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O que não se vê – Presidente Florentino Avidos

Capa do Livro: Florentino Avidos um homem à frente do seu tempo, 1999 - Divulgação: Altair Malacarne

De modo geral, nesta exposição biográfica, foram relatadas as obras executadas no governo Ávidos.

Grande parcela não é visível: as drenagens, os esgotos, as canalizações de água, porque são subterrâneas. Outras apresentam-se tão naturais que não se identificam: os aterros e os calçamentos e paralelepípedos de quase todo o centro urbano.

Lendo-se com atenção os relatórios dos prefeitos de 1910 a 1920, do município de Vitória, verifica-se que a capital, não obstante a ação dinamizadora de Jerônimo Monteiro, continuava "cidade suja", com forte coeficiente de letalidade.

A tuberculose, o impaludismo e a febre amarela ainda grassavam com impertinência mortífera. As obras de saneamento e as demolições em massa do governo de 1924, purificaram o clima e tornaram a cidade agradável.

Dos edifícios públicos não se deve esquecer o grupo escolar "Gomes Cardim", a Imprensa Oficial, o Arquivo Público e a Biblioteca, o mercado da Capixaba e o de Vila Rubim. Restauração da Delegacia de Polícia, da Penitenciária e da Sta. Casa. Auxílio à construção do "Carlos Gomes" e do Hotel Magestic. Grupos residenciais e os logradouros Aristides Freire e Deocleciano de Oliveira assim como, na chácara do Moniz, as Ruas Antônio Aguirre, Alziro Viana, Vala do Contorno e, um pouco além, a Ladeira Pernambuco, Wilson Freitas hoje. A nova rua, que recebeu o nome de D. Fernando, o viaduto de Caramuru, possibilitando a comunicação daquele logradouro com a Rua Francisco Araújo, ligando-a ao flanco do palácio, com o nome de Comandante Duarte Carneiro, são melhoramentos significativos.

Jucutuquara nasceu com os grupos habitacionais da Av. 15 de Novembro, Paulino Muller, Ruas Augusto Calmon, Amâncio Pereira, Barão de Aimorés e Aristides Guaraná. Os recuos das Ruas 1° de Março, Jerônimo Monteiro, parte da Duque de Caxias, Sete de Setembro, Treze de Maio, Azambuja, Baltazar e Cel. Monjardim são obras positivas. As escadarias Cleto Nunes, Maria Ortiz, da Piedade e Nicolau de Abreu eram inadiáveis. Os muros de arrimo das Avenidas Duarte de Lemos e Santo Antônio, e uma série de pequenas obras, são atestados eloqüentes dos quatro anos da administração Ávidos. Mas, se estas forem esquecidas, ficam o porto e a ponte.

Depois do serviço de abastecimento de água e esgotos, elemento fundamental à vida urbana, a maior cobiça de um povo ilhéu era poder transpor o obstáculo fluvial ou marítimo com seus próprios recursos. O insulamento intimida, porque isola, diminui, porque enclausura. O homem sente-se como que abandonada pelo destino. A ilha é um refúgio, uma estância de repouso temporário. A permanência delimita o horizonte. A ilha desperta o sentimento de fuga; vale como tábua de salvação ao náufrago desesperançado. Refeitas as forças, ambiciona-se o continente, o mundo que se desdobra em todos os quadrantes. O complexo é coletivo. Nenhuma cidade pode crescer no delimitado perímetro, que a fatalidade geológica confinou, entre cadeias de montanhas agrestes e braços de mar a refletir-lhe os contornos estéreis.

A ponte é a segurança, é o traço de união da parte ao todo, a integração da gleba à pátria comum. Vitória se interiorizou na alma dos municípios distantes, o Estado se fez capixaba.

Aos menos avisados poderá parecer que Florentino Avidos se preocupou, apenas, com o progresso material do Estado e de sua Capital. Mas a primazia técnica do governo não obstou o alevantamento moral do povo. A difusão do ensino, nos seus dois estágios fundamentais, foi carinhosamente cuidada. A imprensa diária ou periódica teve, até certo ponto, estímulo discreto.

O oitavo Congresso Brasileiro de Geografia, reunido em Vitória, de 24 a 30 de Novembro de 1925, sob a presidência de honra de Candido Rondon e efetiva de Carlos Xavier, mereceu do Estado acolhida digna e prestigiosa. Nele fulgiram os nomes de Mário Melo, do Instituto de Pernambuco, de Alípio di Primo, do Serviço Geográfico do Exército; do Camte. Boiteux, representante de Sta. Catarina, e do maior de todos, pelo brilho de sua palavra inflamada e cultura poliédrica, Everardo Backeuser, geólogo, polemista e homem de pensamento, da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e professor de Politécnica. (3)

A representação do Espírito Santo, titulares, na maioria, do Instituto Histórico e Geográfico, houve-se com destacado brilho. Um fenômeno para o qual não encontro explicação é o isolamento dos valores culturais capixabas. Modéstia? Desprendimento? Falta de uma editora? Não escasseiam valores na terra de Domingos Martins: homens de letras, filólogos, historiadores, juristas, sanitaristas e, no entanto, poucos são os que logram transpor as barrancas do Itabapoana.

Algum desacerto deve haver na engrenagem, que regula a marcha da inteligência no Estado. Certamente, o governo não é o único responsável. A causa deve ser investigada para que não repercuta apenas, no além fronteira, o valor econômico do Estado. Há uma elite e as gerações, que se sucedem, são cada vez mais esperançosas. É preciso que o clima de bastança, que se alarga em todo o território, tonifique homens de espírito, proporcionando-lhes campo para a semeadura do pensamento, já sazonado.

 

NOTAS

 

(3) Para solenizar a efeméride, o Governo inaugurou a Biblioteca e o Arquivo Público e a primeira Exposição Inter-Municipal de Produtos, marcante iniciativa de estimulo à policultura, tão necessária quanto indispensável à vida econômica do Estado.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2017

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