Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

O Penitente Frei Palácios – Por Frei Manuel da Ilha, OFM

Capela de São Francisco em ruínas, 1956. Foto Iêda, Eny, Juju, Enilda e Pepenha

Embora nunca tivesse vindo ao Brasil, este franciscano português foi encarregado de escrever a crônica de Custódia de Sto. Antônio do Brasil que ele intitulou de “Relação”, sendo o manuscrito composto em latim, para completar a obra do Pe. Geral da Ordem, Frei Francisco Gonzaga. Da vida de Frei Manuel da Ilha sabemos apenas que ocupou os postos de guardião e definidor na sua província de Sto. Antônio de Portugal. Morreu em Lisboa a 23 de novembro de 1637. O seu alentado estudo “Relação” ainda aguarda a edição e anotação, escrito que foi em 1621.

 

Frei Manuel da Ilha, OFM frade português escreveu, em 1621, a Crônica da Custódia de Sto. Antônio do Brasil; e como não tivesse ocasião de vir ao Brasil colher dados, pediu informes aos confrades missionários. Daí certos equívocos no seu manuscrito. Destacam-se entre as fontes consultadas a crônica da Custódia do Brasil da autoria de Frei Vicente do Salvador e um caderno de notas do ex-custódio Frei Leonardo de Jesus.

Fonte: Frei Manuel da Ilha OFM Divi Antonii Brasiliae Custodiae Enarratio seu Relatio fls. 282v - 285.

Vinte anos antes da fundação de Santa Custódia (de Sto. Antônio), chegou a esta vila e capitania do Espírito Santo certo religioso natural da Espanha e da nossa Ordem, mandado por seus prelados, chamando-se Frei Pedro, leigo a quem os habitantes da terra muito apreciavam pela grande virtude e santidade que possuía... Em geral jejuava com água e pão e constantemente trazia o cilício e levava uma vida a que todos servia de exemplo e edificação, porque o consideravam santo e como tal o veneravam. Raras vezes descia do monte salvo para expiar crimes e pedir esmolas. Mas, todas as vezes que voltava subia carregado de água potável ou de pedras para construção da capela de Nosso Seráfico Pai, a qual lhe servia também de cela. Pois era nela que sobre uma tábua e uma pedra, um lugar de travesseiro dormia.

Sempre andava de pés descalços, hábito pouco asseado e muito remendado. Aos habitantes e aqueles que vivam fora das obrigações cristãs ele os recriminava duramente. Não queria aceitar senão esmolas pequenas e delas ainda dava aos pobres.

Ele mesmo sabia muito antes o seu trânsito e quando o dia da morte se aproximava, visitou os amigos e devotos dizendo-lhes que devia fazer uma longa viagem, logo após a Festa de Nossa Senhora. E aconteceu que na quarta-feira seguinte, abriu uma sepultura na qual queria ser sepultado, chamando o negrinho que um varão nobre e devoto lhe dera como companheiro no monte e tendo recebido do menino a vela acessa conforme pedira, ajoelhou-se na sua sela perante o altar do Pai São Francisco que lá se achava construída. Mandou então o negrinho que fosse chamar o seu senhor, que tanta o venerava, para que viesse sepultá-lo.

Ciente disso o nobre e piedoso varão veio com a fraternidade da Santa Misericórdia, com os Padres da S. Companhia de Jesus e com todo o povo, pela grande veneração que lhe devotavam. Acharam-no morto, ajoelhado e inclinado sobre o altar e com as mãos levantadas ao céu.

 

Fonte: Antologia do Convento da Penha, ano 1974
Autor: Frei Venâncio Willeke O. F. M.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2015

Convento da Penha

A Origem do Culto de Nossa Senhora da Penha

A Origem do Culto de Nossa Senhora da Penha

Do livro O RELICÁRIO DE UM POVO – Santuário de Nossa Senhora da Penha (1958, 2ª Edição), da autora Maria Stella de Novaes

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Carta de Pe. Anchieta sobre Frei Pedro Palácios

Ao pé do Convento fez uma casinha pequenina à honra de São Francisco, na qual morreu com mostras de muita santidade

Ver Artigo
Frei Vicente do Salvador , O.F.M. e a Penha do Espírito Santo

Há muito bom açúcar e algodão, gado vacum, e tanto mantimento que lhe chamava o mesmo Vasco Fernandes o meu vilão farto

Ver Artigo
O Pregador do Evangelho – Por Frei Antônio de Sta. Maria Jaboatão, OFM

Frei Antônio de Sta. Maria Jaboatão, OFM (1695-1779), compôs a sua famosa obra NOVO ORBE SERÁFICO BRASÍLICO, em meados do século XVIII

Ver Artigo
As maravilhas da Penha – Por Joaquim José Gomes da Silva Neto

A imagem de Nossa Senhora da Penha, encomendada por Frei Pedro Palácios em Portugal e inaugurada em 1570

Ver Artigo
Um autor corrige outro – Por Frei Apolinário da Conceição, OFM

Nascido em Lisboa a 23 de julho de 1692, emigrou com a família para o Brasil, onde tomou o burel seráfico aos 3 de setembro de 1711

Ver Artigo
Pe. Jorge Cardoso trata de Frei Palácios

Pe. Jorge Cardoso (1606-1669), dedicou-se publicando a sua imortal obra “Agiológio Lusitano dos Santos e varões ilustres em virtude do reino de Portugal e suas conquistas.”

Ver Artigo
A Serra da Arrábida - Frei Agostinho da Cruz, OFM

Descubra o segredo porque Frei Palácios escolheu o morro da Penha para nele prosseguir a vida contemplativa

Ver Artigo
Jesuítas em Romaria à Penha – Por Pe. Fernão Cardim, S.J.

Acompanhado de alguns confrades, o Pe. Fernão Cardim, S.J subiu à Penha aos 30 de novembro de 1584, relatando suas impressões

Ver Artigo