Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Números Miúdos de Vitória de 1790 – Por Serafim Derenzi

Capa do livro: Biografia de uma ilha, 1965 Autor: Luiz Serafim Derenzi

Da "Informação" prestada pelo Capitão-mor Ignácio João Mongeardino, ao Governo da Bahia, colhem-se dados preciosos a respeito da Vila e da economia capixaba. Números miúdos, porém, significativos. A população de vitória, em 1790, é de 7.225 habitantes, dos quais 4.898 escravos ou dois e um décimo de negro, em média, por habitante livre. Ora, o escravo era objeto caro; possuí-lo significava ter capital. Quando o senhor não o utilizava diretamente em sua propriedade, alugava-o como se aluga um utensílio qualquer. Posse de escravo era sempre indicio de prosperidade. Assim, no fim do século dezoito, a cidade é pobre mas a população remediada. Importam-se mercadorias no valor de 21:267$840, e exportam-se 45:668$480, saldo belíssimo, senão em valor, em percentagem altamente abonadora. A maior parcela importada é de tecidos: 18:113$920, representada por durguetes, bretanhas de França e Hamburgo, panos de linho, cambraias e sedas. Segue-se o sal, monopólio da Coroa, com 1:160$320, à razão de 640 réis o alqueire (40 litros); e o vinho a 76$800 o pipa, num total de 998$400 ou 16 pipas, cabendo 3 litros anuais por habitante livre, o que é muito pouco.

Bebia-se muita cachaça em compensação. A Câmara não tem patrimônio nem rendas. Para se atender às pequenas despesas de reparo de calçadas ou das fontes, finta-se o povo, isto é, rateia-se o custo pelos moradores. A falta de patrimônio do município de Vitória origina-se da sua fundação irregular. A ilha de Santo Antonio foi doada, pelo donatário da Capitania, ao ambicioso Duarte de Lemos. A carta de doação veda-lhe a faculdade de fundar povoado ou vila. Vitória, como célula urbana, não teve origem legal, por isso não recebeu as clássicas léguas de terra para seu patrimônio. Ficou sem receita de foros ou arrendamento. A expansão de sua área se fez por compra, desapropriação ou doação do Estado. Essa lacuna trouxe ao município prejuízos incalculáveis, que perduram até nossos dias.

Mongeardino, no citado documento, em que encaminha uma representação da Câmara de Vitória, ao Governo da Bahia, pondera pretensões muito elucidativas das necessidades públicas: Provimento de escrivão vitalício para o Conselho Municipal, para evitar os "descaminhos, que têm havido, de alguns monumentos antigos" e evitar a "crassa ignorância de infinitos escrivães, que têm servido no dito Conselho". Pede nova cadeia e professores de filosofia, cuja necessidade reputa urgente, não só pelo tamanho da Comarca, como pelo pendor dos jovens para as letras, donde têm saído homens que engrossam o número de sábios nas religiões (ordens religiosas) e os bancos da Universidade de Coimbra. Há apenas dois professores de ler, escrever e de gramática latina. Cabem-lhes ainda censurar os livros! Elogia a fertilidade do solo, mas "os seus habitantes frouxos e nada ferrados aos interesses".

Exporta-se açúcar, algodão, milho, arroz e panos para o Rio, Bahia e, às vezes, Pernambuco.

 

NOTAS

(14) "Informação do Capitão-mor Ignácio João Mongeardino, dirigida ao Governador da Villa de N. S. da Vitória e Vila da Capitania do Espírito Santo. Vitória, onze de julho de 1790, apud Almeida. Inventários, Anais B. N. XXXIV, 176, 180 segundo José Teixeira de Oliveira.

(15) Os escravos confiscados em 1759, aos Jesuítas, foram avaliados em média a 50$000, por unidade. Em fins de 1700, valiam até 800$000.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2017

História do ES

Colher de prata que D.Pedro II lançou na Lagoa Juparanã em 1860

Colher de prata que D.Pedro II lançou na Lagoa Juparanã em 1860

Ao ler um livro que relata os registros históricos de Linhares, o aposentado soube que Dom Pedro II esteve em Linhares no ano de 1860. Na ocasião, o monarca almoçou na atual Ilha do Imperador, onde, após o almoço, colocou alguns objetos em uma garrafa de champanhe e a jogou na água

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Discórdias na Capitania - Início Século XVIII – Ainda o caminho das minas

À Bahia chegaram delações contra o capitão-mor Francisco de Albuquerque Teles, obrigando o governador geral a dirigir-se ao provedor da Fazenda Manuel Correia de Lemos

Ver Artigo
Franceses no Rio de Janeiro no Início do Século XVIII

O grande acontecimento que abalou a colônia, em 1710, foi o assalto comandado por Duclerc contra o Rio de Janeiro

Ver Artigo
O Construtor do Relógio da Praça Oito

Quem passa pela Praça Oito, em Vitória, vê, ali, um relógio de grande porte, mas lhe não sabe a história nem, sequer, o nome daquele que o construiu

Ver Artigo
Um bacharel morando em Vitória em 1700

Ainda no princípio do século XVIII, Vitória já contava com um bacharel formado pela Universidade de Coimbra

Ver Artigo
Esmeraldas! Esmeraldas! – Governo de Antônio Luis Gonçalves da Câmara Coutinho

O acontecimento culminante do seu período governamental foi a descoberta de minas pelo capitão Antônio Luís de Espinha

Ver Artigo