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O Apedrejamento e o quebra-quebra – Por Adelpho Monjardim

Vale em Fradinhos em 1980. Hoje Rua Áureo Poli Monjardim (Arquivo PMV)

“Entre o Céu e a Terra muita coisa há que escapa à nossa vã filosofia”. Fenômenos que somente no sobrenatural buscamos explicação. Um desses fenômenos ocorreu aqui, aí pelos anos cinqüenta. O Morro da Fonte Grande, palco do estranho episódio, situa-se no coração da Cidade. Entre as residências ali existentes destacava-se a de uma família reconhecidamente religiosa e de costumes severos. Não obstante foi a escolhida para a alucinante manifestação das forças do Além, pois só assim podemos denominar o que escapa às leis naturais.

Naquela noite, após o jantar, reunida na sala, a família comentava os fatos do dia. Tudo muito íntimo, tudo muito simples. De repente violento baque em cima do telhado. Coisa pesada cai dentro do forro. Mal refeitos do choque os familiares ouviram novo baque e logo verdadeira chuva de pedras. Eram mesmo pedras. Com o peso o forro começou a se afundar. Alarmados, os moradores procuraram averiguar as causas. Pensaram logo em artes dos moleques, mas o primeiro que chegou à porta quase foi atingido por um paralelepípedo. Mesmo com a presença da polícia o bombardeio continuou. Interessante, as casas vizinhas nada sofreram. Em poucos minutos o telhado quedou arrasado e as pedras continuaram caindo. — Alma do outro mundo não respeita polícia, comentou um curioso.

A polícia apurou que os paralelepípedos procediam de um calçamento que estava sendo feito a mais de cem metros dali. Qual a força humana capaz de tal proeza?

Alguém lembrou chamar um médium que morava próximo, porém ele já havia tomado a iniciativa de apurar o fenômeno.

Acreditem ou não, mas com as suas rezas tudo serenou. Fora a doméstica, inocente, a causadora de tudo aquilo. Ela atraíra os maus espíritos.

Em um de seus livros, Vítor Hugo relata fato idêntico, sucedido em Paris.

Outro fenômeno extraordinário sucedeu em uma residência, na Praia do Canto, nesta Cidade de Vitória. Tudo muito calmo, tudo muito tranqüilo, na residência de um alto funcionário da Municipalidade. Nada prenunciava sucessos tão estranhos, tão extraordinários. Caía a tarde. No alto da cristaleira, na sala de jantar, um vaso de flores enfeitava o ambiente. Despreocupados conversavam todos, quando impelido por estranha força o vaso se elevou no espaço para violentamente se espatifar no chão. Surpresos viram tudo se quebrar dentro da cristaleira; os móveis saírem dos seus lugares e as cadeiras voarem de encontro às paredes. Aterrados abandonaram a casa e pediram auxílio à polícia. Informado do que ocorria, um tio do proprietário apareceu. Céptico, mas curioso, quis ver de perto o que se passava. Ao penetrar na sala, não obstante o caos, fez comentário descrente e irônico. Mal acabou de falar a poltrona restante projetou-se sobre ele. Só teve tempo de ganhar a rua, mais branco que um bilhete de loteria.

Com a presença de um médium serenou o pandemônio. Como no primeiro caso fora a empregadinha a causa involuntária do mal.

Como a Ciência explica o fenômeno? Existe o sobrenatural?

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2015

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