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Olarias e enchentes à beira-rio - São Mateus

Produtores de tijolos durante momento de descanso, 2007

O trabalho de fabricar tijolos acompanha o homem praticamente desde o início de sua história. É uma atividade normalmente desenvolvida à beira dos rios. No caso do rio São Mateus, não é diferente. Ao longo de suas margens se encontram muitos oleiros, que sobrevivem e sustentam suas famílias com esse trabalho que às vezes enfrenta a força da natureza por conta das enchentes.

José Carlos Alves, 36 anos, morador do bairro Litorâneo, Izaias dos Santos, 40, do bairro Santa Tereza, ambos de São Mateus, e o baiano Santos Francisco, 45, da cidade de Valência, vivem da fabricação de tijolos num trecho do rio, próximo à Conceição da Barra.

José Carlos começou a trabalhar fazendo tijolo de argila há 20 anos, quando iniciou a profissão no leito do rio. “Comecei a trabalhar aqui quando meus dois filhos nasceram e consegui dar estudo a eles, mas hoje a situação não é a mesma: a argila praticamente acabou. O que fazemos dá pouco para comer”, conta.

A fábrica artesanal de tijolos onde José Carlos iniciou a vida profissional, aos 16 anos, é dividida com Izaias, que da mesma forma tira da atividade o sustento da família e a educação para os três filhos, que moram com ele no bairro Santa Tereza.

“Meus filhos querem estudar para não enfrentar as mesmas dificuldades que eu”, explica.

“Caçula” dos três na profissão, Santos Francisco descobriu o local por outro motivo: veio da Bahia, onde deixou mulher e sete filhos, há três anos, em busca de emprego.

Analfabeto, não conseguiu chance de trabalhar em uma firma. “Acabei ficando por aqui mesmo, mas o grande problema é que a argila do rio está acabando e não temos matéria-prima para trabalhar”, reclama.

José Carlos lembra que outro problema que enfrentou foi as enchentes do rio Cricaré, que aconteceram nos anos de 1979, 1993, e, a mais recente, com a intensa chuva que caiu no início deste ano, nos meses de janeiro e fevereiro, que provocou a interdição da BR-101 por três dias.

“Lembro que na época da enchente de 1979 não havia pista asfaltada e sequer bueiros, mas dessa vez existiam nove bueiros. Entretanto, com o transbordamento do rio, a água passou por cima da pista e alagou tudo. Acabei tendo um prejuízo de R$ 5 mil porque a produção foi totalmente destruída”, recorda.

“Vendemos o milheiro a R$ 180 e o que faturamos é dividido por nós três. Com o prejuízo da enchente, até agora estamos trabalhando para recuperar”, diz José Carlos.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio São Mateus – 15/07/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaborador de texto: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheir
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Autor: Gleberson Nascimento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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