeno de pedra.

Jacarandá - de jacarandá, árvore da família das bignoniáceas.

Suruí - alteração de sururu-y, rio dos sururus.

Sururu - de coó-rurú, o bicho úmido ou encharcado. O sururu é mexilhão que vive apinhado e metido na lama do mangue, onde denuncia a sua presença pela água que verte (praia).

ITARANA

Itarana - de ita-rana, espécie de filito ou rocha fragmentária.

IÚNA

Irupi - de eirub-y, rio do enxame de abelhas. Irupi, por si ou por ele ou ela.

Iúna - de y-una, rio pardo, rio preto.

Uberaba - de y-beraba, a água brilhante, clara, transparente, cristalina. Rio brilhante.

JAGUARÉ

Jaguaré - de jaguaré, homem cruel, homem selvagem (entre os tupinambás). O primeiro nome ao lugarejo foi Lagoa do Jaguaré, ligado à existência de um capim que contornava a lagoa, na época. Depois que a lagoa secou, o local passou a ser chamado somente de Jaguaré.

Jirau - de jurá, estrado, armação.

Jundiaí - de yundiá-y, o rio dos jundiás. Jundiá, de yu-ndi-á, a cabeça armada de barbatanas. É o peixe d'água doce Platystoma spatula (córrego).

Macuco - de ma-cú-cú, a coisa de muito comer, ou muito bom de comer; alusão ao físico da ave deste nome, a qual... "tem no peito mais titelas que dois galipavos" (lagoa).

LINHARES

Humaitá - do guarani humbá-etá, muitos animais domésticos, onde há criação de animais domésticos. Mbaitá — o papagaio pequeno, também conhecido por maitaca.

Ipiranga - de y-piranga, rio vermelho (praia).

Japira - de y-apyra, cabeceira de rio, o princípio do rio.

Juparanã - de juiparanã, rio das rãs. Lagoa à margem esquerda do rio Doce. De yu, espinho, paranã, grande água, mar. O mar de espinhos.

MARATAÍZES

Marataízes - de mara-tahy, canais do mar. Mará, mbra, bará, mar e tahy, canal, braço de rio. São lagoas ligadas ao mar por canais. O topônimo Marataízes é muito expressivo. Diz do escoamento para o mar das águas de chuva; o terreno fora sulcado de distância em distância em forma de canais.

MIMOSO DO SUL

Itabapoana - de itabapoana, pedra levantada, pedra suspensa.

MUCURICI

Itabaiana - de ita, pedra, e baiana. Baiana de pedra.

Itamira - de ita, pedra; myra, gente, figura de gente de pedra.

Mucurici - de mucuri-sy, sementes de mucuri; ou seria: mucuri-yssy, fileiras, renque de mucuris. Mucuri, nome de uma planta da família das gutíferas.

Mucury - de mocur-y, rio das mucuras ou gambás (Dydelphis).

MUNIZ FREIRE

Itaici - de ita, pedra, ici, cortada. Pedra cortada. Ou itá-yssy, fileira de pedras.

MUQUI

Camará - de caá-mbrá, planta variegada, a planta de folhas de várias cores. Espécie de madeira de lei.

Muqui - de mbiqui, a ponta de lança, significa também o uropígio, o assento, ou traseiro. De mycui, espécie de pequeno carrapato. Obs.: Muqui já se chamou São João do Lagarto, lugar onde morreram os remanescentes dos índios puris, ou coroados.

NOVA VENÉCIA

Cricaré - antigo nome do rio São Mateus, segundo Teodoro Sampaio, é o nome de uma planta. De kiri-kerê, o que é propenso a dormir, o dorminhoco. Nome que davam os índios a uma planta mimosácea, como a sensitiva. Esta denominação provém de curukeré, nome de larva de um himenóptero que ataca o algodoeiro.

Guararema - de guara-r-ema, a madeira fétida; é o chamado pau-d'alho (Scorododendron), com a sua casca rescendendo a alho.

