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Os Acqua Loucos e a inauguração do Clube Cauê

vista do bairro Praia de Santa Helena: à esquerda, a Av. Desembargador Santos Neves; ao centro, o espaço que se tornou a Praça do Cauê, com o Clube Cauê em destaque - Foto de Antônio Carlos

Na Praia de Santa Helena, ao lado da atual Praça Cristóvão Jacques, que tanta controvérsia vem causando, sobre o Morro Itapebuçu, localizavam-se as instalações da Western Telegraph Company. Era a proprietária do antigo cabo submarino que ligava Vitória ao mundo.

Companhia de origem inglesa, fazia transmissões de telegramas para todo o planeta com uma rapidez incrível, desbancando de muito nosso Correio Nacional. Frente ao surgimento de outras tecnologias, a empresa desativou suas instalações.

E disponibilizou a área para um loteamento, que serviu para a construção de residências para a alta classe média da Capital. O espaço em questão ficava na parte mais alta do Morro Itapebuçu, de frente para o mar. A mais baixa, no nível da rua, foi comprada pela Companhia Vale do Rio Doce.

E esta empresa lá edificou o Clube Cauê, para servir exclusivamente aos seus diretores e engenheiros, mas permitindo convidados ilustres ficarem hospedados em apartamentos preparados para tal finalidade. Isto ocorreu nos idos de 1958.

A inauguração contou com a presença de figuras importantes dos cenários social e artístico do Brasil. Esteve presente, por exemplo, o maior colunista de então, o jornalista Jacinto de Thormes. E o famoso cantor Wilson Simonal, dando um verdadeiro show no baile inaugural.

O Cauê inovou, à época, com piscina de água salgada, a primeira a ser construída no nosso Estado. Usando-se bombas atreladas a tubos que iam até o mar, em frente ao clube, era enchida e esvaziada quase diariamente, dependendo do nível de impurezas em função do uso dos banhistas.

Dentro das festividades de abertura do clube, trouxeram os famosos Acqua Loucos, rapazes da sociedade carioca habilidosos em natação e saltos mortais. Eles apresentavam-se travestidos de palhaços, fantasiados de banhistas do século XIX, com caras pintadas, perucas etc.

Realmente, um negócio notável. Neste dia, o público presente era imenso, todos rodeando a borda da piscina para assistir mais de perto. Eis que, no meio do espetáculo, aparece um cidadão de terno, totalmente embriagado, tentando interromper o número.

Um espectador, Jony Bitran, figura conhecidíssima de todos, resolve intervir, segurando o bêbado incomodativo, para retirá-lo do local, usando de força física para tanto. O pseudo bêbado, com voz baixa, avisa ao Jony ser um ator dos Acqua Loucos.

A cena em questão finalizava o espetáculo. Nada feito. Jony insistia em botar o bêbado para fora. Após minutos de tensão, os outros integrantes do grupo intervieram, com a demonstração de ser verdadeira a participação daquela figura. E, segurando Jony pelos braços e pernas, o jogaram na piscina juntamente com todos os outros atores. Jony, envergonhado, saiu da piscina e foi célere para sua casa, próxima do clube.

 

 

Fonte: No tempo do Hidrolitrol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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