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O lugar mais bonito do Espírito Santo

Portaria do Parque Serra do Caparaó

Já é um consenso entre os visitantes e os moradores do nosso Estado: há muitos lugares bonitos, paradisíacos, entre o mar e a montanha nestes pouco mais de 45 mil quilômetros de terra do que sobrou da imensa capitania dos Coutinho. Desde o início da colonização portuguesa, o nosso Estado ficou mais conhecido pelo litoral.

Viajantes do passado e turistas do presente sempre destacaram as belezas de nossas praias, baías, enseadas, falésias, montanhas e florestas que vão ao encontro do mar. Guarapari, há muitos anos, é balneário de referência nacional, por suas praias de areias pretas, monazíticas, cantadas em prosa e verso. Marataízes foi, desde sempre, a praia dos cachoeirenses, que para lá acorrem fugindo do calor infernal da terra dos Braga. Depois, outras praias foram descobertas por mineiros e capixabas, como Piúma, Iriri, Meaípe, Setiba, Praia da Costa, Jacaraípe, Nova Almeida e Guriri. Cada capixaba, no entanto, tem sua praia de preferência, alguma delas até desconhecida da maioria. Há os amantes de Ubu e os de Regência, cada qual com sua diversidade.

No entanto, fiz uma pequena sondagem entre alguns escritores capixabas, e nenhum deles se referiu a alguma praia como o lugar mais bonito do Espírito Santo. Anaximandro Amorim disse ser o Convento da Penha “por conta de sua arquitetura jesuítica, pela posição privilegiada e porque é o símbolo maior da nossa identidade”. Jace Theodoro citou Muqui, sua cidade natal, “porque, além dos morros que abraçam, é rica no seu caldo cultural e o espírito do muquiense embarca nessa aventura cultural.É isso que dá a Muqui rosto e corpo de beleza insuspeita”.

Ester Abreu, outra muquiense, acha Vitória, “pela luz e contrastes verde (montes) água; à noite, luzes nos montes. O natural se mescla com as construções modernas e antigas e com a visão do Convento”. Neusa Possati citou o Pico da Bandeira (lado Caparaó Capixaba) “porque congrega em seu entorno a região do Caparaó, cidades que unem forças para preservar a cultura, saberes e fazeres”. Jeanne Bilich não se contentou com um, citando “a região montanhosa do nosso Estado: Marechal Floriano, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Aracê, Alto Caxixe, Pedra Azul e, ainda, Santa Teresa”. Sem dizer por que, Reinaldo Santos Neves citou o vale do Canaã e Fernando Achiamé, o vale do Rio Doce.

Queridos leitores, trago-lhes uma descoberta recente: fiquei estupefato com a beleza do vale do Limo Verde, aos pés da Serra do Caparaó, entre os municípios de Ibitirama, Divino de São Lourenço e Dores do Rio Preto. Acabei de chegar de lá e há uma rodovia estadual recém-asfaltada, que corta o vale, ligando Santa Marta ao Patrimônio da Penha, um lugar cuja beleza é indescritível, cercado de toda uma “aura mística”. Sempre fui encantado pela Serra do Caparaó, mas, do lado capixaba, é muito mais bonito.

Imagine um vale com pastagens muito verdes, um riacho de águas límpidas, vacas pastando na tranqüilidade bovina de uma moldura de montanhas de mais de mil metros de altura. Creio que tive impacto semelhante quando conheci as Dolomitas, montanhas que separam a Itália da Áustria. Meus amigos, aproveitem que o carnaval passou, o verão vai passar e programem uma visita ao Caparaó, do lado Capixaba. Não como turista, mas como viajante. A diferença é Saramago que nos explica: “O viajante não é turista. É viajante. Há grande diferença. Viajar é descobrir. O resto é simples encontrar.   

 

Autor: Francisco Aurélio Ribeiro
Fonte: Jornal A GAZETA, 18 de fevereiro de 2013
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2013



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