PANCAS

Ubá - de ybá, contração de yba-á, o que se colhe da árvore, o fruto. Também significa canoas, mas das fabricadas com casca de árvores (córrego). U-mba-ia, canoa feita de um só tronco, escavada com fogo.

PIÚMA

Agha - quer dizer "monte de ver Deus".

Itapetinga - de itapé-tinga, a laje branca, a chã de pedra branca.

Gambá - de gambá, o ventre aberto, a barriga oca por causa da bolsa onde cria os filhos (ilha).

Piúma - de Py-uma, a epiderme ou casca anegrada, escura. É uma mirtácea de fruto preto, redondo. Segundo historiadores e moradores mais antigos, existe uma versão quanto à origem de seu nome: afirmam que vem da língua tupi, ipiuna, que significa água preta ou água escura, que é a coloração das águas de seu rio. Quanto à peuma, significa genro, mas nada tem a ver com o topônimo. Este nome teria sido corruptela de pé-una, caminho preto, caminho escuro.

PRESIDENTE KENNEDY

Caeté - de caá-etê, a mata real, constituída de árvores grandes, a mata virgem; a folha larga (córrego).

Gibóia - de gihi-boy, a cobra de rãs; o ofídio que se alimenta de rãs.

Marobá - de marupá, nome de uma árvore da família das simarubáceas (praia).

SANTA LEOPOLDINA

Jiquitibá - de yikí-t-ybá, o fruto de jiqui, isto é, fruto com a forma de covo. O fruto de jiquitibá é pequeno e afunilado à semelhança de um jiqui.

Mangarái - de mangará-y, rio dos mangarás (planta da família das aráceas). Mangará, de mã-cará, o tubérculo ou raiz de montão. Uma espécie de Caladium.

SÃO JOSÉ DO CALÇADO

Airituba - de ayri, nome de uma palmeira de pequeno porte, e tyba, sítio. Palmeira em abundância, sítio de palmeiras. Palmital.

SÃO MATEUS

Itaúna - de itau-una, a pedra preta; o ferro, o minério.

Curiri - de cuyri-ry, o rio dos bagres (praia).

SERRA

Carapebus - de acarapb-û, as carapebas escuras (o acará miúdo inferior).

Carapina - de carapin, tirar a casca grossa; descascar, lavrar. Como Adjetivo: aparado, cortado curto, breve. Marceneiro pouco hábil.

Jacunê - o jacu fétido ou catinguento (praia, lagoa).

VIANA

Araçatuba - de araça-tyba, o sítio dos araçás, onde há araçás em abundância. Araçazal.

Itapoca ou Itaboca - de itá-boca, a pedra furada; o penedo solapado; a lapa, a caverna.

Jucu - jucu, espécie de canela brasileira.

Perobas - de ypê-roba, a casca amargosa (Aspidosperma) (córrego).

VILA VELHA

Aribiri - de arabé-r-y, o rio das baratas, ou dos lambaris.

Itapoã - de ita-poâ, a pedra erguida, o penedo levantado (praia).

Itatiaia - de ita-tiâi, o penhasco cheio de pontas; a crista eriçada (ilha).

VITÓRIA

Boi - de mboi, boya, cobras, serpentes (ilha). Obs: a Ilha do Boi tinha criação de gado e funcionou como local de quarentena para os navios que chegavam da Europa na época da gripe espanhola.

Boipeba - de mboy-peba, a cobra chata; a que tem a propriedade, quando acuada, de se achatar. Rio que de-ságua no Santa Maria.

Camburi - de camury, robalo, ou camby-r-y, o rio de leite, isto é, de espuma branca.

Carahipe - de caraí-y-pe, o rio dos caraís, ao norte da ponta do tubarão. Carahi, uma espécie de símio.

Carapebus - de acarapeb-û, as carapebas escuras. Acarapebas, o acará miúdo, interior. Ribeirão na ponta do Piraem.

Carapina - de carapin, tirar a casca grossa, descascar, lavrar. Como adjetivo, aparado, cortado curto, breve.

