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O primeiro jornal do ES

Foto Ilustrativa

O primeiro jornal – Justamente trinta e dois anos depois de iniciar-se  a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro,[30] o Espírito Santo viu circular O Estafeta – primeiro jornal impresso na terra (1840). Nasceu tão mofino que não passou do número inaugural. Saiu da tipografia do alferes Aires Vieira de Albuquerque Tovar – que também foi a primeira aqui instalada. [31]

 Nove anos após – a dezessete de janeiro de 1849 – da mesma oficina [32] saiu o Correio da Vitória, fadado a uma vida longa e exornada de relevantes serviços à província. Com ele começa a história do jornalismo capixaba. [33]

 

NOTAS

(30) - Primeiro jornal impresso no Brasil. Começou a circular a dez de setembro de 1808. Embora saísse das oficinas da Impressão Régia, não era órgão oficial do governo. Seu primeiro redator foi frei Tibúrcio José da Rocha.

(31) - Em 1835, o presidente Joaquim José de Oliveira referia-se à falta de tipografia na província e, portanto, à “indispensável necessidade de imprimir-se em outra os atos legislativos da respectiva Assembléia” (Ofício dirigido ao titular da pasta do Império, a primeiro de junho de 1835 – Pres ES, VII).

 – Informa DAEMON que a oficina chegou a Vitória em 1840 (Prov. ES, 13).

 – A propósito d’O Estafeta, no seu admirável trabalho A Imprensa no Espírito Santo,

HERÁCLITO AMÂNCIO PEREIRA escreveu: “Fundado pelo alferes Aires Vieira de Albuquerque Tovar que, aos quinze de setembro de 1840, firmou contrato com o governo provincial para a publicação dos atos oficiais. Comprometia-se, por esse contrato, Aires, a quem era garantido o privilégio estabelecido pela lei provincial número seis, de vinte e três de março de 1835, a publicar um jornal duas vezes por semana, ficando o governo com direito a cento e vinte exemplares de cada número que se editasse, pelos quais pagaria 10$000” (RIHGES, III, 29).

– Cabe aqui referência especial ao trabalho de Heráclito Amâncio Pereira, obra benemérita de pesquisador paciente, a quem a história do jornalismo fica devendo um inventário conscienciosamente feito dos periódicos capixabas e valiosas retificações de cochilos imperdoáveis, inclusive dos organizadores do Catálogo da Exposição de História do Brasil (1881).

(32) - Tovar faleceu em 1841 e sua viúva encostou as máquinas, vendendo-as, em 1848, a Pedro Antônio de Azeredo, a quem coube lançar, como proprietário e redator, o Correio da Vitória (HERÁCLITO PEREIRA, Imprensa, III, 29; DAEMON, Prov. ES, 315).

(33) - Resumindo a primeira fase da história do jornalismo espírito-santense, AFONSO CLÁUDIO escreveu: “A imprensa verdadeiramente independente, sem ligações com o governo ou com agremiações partidárias, foi inaugurada em dezessete de dezembro de 1853, com o periódico A Regeneração, redigido pelo distinto latinista, o professor Manuel Ferreira das Neves.

Era um jornal imparcial e de caráter literário; por isso mesmo pouco durou, extinguindo-se em 1855.

 Ferreira Neves, depois de terríveis lutas políticas, retirou-se para o Rio de Janeiro, onde fundou dois colégios, entregando-se de todo ao magistério, vindo a falecer a vinte e oito de julho de 1884.

A imprensa política fez a sua estréia na Província, a dezessete de julho de 1856, com a publicação d’O Capichaba; a literária prossegue com o Semanário, fundado por Pereira de Vasconcelos, em dois de janeiro de 1857, com a Aurora, fundada e redigida em dezenove de agosto do mesmo ano, pelo dr. Joaquim dos Santos Neves.

A partir de 1860, a imprensa torna-se quase exclusivamente política; é nessa quadra que surgem A Liga, em oito de abril; o Indagador, em treze de junho; o Maribondo, em onze de agosto; o Provinciano, em sete de setembro e o Pica-Pau, em vinte e seis de setembro, todos em 1860.

Foi a época das polêmicas insidiosas e das retaliações partidárias extremadas, apenas suavizadas pelas sátiras espirituosas de Batista Pires e pelas crônicas humorísticas de Ferreira das Neves. É a explicação do aparecimento dos periódicos Maribondo e Pica-Pau, que tão pouco tempo viveram.

Mas, se nessa época existia a imprensa política, convém dizer que ela na Província refletia as idéias de 1831. Alguns desses jornais ou eram pela Regência (moderados), ou advogavam a causa de D. Pedro I (restauradores), ou propendiam para o franco restabelecimento da ditadura militar, estimulados pelos sucessos da abdicação (exaltados)” (Hist. Literatura, 531-2).

– O primeiro jornal capixaba editado fora da Capital foi O Itabira, de Cachoeiro de Itapemirim. Começou a circular a primeiro de julho de 1866. Era redigido por Basílio Carvalho Daemon.

– O primeiro diário foi o Diário Vitoriense, dirigido por Emílio Francisco Guizan. Começou a circular aos vinte e três de julho de 1866. Não saía aos domingos e dias santos. Matutino, a princípio, a partir de doze de novembro tornou-se vespertino (HERÁCLITO PEREIRA, Imprensa, III, 35-6).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, novembro/2017

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