Morro do Moreno: Desde 1535
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Notícias da Igreja do Rosário de Vila Velha, ES

Igreja do Rosário, década de 1940

A igreja de Nossa Senhora do Rosário é o templo mais antigo do Estado do Espírito Santo.

Segundo Mario Aristides Freire, “na pedra d´ara da respectiva matriz na pitoresca Vila Velha, lê-se a data de 1535, bem como a procedência: “Lisboa”.

A freguesia de Igaraçu em Pernambuco data do mesmo ano da de Vila Velha e é considerada a mais antiga do Brasil; a de Vila Velha, a mais antiga dos estados ao sul da Bahia.

Segundo o monsenhor Raimundo de Barros, pároco por mais de um decênio da freguesia Nossa Senhora do Rosário, a pedra d´ara que ele encontrou em Vila Velha trazia a indicação de ter sido sagrada em Lisboa, no dia da festa do Rosário em 1535, fato este, constatado e afirmado pelo frei Gil Maria [A tribuna, 07/IV/1942] - (Freire, obra citada).

Dos poucos registros históricos a respeito desse templo, sabe-se que, em 1709, ele foi reformado por determinação do Bispo do Rio de Janeiro. Foi despendida com as obras a quantia de 200$000 (duzentos mil réis). [Em artes do Espírito Santo do século XIX à República, Almerinda da Silva Lopes - IPHAN – Igreja do Rosário de Vila Velha – Aspectos Históricos – data: 22 de julho de 2005].

Em 1732, o Provedor da Fazenda Real da Capitania do Espírito Santo, Jose de Barcelos Machado informou em carta ao Rei D. João V, sobre a diligência por ele feita, atendendo ao Pároco da Igreja Matriz da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Vila do E. Santo, a pedir ornamentos para a referida Igreja.

Eis a carta:

Senhor.

Por parte do Pároco da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da vila do Espírito Santo, uma das Capitanias do mesmo nome, bispado do Rio de Janeiro se apresentou nesta provedoria a petição inclusa e certidão curada da qual consta a necessidade de ornamentos que padece esta Freguesia, e fazendo eu as diligencias que Vossa Majestade me ordenou por alvará de nove de junho de 1731, por achar a dita Freguesia necessitada de ornamentos para os dias festivos e para os que não são, e não me consta que em tempo algum concorresse a Fazenda Real. Para ornamentos dela, constando-me ter do batizado Real para a dita Igreja, entendo ser necessário ornamentos, das quatro cores, porém nem todos inteiros tem preciosos, pois como a dita freguesia e Vila em que se acha está quase deserta, apenas há no ano uma festa do santo que é a do Orago pelo que só o ornamento branco convinha ser inteiro com duas dialmáticas (?) e uma capa de aspergir (?) um véu de ombros, um pano de púlpito, uma casula e um frontal, por não haver nela mais altar que um. Nos das mais cores basta somente uma casula e um frontal. A medida desse frontal é a que vai inclusa e toda ela e o seu comprimento e da onde tem um risco para baixo da parte mais curta é a sua altura. O púlpito tem dez palmos de comprimento e cinco de largo. Esta é a informação sobre o requerimento do pároco e o meu parecer Vossa Majestade mandará o que for servido. Vila da Vitória, 2 de julho de 1732.

Jorge de Barcelos Machado - [Conselho Ultramarino - Brasil – Espírito Santo - 1732, julho, 02 - Vila da Vitória. Documento 181 – Caixa 02].

Em 1532 o Provedor da Fazenda Real da Capitania do Espírito Santo informa no requerimento do pároco da matriz daquela vila em que pretende se lhes deem uns ornamentos para aquela igreja e vai a petição certidão e medidas que se acusam.

Custaram duas vestimentas e as mais pertenças e dois frontais para o altar mor e dois panos de estantes o missal para a Matriz da vila do Espírito Santo do bispado do Rio de Janeiro em duas cores cada ornamento. [Conselho Ultramarino - Brasil – Espírito Santo 1733, agosto, 25 – Lisboa - Documento 196 - Caixa 02].

Em 1750, a igreja foi elevada à categoria de paróquia. Não obstante o predicamento de paróquia que lhe fora concedido, o seu estado de conservação sempre deixou a desejar. E foi exatamente isso que impressionou o Imperador Pedro II, quando esteve em visita a Vila Velha, em janeiro de 1860. Do seu bolso, doou o monarca a importância de 400$000 (quatrocentos mil réis) para a reforma do templo, que se achava em estado deplorável [Viagem de D. Pedro ao Espírito Santo – Levy Rocha].

