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O Franciscano Frei Pedro Palácios trouxe a devoção da Penha

Frei Pedro Palácios e os colonos, quadro de Benedito Calixto, do Acervo do Convento da Penha

Em A História Popular do Convento da Penha, Guilherme Santos Neves chama a atenção para o fato de que "a piedosa vida de Pedro Palácios só começa realmente a registrar-se para a história, quando, impelido por natural pendor, toma ele o hábito de religioso leigo, e como tal vive na província de São José dos Reformados, em Castela (Espanha), passando mais tarde para a província da Arrábica, em Portugal, onde vai servir como enfermeiro, no Hospital Real de Lisboa, desvelando-se, com grande amor e caridade, junto aos leitos dos seus enfermos".

Foi um sonho que o impeliu a viajar para as terras do Brasil: nesse sonho apareceu-lhe um anjo que descia do céu e salvava da morte, num rio profundo, um grupo de pessoas prestes a afogar-se. O anjo os agarrara pelos cabelos e os trouxera para a margem.

Esse sonho o impressionou e o fez pensar que era uma mensagem divina. Ele sabia que criaturas de Deus se afogavam na cegueira do mal e da barbárie nas terras da Colônia portuguesa de além-mar. Dessa maneira, conseguindo licença do seu superior, embarcou para o Brasil, aportando em Porto Seguro. Lá ficou sabendo que não havia na Capitania do Espírito Santo nenhum missionário da sua Ordem. Foi assim que chegou a terras capixabas.

Frei Pedro Palácios nasceu na Espanha, filho de nobres e desde muito cedo mostrou sua inclinação para as doutrinas da fé.

Frei Jaboatão, citado por Guilherme Santos Neves, relata a viagem do franciscano para o Espírito Santo:

"Da sua passagem do Reino para o Brasil, só achamos escrito, fora o ano de 1558, e sendo o navio que o transportava acometido na viagem de uma rija e furiosa tormenta, nos últimos apertos, recorrendo os navegantes a Frei Pedro Palácios pelo bom conceito que já haviam formado de sua virtude, e tomando-lhe o manto o lançaram ao mar, e foi o mesmo estender-se sobre as águas, que baixaram logo a soberba de suas empoladas ondas: ausentaram-se os ventos que as moviam contrários, e soprando outros mais favoráveis, tomaram o porto com feliz viagem no de Vila Velha, Capitania do Espírito Santo" (crônica in Correio da Vitória, n° 72, de 28/6/1872.)

Em Vila Velha, o frei foi morar no alto do Morro da Penha. Muitas vezes passava tempos na gruta que existe no sopé do morro e que até hoje é chamada por muitos de "Gruta do Frei Pedro Palácios".

É importante chamar a atenção para o tato de que Frei Pedro Palácios foi o primeiro pregador e anunciador do Evangelho para os nativos, na Capitania do Espírito Santo. O Correio da Vitória de 1872 transcreve testemunhos de pessoas que o conheceram. Um desses é o de Nuno Rodrigues, morador na Vila do Espírito Santo, homem de cento e dois anos de idade e em pleno domínio das suas faculdades mentais: "Disse que conheceu aqui na Vila do Espírito Santo o Padre Frei Pedro, religioso leigo da Ordem de São Francisco, haverá cinqüenta anos, ao qual tratou particularmente, e lhe disse que era castelhano de nação, natural de Medina do Rio Seco, perto de Salamanca, e o viu ordinariamente andar pelas ruas, ensinando a doutrina cristã aos meninos e a todos, e o mesmo ia fazer pelas Aldeias dos índios, onde ainda não residiam religiosos da Companhia, senão aqui na Vila, e lá nas ditas aldeias batizava aos índios, que se convertiam à fé católica, e era mui zeloso da salvação das almas". (História Popular do Convento da Penha, de Guilherme Santos Neves). Foi o Frei Pedro o fundador do Convento da Penha.

Ajudou mesmo a carregar materiais até o alto da montanha onde foi construída a ermida. Mais tarde, a obra foi, então, completada por seus sucessores. Frei Pedro Palácios foi encontrado morto no dia primeiro de maio de 1570.

O Convento da Penha é hoje o maior monumento religioso do Espírito Santo, visitado por religiosos e turistas do Brasil e do exterior.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao século XXI – 19/08/1999
Pesquisa e texto: Neida Lúcia Moraes
Edição e revisão: José Irmo Goring
Projeto Gráfico: Edson Maltez Heringer
Diagramação: Sebastião Vargas
Supervisão de arte: Ivan Alves
Ilustrações: Genildo Ronchi
Digitação: Joana D’Arc Cruz    
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2016

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