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O Megatério de Cachoeiro

Megatério

A descoberta de uma ossada de animal pré-histórico, encontrada em fevereiro de 1973, numa propriedade rural do Alto do Gironda, está despertando grande interesse e curiosidade no Espírito Santo.

Cinco dos ossos maiores, levados para estudos no Departamento Nacional de Produção Mineral, foram considerados bastantes para identificação do animal, pertencente ao grupo zoológico dos tamanduás e tatus: megatério, uma preguiça terrícola gigante, espécie que viveu na América do Sul e foi extinta há uns dez mil anos, justamente quando os primeiros homens atingiram o território brasileiro.

Corpo volumoso como o de um elefante, com mais de dois metros e meio de altura no dorso e cinco metros de extensão, da cauda à cabeça, o megatério é um mamífero desdentado. Ganhou tal classificação por apresentar apenas uns poucos dentes maiores que medem dezessete centímetros de comprimento por mais de quatro centímetros de lado. Herbívoro, alimenta-se de folhas, brotos, ramas menores e caules novos de gramíneas. Comia ereto, usando os dedos como garras para apoio nas árvores, sustentando o pesado corpo no tripé dos pés traseiros e grossa cauda. Lerdo no andar, pacato, inofensivo e indefeso, podia ser facilmente encurralado, nas cavernas, pelos caçadores, servindo como reserva de carne fresca.

Em 1889, os paleontologistas do Museu Nacional do Rio de Janeiro recolheram, numa caverna em Jacobina, na Bahia, os ossos de um exemplar completo dessa preguiça gigante e o seu esqueleto, montado, ainda se conserva para visitação pública, no referido Museu.

Sabe-se que nos tempos imediatamente anteriores à época geológica atual, os megatérios foram abundantes no Brasil. Os seus ossos têm sido encontrados desde o Acre ao Rio Grande do Sul e em todas as ocasiões despertam a curiosidade popular e dos cientistas.

A recomposição e montagem do esqueleto do Alto Gironda, no Cachoeiro, estaria muito dificultada pelas condições da escavação em terreno alagado.

E assim se perdeu valioso elemento para a cultura das nossas origens.

 

 

Fonte: De Vasco Coutinho aos Contemporâneos, 1977
Autor: Levy da Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2011



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