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O Teatro Carlos Gomes de Vitória - Por Gabriel Bittencourt

Teatro Carlos Gomes, 1930

Entre os milhares de imigrantes vindos para o Espírito Santo no século passado, André Carloni merece lugar de destaque. Autodidata e de grande talento artístico, a ele estão vinculadas as construções da Santa Casa de Misericórdia, o edifício da Assembleia Legislativa, a reforma da Escola Normal Pedro II, a ampliação do Colégio do Carmo, a via férrea dos bondes elétricos de Vila Velha, e sobretudo o Teatro Carlos Gomes, entre tantas importantes obras das primeiras décadas deste século.

André Carloni o fez construir, decorar, por conta própria, segunda consta, inspirado no Scala de Milão, e em homenagem ao grande compositor brasileiro Carlos Gomes, autor da imortal ópera O Guarani.

O Carlos Gomes era, até pouco tempo, o único teatro de Vitória em funcionamento; mas não é a nossa primeira sala de espetáculos.

Possivelmente, data de 20 de setembro de 1875, o mais antigo teatro capixaba, localizado na centenária vila de São Mateus, ao norte do estado.

É explicável esta precedência. A economia tradicional do açúcar e, sobretudo, da farinha de mandioca, criou uma infraestrutura portuária no antigo rio Cricaré, que, desde cedo, resultou num certo dinamismo que contrastava mesmo com o marasmo das vilas localizadas abaixo do rio Doce. Seus casarões e ruínas são atestados ainda concretos de sua antiga pujança.

Do teatro, porém, nada mais resta. Dele não se tem notícia desde o final da década de 1880.

Vinte anos depois da construção do Teatro de São Mateus, em 29 de outubro de 1895, no governo Moniz Freire, começou a ser construído em Vitória, no local onde hoje se encontra o Hotel Europa, na praça Costa Pereira, o Teatro Melpômene.

Era todo em pinho de Riga e capacidade para 1.200 lugares. Em estilo renascença, unia classe e progresso, possuindo geração própria de energia elétrica, quando o serviço de iluminação pública de Vitória era ainda realizado por bicos de gás comburente.

Foi inaugurado a 22 de maio de 1895, pela companhia espanhola Júlia de Plá, encenando-se a opereta A Mascote, seguida pela sinfonia de O Guarani. O projeto artístico, aliás, revestiu-se de estrondoso fracasso, sendo escrita e encenada, às pressas, a peça Ontem e Hoje, de Ubaldo Rodrigues, cujo tema local Caramurus e Peroás, agradou em cheio.

O Melpômene era também usado para projeção de filmes. Durante uma dessas exibições aconteceu um princípio de incêndio, do qual resultou alguns feridos (8 de outubro de 1924). Mesmo não ocorrendo sua destruição, resolveu-se pela alienação do imóvel ao construtor André Carloni, erigindo-se, mais tarde, em seu lugar, o Hotel Império (Hoje Europa).

A construção do Teatro Carlos Gomes foi iniciada, portanto, em 1925, com projeto do próprio proprietário, André Carloni, que se utilizou das colunas de ferro fundido que pertenciam ao antigo Teatro Melpômene e que foram aproveitadas para sustentáculos dos camarotes da nova sala.

Sua inauguração deu-se a 5 de janeiro de 1927, com a peça Verde e Amarelo, de Patrocínio Filho, representada pela companhia Tan-Tan. Informa-se, também, que, dia antes, exibiu-se, ali, o filme "Que farias com um milhão", estrelado por Mary Carr. Mas o cinema falado só viria em 1929 (10 de novembro), mediante contrato de arrendamento com a Empresa Santos.

Hoje o Carlos Gomes é apenas teatro. O melhor da ilha. Pertence ao Governo do Estado, que o comprou em 1934 (embora persistisse o arrendamentos só encerrado na década de 1960).

O governo Dias Lopes reformou-o e o entregou à Fundação Cultural do Espírito Santo, então criada, sendo sua reinauguração em dezembro de 1970. Dai em diante tem acolhido grandes eventos de Vitória.

Ano passado, sob a direção de Maurício Silva, sofreu sua única restauração desde os últimos 17 anos. É imóvel tombado como patrimônio histórico pelo Conselho Estadual de Cultura.

Abriga pouco mais de 500 pessoas, mas seus frequentadores não se cansam de admirar essa verdadeira joia incrustada na cidade-ilha; com seu estilo eclético, formidável lustre de época, e forro pintado ao gosto italiano (repintado, em 1970, por Homero Massena).

A Tribuna - Vitória (ES) 19 de julho de 1987.

 

Fonte: Notícias do Espírito Santo, Livraria Editora Catedra, Rio de Janeiro - 1989
Autor: Gabriel Bittencourt
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2021

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