Itapeboçu - de itapeb-uçu, a laje grande; o lajeado (morro na Praia do Suá).

Inhanguetá - variação de anhanguitá, do tupi, diabo, alucinado. Pedra do diabo (bairro entre Santo Antônio e São Pedro).

Jaburuna - de jabiru, espécie de pássaro, una, preto. Pássaro preto (morro).

Jucutuquara - de jucuacoara. Sem dúvida quer dizer buraco da ponta. Com efeito, coara significa, certamente, buraco; jucutu, cutuca por golpe de uma pedra.

Maricoré - de mairy-coré, cidade recente, cidade nova. Rio que deságua no Santa Maria.

Piraém - de Pirá-ee, peixe salgado (ponta ao norte da de Tubarão). De Pira, peixe, hem, lugar, abundante.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao século XXI – 19/08/1999
Autor(a) do texto: J.W.Emery de Carvalho
Pesquisa e texto: Neida Lúcia Moraes
Edição e revisão: José Irmo Goring
Projeto Gráfico: Edson Maltez Heringer
Diagramação: Sebastião Vargas
Supervisão de arte: Ivan Alves
Ilustrações: Genildo Ronchi
Digitação: Joana D’Arc Cruz    
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2016

História do ES

Movimento Estudantil ou AD USUM DELPHINI - Por Fernando Achiamé

Movimento Estudantil ou AD USUM DELPHINI - Por Fernando Achiamé

Para se falar sobre movimento estudantil em nossa capital pode-se começar e terminar reproduzindo trechos do discurso proferido pelo padre diretor do Colégio Salesiano na formatura do curso ginasial em 1964

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo

Foi o que constaram pesquisas feitas nos objetos encontrados nos locais onde moraram os índios, os chamados sítios arqueológicos

Ver Artigo
A Igreja de São Tiago e a lenda do tesouro dos Jesuítas

Um edifício como o Palácio Anchieta devia apresentar-se cheio de lendas, com os fantasmas dos jesuítas passeando à meia-noite pelos corredores

Ver Artigo
As aldeias e os jesuítas no ES – Por Celso Perota

Um tema que está para ser estudado com maior profundidade é a atuação dos jesuítas na Capitania do Espírito Santo

Ver Artigo
O Franciscano Frei Pedro Palácios trouxe a devoção da Penha

Frei Pedro Palácios nasceu na Espanha, filho de nobres e desde muito cedo mostrou sua inclinação para as doutrinas da fé

Ver Artigo
José de Anchieta e o Espírito Santo

O jesuíta visitou mais de uma vez o Espírito Santo quando em trabalho de inspeção aos colégios dos padres e seminários de instrução

Ver Artigo
Capitania melhora com a vinda de missionários

Primeiro foi Frei Pedro Palácios, franciscano. Depois vieram os padres jesuítas, o rei pediu sua ajuda para civilizar colonos e índios no Brasil

Ver Artigo
Padre Brás Lourenço, o pioneiro

Entre os jesuítas que atuaram no Espírito Santo, destacaram-se Brás Lourenço, Diogo Jácome, Pedro Gonçalves e Manuel de Paiva, além do Padre José de Anchieta 

Ver Artigo
Anchieta, Cultura e Santidade

Ele veio para o Brasil com 19 anos, na companhia do segundo governador-geral, Duarte da Costa 

Ver Artigo
Jesuítas fundam o primeiro colégio

Afonso Brás foi assim o fundador do primeiro colégio da Capitania do Espírito Santo e também o primeiro professor de letras

Ver Artigo
Os Botocudos – Por Celso Perota

Os botocudos surgem na região Norte do Espírito Santo, nos vales dos rios Doce, Cricaré e Itaúnas

Ver Artigo
Os vários grupos de índios – Por Celso Perota

Habitaram a área do atual Estado do Espírito Santo representantes de dois troncos lingüísticos: o tupi-guarani e o jê

Ver Artigo