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O martírio de Chico Prego

Depois de feita a última unção religiosa, Chico Prego de mãos atadas galgou os degraus da escada, seguido do carrasco

Em 1884, Afonso Cláudio publicou o livro Insurreição do Queimado. Pela descrição minuciosa que fez da sanguinária execução de Chico Prego, sua obra transformou-se em panfleto na propaganda em favor da extinção da escravatura.

Na passagem citada abaixo, Afonso Cláudio, em certos momentos, faz uma introspecção psicológica do condenado. Chico Prego é, na sua visão, o grande mártir da rebelião do Queimado.

 

“(...) Chico Prego veio escoltado por uma numerosa guerrilha. Impassível, frio, sem mostrar uma comoção de susto qualquer, o rebelde parecia interiormente satisfeito com a sorte que o aguardava. Se o movimento insurrecionário não o fizesse herói, a coragem da morte sagrá-lo-ia. O insurgente tinha um conhecimento nítido do seu valor: ele sabia que conspirando ofendia a ordem, mas também sabia que conspirava para ser livre (...).

Conduzido ao lugar do suplício, Prego não se aviltou por um só movimento de covardia. Assistiu impávido à construção do instrumento homicida com a coragem de quem vai empreender uma aventura arriscadíssima. Precedido do padre e do carrasco percorreu a rua ouvindo o badalar da campa, a leitura da sentença e o responsório exortativo. A longa procissão fez o itinerário (...) e, vagarosa, cadenciada, chegou ao lugar em que dominava a forca como um espectro.

Depois de feita a última unção religiosa, Chico Prego de mãos atadas galgou os degraus da escada, seguido do carrasco. Em seguida, o executor passou-lhe a corda ao pescoço, tendo antes ligado à trave do instrumento mortífero; impeliu o rebelde para o espaço em arrimado à corda, cavalgou no pescoço do negro (...). Alguns momentos depois, a corda cortada e atirado ao chão o corpo; como, porém, ainda não tivesse cessado as agonias, o executor lançou mão de um madeiro que se achava ao lado da forca e esmagou por partes o crânio, os braços e as pernas do justiçado.

Após a tirania da lei, a selvageria do homem (...). Estava feita a missão da justiça (...). Às janelas, abertas desde o começo da execução, mantinham-se, em agradável compostura, velhos e moços. Quantos não sentiam o desejo de pedir bis. Aquilo era fruto do tempo e, por isso, não tinha travos. (...) a multidão fartara-se do espetáculo (...).

 

Fonte: História do Espírito Santo – Uma abordagem didática e atualizada, 1535-2002
Autor: José P. Schayder
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2012 

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