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O patrono da ecologia nacional

Um homem que vale por milhões de outros

Santa Teresa, aos 30 minutos de 13 de dezembro de 1915. Nascia Augusto Ruschi, o oitavo dos 12 filhos dos imigrantes Giuseppe Ruschi e Maria Roatt. Oficialmente, foi registrado no dia 12. O pai agrônomo viera em missão do governo italiano para ajudar as colônias. A família Ruschi tem mais de 2 mil anos de tradição do estuda de plantas. O nome vem da espécie Ruscus aculeatus, ou azevinho do campo.

Desde criança era apaixonado pelas flores que o pai cultivava na Chácara Anita. No colégio Ítalo-Brasileiro brincava com os insetos que levava. Aos 10 anos veio para Vitória estudar no Colégio Estadual. Sua professora de Ciências e História Natural foi a pesquisadora e historiadora capixaba Maria Stella de Novaes, primeira mestra e incentivadora.

Gutti – como era chamado – já vivia pelas matas, observando, desenhando e colecionando plantas e animais, passando semanas sem retornar. Muitas vezes foi dado como morto ou louco. O conteúdo dos livros não era mais suficiente e alguns conflitavam com suas observações de campo. Por isso, iniciou intercâmbio com pesquisadores do Museu Nacional e do Jardim Botânico, enviando materiais coletados em troca de bibliografias especializadas.

Enviou observações sobre uma praga dos laranjais, descrevendo o ciclo de vida do lagarto. O responsável pela área era o professor José Cândido Mello Leitão, que passou o trabalho de Ruschi para Felippo Silvestre, cientista italiano que estudava o combate à praga. As informações de Ruschi foram fundamentais para complementar uma pesquisa mundial. Gutti tinha montado e observado mais de 500 caixas de lagartas, trabalho que os laboratórios não fizeram. Aos 12 anos, tornava-se conhecido e admirado por alguns cientistas do país.

O professor Mello leitão resolveu apadrinhá-lo, ajudando-o nas pesquisas. Aos 17 anos, Ruschi começou a trabalhar para o Museu Nacional e o Jardim Botânico como coletor de materiais para estudos. Suas pesquisas foram essenciais para o conhecimento da fauna e da flora da Mata Atlântica.

No Rio, foi professor da Universidade Federal do Brasil (-atual UFRJ) em 1937, aos 22 anos. Teve orientação direta do professor Mello Leitão, principal especialista em aracnídeos em nível mundial. O jovem cientista tornou-se rapidamente amigo particular do mestre Ruschi começou a devorar bibliografia, que rapidamente tornou-se insuficiente.

Sua sede de conhecimento trouxe-o de volta ao Espírito Santo – sua experiência de campo contestava enunciados teóricos dos livros. E a ciência ainda não havia se dedicado aos colibris, seu maior interesse. Concluiu que seu trabalho anterior nas matas virgens capixabas era mais relevante do que as pesquisas nos laboratórios, Aproveitou a convalescença de uma grave doença e retornou à terra natal.

Gutti estendia sua curiosidade a ramos diversificados, Foi naturalista, botânico, ornitólogo, topógrafo, bacharel em Direito, professor titular da UFRJ e pesquisador do Museu Nacional. Prestou serviços ao Ministério da Agricultura, da Educação e ao governo do Espírito Santo. Ficou conhecido mundialmente por seus estudos de beija-flores, orquídeas e pelo espírito inquieto e briguento. Foi pioneiro em outras áreas: biodiversidade, agricultura tropical, controle de zoonose, e no ambientalismo. Fundou o Museu de Biologia Mello Leitão em 26 de junho de 49, a primeira ONG do Brasil. Em 83, o acervo foi transferido para o Ministério da Cultura.

Criou a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza (FBCN), foi um dos fundadores da Sociedade dos Amigos dos Beija-Flores, presidida por Assis Chateaubriand, e a Estação Biologia Marinha, departamento didático do Museu Mello Leitão.

 

Fonte: Jornal A GAZETA, 27/12/1999
Fonte de Pesquisa: Casa da Memória de Vila Velha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2012

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