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Números Miúdos de Vitória de 1790 – Por Serafim Derenzi

Capa do livro: Biografia de uma ilha, 1965 Autor: Luiz Serafim Derenzi

Da "Informação" prestada pelo Capitão-mor Ignácio João Mongeardino, ao Governo da Bahia, colhem-se dados preciosos a respeito da Vila e da economia capixaba. Números miúdos, porém, significativos. A população de vitória, em 1790, é de 7.225 habitantes, dos quais 4.898 escravos ou dois e um décimo de negro, em média, por habitante livre. Ora, o escravo era objeto caro; possuí-lo significava ter capital. Quando o senhor não o utilizava diretamente em sua propriedade, alugava-o como se aluga um utensílio qualquer. Posse de escravo era sempre indicio de prosperidade. Assim, no fim do século dezoito, a cidade é pobre mas a população remediada. Importam-se mercadorias no valor de 21:267$840, e exportam-se 45:668$480, saldo belíssimo, senão em valor, em percentagem altamente abonadora. A maior parcela importada é de tecidos: 18:113$920, representada por durguetes, bretanhas de França e Hamburgo, panos de linho, cambraias e sedas. Segue-se o sal, monopólio da Coroa, com 1:160$320, à razão de 640 réis o alqueire (40 litros); e o vinho a 76$800 o pipa, num total de 998$400 ou 16 pipas, cabendo 3 litros anuais por habitante livre, o que é muito pouco.

Bebia-se muita cachaça em compensação. A Câmara não tem patrimônio nem rendas. Para se atender às pequenas despesas de reparo de calçadas ou das fontes, finta-se o povo, isto é, rateia-se o custo pelos moradores. A falta de patrimônio do município de Vitória origina-se da sua fundação irregular. A ilha de Santo Antonio foi doada, pelo donatário da Capitania, ao ambicioso Duarte de Lemos. A carta de doação veda-lhe a faculdade de fundar povoado ou vila. Vitória, como célula urbana, não teve origem legal, por isso não recebeu as clássicas léguas de terra para seu patrimônio. Ficou sem receita de foros ou arrendamento. A expansão de sua área se fez por compra, desapropriação ou doação do Estado. Essa lacuna trouxe ao município prejuízos incalculáveis, que perduram até nossos dias.

Mongeardino, no citado documento, em que encaminha uma representação da Câmara de Vitória, ao Governo da Bahia, pondera pretensões muito elucidativas das necessidades públicas: Provimento de escrivão vitalício para o Conselho Municipal, para evitar os "descaminhos, que têm havido, de alguns monumentos antigos" e evitar a "crassa ignorância de infinitos escrivães, que têm servido no dito Conselho". Pede nova cadeia e professores de filosofia, cuja necessidade reputa urgente, não só pelo tamanho da Comarca, como pelo pendor dos jovens para as letras, donde têm saído homens que engrossam o número de sábios nas religiões (ordens religiosas) e os bancos da Universidade de Coimbra. Há apenas dois professores de ler, escrever e de gramática latina. Cabem-lhes ainda censurar os livros! Elogia a fertilidade do solo, mas "os seus habitantes frouxos e nada ferrados aos interesses".

Exporta-se açúcar, algodão, milho, arroz e panos para o Rio, Bahia e, às vezes, Pernambuco.

 

NOTAS

(14) "Informação do Capitão-mor Ignácio João Mongeardino, dirigida ao Governador da Villa de N. S. da Vitória e Vila da Capitania do Espírito Santo. Vitória, onze de julho de 1790, apud Almeida. Inventários, Anais B. N. XXXIV, 176, 180 segundo José Teixeira de Oliveira.

(15) Os escravos confiscados em 1759, aos Jesuítas, foram avaliados em média a 50$000, por unidade. Em fins de 1700, valiam até 800$000.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2017

História do ES

Cine Vitória

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No dia 4 de outubro de 1950 a Avenida Jerônimo Monteiro ganhava uma sala que marcou muito o público capixaba, o Cine Vitória ou “Vitorinha” como era conhecido por causa de seu tamanho com 380 lugares. O cinema marcou a época por ser o primeiro da cidade a oferecer sessões contínuas a partir das 15 horas, e aos domingos e feriados a partir das 13 horas

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