Em 1º/04/1840 o Presidente Silva Coito na sessão da Assembleia Legislativa colocou para reparos na igreja a quantia de 60$000. O vigário é o padre Francisco Ferreira Quadros com a côngrua de 250$000 (ordenado).

 Em 1º/04/1841, o Presidente Jose Joaquim Machado d’Oliveira informou que a igreja está em reparos e o fabricante tem em seu poder 60$000 réis.

23/05/1847 o Presidente Luiz Pedreira do Couto Ferraz, informa que a Igreja está deteriorada e o vigário requereu um missal, uma casula de branco e vermelho; pede que seja retelhada em parte e orça a despesa em 200$000 réis.

1º/03/1848, o Presidente Luiz Pedreira do Couto Ferraz informa que foi feito o retelhamento da parte do consistório e a entrega do Missal.

25/05/1854 o Presidente Sebastião Machado Nunes informa que do orçamento de 2:000$000 réis foi cotizado 1:000$000 réis para Vila Velha e foram concluídos os principais concertos. De acordo com o vigário seria na casa dos 3:000$000 réis para o restante quer seja o entesouramento e outras obras. Dos 1:000$000 réis gastou 959$000 réis. Foi dispensada a comissão para os levantamentos.

25/05/1855 o Presidente Sebastião Machado Nunes informa ainda que de 2:000$000 réis consignado pelo parágrafo 9º Título 6º da Lei Nº 4 de 10/07/1853 foi cotizado 1:000$000 réis para concerto da Matriz.

Depois de despender 200$000 réis no telhado por complicações diversas não foi executado o serviço e o dinheiro restante foi recolhido ao cofre provincial.

Porém, conseguiu por 860$000 réis acertar com o capitão João de Freitas Magalhães reconstruir o telhado e concerto da sacristia.

As obras ficaram construídas este ano e então se faz necessária a quantia de R$ 1:000$000 para o restante.

Em 1866 foi formada uma comissão tendo como base o orçamento apresentado pelo Leopoldo Augusto Deocleciano de Melo e Cunha no valor de R$600,000 reis. A comissão do vigário João Luiz da Fraga e do Capitão tenente Jose Lopes de Sá que informou a necessidade de dois corredores da secretaria ao lugar da subida do trono da igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Em 1867 na abertura da sessão ordinária da Assembleia Legislativa Provincial pelo Excelentíssimo Senhor primeiro vice-presidente da Província.

É urgente o fornecimento de paramentos novos, a construção do corredor e de um pequeno consistório assobradado por onde se possa colocar o santo Sacramento no trono do altar mor, por ocasião de dias festivos. O vigário julga conveniente do douramento do novo retábulo. No dia sete de maio foi entregue para a obra a quantia de 100$000 reis e no dia nove foi nomeado Antonio Leitão da Silva e o cidadão Jose Pinto de Queiroz para em comissão com o vigário João Luiz da Fraga Loureiro, efetuarem as obras.

A igreja embora seja a primeira da província só entrou no número das colada em 1750, quando foi elevada a categoria de paróquia.

Em 1871, na Seção ordinária de 09/10/1871 (Publicado em 1872).

Presidente Francisco Ferreira Correa informa que a igreja está precisando de: uma urna ou altar mor em substituição do atual danificado. Conclusão da caixa do Trono e Tabernáculo onde nas festas solenes se expõe o SS. Sacramento. Fundação de um novo edifício correspondente ao da sacristia, que vá findar na parede do fundo da matriz, por onde deve ser levado o Ostensório em que se adora o Sacramento, e que sirva de consistório, em que se guardem os objetos do serviço do culto.

Os Paramentos são da fundação do Templo e estão péssimos.

Em 05/10/1886. Foi apresentado a Assembleia Legislativa pelo presidente da Província Antonio Joaquim Rodrigues a informação que foi orçada a quantia de 1:013$313 réis para as obras da igreja, sendo encarregado os capitães Henrique Gonçalves Laranja, Pedro de Sant’Anna Lopes e Manoel Pinto Caldeira.

UMA PERGUNTA: O ACRESCIMO NO FINAL DO CORPO DA IGREJA, ANEXO A SACRISTIA E QUE FOI DEMOLIDO PARA PASSAR A LINHA DE BONDES, NÃO SERIA ELE O CONSISTÓRIO, E, NÃO A CASA DA MISERICORDIA?

Restaurações Realizadas pelo IPHAN – 1953/1954/1990

Autor: Edward A'Alcântara

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Dentro dela ajoelhou e orou o velho Vasco Coutinho, primeiro donatário da Capitania, antes tão cheio de esperanças e depois desiludido diante dos insucessos, cansado e doente, à espera da morte

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