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O Fantasma da Penha - Por Maria Stella de Novaes

Convento da Penha

Estavam os religiosos beneditinos instalados, no seu mosteiro, em Vila Velha, quando receberam a visita de um confrade, em passagem para o Rio de Janeiro.

Aproveitando o frescor de uma tarde, resolveu o itinerante dar uma voltinha, a fim de conhecer a terra e conversar com os moradores, para inteirar-se dos seus costumes, e colher informes da região.

Conversa-vai, conversa-vem, surgiu, para forte admiração do estranho, uma notícia fantástica: - No caminho da Penha, (hoje Ladeira do Convento), ainda sem a calçada de lajes e divisão, nos Sete Passos murados, havia uma pavorosa assombração! Acompanhava os que, depois da Ave-Maria, tentavam galgar o Monte, encimado pela Ermida de Nossa Senhora. Tomava-lhes a frente, ás vezes. Não os deixava, porém, repousar, no pequeno templo das Palmeiras.

Resolveu o beneditino desvendar o ministério; provar àquele povo inculto sua coragem de enfrentar o pavor da noite. Passada a hora do Ângelus, tomou de uma lanterna e encetou lentamente, o arrojo da ascensão.  Vagalumes rebrilhavam. Saltavam aves noturnas, com os seus pios e arrulhos.

Vencido o primeiro Passo, quando o luar já prateava algumas clareiras e coava-se, até as pedras cobertas de musgo, eis que espantoso vulto se lhe acerca; transforma-se em vários aspectos sucessivos, segue-o, eqüidistante e ameaçador até o final do percurso.

Na capela, tenta o monge repicar o sino, de modo a comprovar, aos habitantes da Vila, o êxito de sua aventura.

Nada!... Horrenda figura, presa à corda, opunha-se à realização do seu plano; provocava luta indispensável, até que o frade, invoca a Virgem da Penha, e implora o seu celestial socorro. Animado, assim, de filial confiança, vence o temeroso espectro, e toca ardorosamente o sino. Logo, porém, o monstro, dominado pelo furor do evidente fracasso, prende-o com a maior violência, e atira-o, no espaço.

Sente-se logo o nosso herói cercado de anjos, que o amparam e, na segurança de um vôo, trazem-no incólume, suavemente, ao ponto em que, reunidos, o esperavam aqueles moradores da Vila, admirados, agora, de vê-lo chegar tão depressa, quando ainda se ouviam as últimas vibrações do bronze.

- Foi Nossa Senhora da Penha!... – Exclamou o beneditino.

 

NOTA
Escontra-se esta lenda, em Notas, à “Notícia da Ordem Beneditina, no Espírito Santo”, de Dom C. Nigra.”

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

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