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O Vasco do Espírito Santo - Por Francisco Aurélio Ribeiro

Vasco Fernandes Coutinho - A chegada

Nada melhor do que um bom professor para nos ensinar o que não sabemos ou para reaprendermos o que nos tinham ensinado de outra forma. Foi o que aconteceu com todos os que participaram do Café Literário promovido pelo Sesc, em Vila Velha, semana passada. Os dois palestrantes, Bernadette Lyra e Estilaque Ferreira deram um show de conhecimento, de simpatia e de interação com a platéia que lotou o auditório da Academia de Letras Humberto de Campos, na Prainha. Até uma turma de alunos de Conceição da Barra se deslocou lá do Norte do Espírito Santo para prestigiar sua ilustre conterrânea. E não foi em vão. Bernadette mostrou um novo olhar a história do Espírito Santo, falando do seu romance "A Capitoa", em que ficcionaliza a vinda de três mulheres para o Estado, no início da colonização portuguesa. Como diz a Jeanne Bilich, "ambrosia" para o leitor capixaba sedento de boas histórias sobre o nosso passado, agora recontado pelo olhar feminino, detalhista e sagaz de uma grande contadora de histórias.

 Por outro lado, o historiador e professor Estilaque nos brindou com um Vasco Cominho completamente diferente de todos os outros de que tínhamos conhecimento, através de historiadores do passado como Gabriel de Souza e frei Vicente do Salvador, que nos falavam de um donatário fracassado e desiludido com o seu "Vilão Farto” recebido de prêmio do rei D. João III, por sua dedicação nas guerras de conquista portuguesas. Estilaque mostrou que Vasco era um místico, seguidor das idéias filosóficas de Joaquim de Fioré (1132-1202), defensor em seus escritos, do advento da era do Espírito Santo, sucessora da idade do Pai (o passado) e do Filho (o presente). Para de Piore, no tempo do Espírito Santo, o amor universal e igualdade entre todos os cristãos seriam alcançados. O Império do Espírito Santo seria a apoteose da História em que a inteligência espiritual pela compreensão dos divinos mistérios substituiria a existência da igreja. Herético e perigoso, no entanto, pensamento de Fiore encontrou ressonância entre os franciscanos, surgidos logo após, e que foram os principais divulgadores do “joaquimismo”, ao final da Idade Média. Não por acaso, o primeiro convento dos franciscanos em Portugal foi fundado em Alenquer,  terra de Vasco Fernandes Coutinho, e onde a rainha Santa Isabel, no início do século XIV realizou a, primeira festa do Divino Espírito Santo, espalhada pelos portugueses por suas terras d’além mar.

Portanto, Vasco Cominho chegou aqui, premeditadamente, no dia da festa de Pentecostes, para tomar posse sua capitania, a que nomeou do Espírito Santo. Também não por acaso foi para o Espírito Santo que se dirigiu frei Pedro Palácios, em 1558, lugar antevisto em sonho, com seu quadro de Nossa Senhora das Alegrias, para construir, aqui, a capelinha de S. Francisco e uma ermida a Nossa Senhora, mais tarde transformada no magnífico Convento da Penha. Também foi intencional a vinda dos franciscanos, no tempo da Capitoa Luisa - Grinalda, que lhes doou, em 1591, o morro onde está o maior símbolo da religiosidade do povo capixaba. O Espírito Santo, representado, simbolicamente, pela pomba branca, tem suas festas espalhadas por todo o Brasil e, por aqui, ocorre em Viana, fundada por açorianos, e na festa das canoas, em Marataízes. O culto ao Espírito Santo identifica-se, também, com o elemento feminino, na trindade cristã, daí ser a festa de Nossa Senhora da Penha, no Espírito Santo, a primeira grande manifestação mariana em terras brasileiras.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 26 de maio de 2014
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro

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