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Os Bairros de Vitória - Por Adelpho Monjardim (1949)

Praça 8 e a Alfândega, 1950

Vitória, praticamente, divide-se em dezessete zonas ou bairros, excetuando-se o centro.

Este ocupa, com rigor, posição eqüidistante da Praia Comprida e Santo Antônio, seus bairros extremos. Situa-se entre a Capixaba, a leste, e o Moscoso a oeste. Divide-se em cidade baixa e cidade alta. Na cidade baixa situa-se a praça Oito de Setembro, centro geográfico, econômico e político da capital e ponto de reunião onde se debatem e discutem todos os assuntos. Em artística torre de 18 metros de altura, o relógio público anuncia as horas aos acordes do hino espírito-santense. Dos edifícios importantes que a circundam, notam-se os da Alfândega e do Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo S/A. A face para o mar defronta-se com o Cais do Porto, seus guindastes e os grandes navios atracados.

É ainda no centro que se encontram os principais estabelecimentos de crédito, cinemas, jornais, Câmara Municipal, a Prefeitura e o alto comércio. O Palácio do Governo, a Escola Normal Pedro II, o Congresso, o Fórum, a Catedral e a Biblioteca Pública, situam-se na cidade alta.

O bairro do Moscoso recebeu a denominação do magnífico parque, um dos mais belos do país. É o bairro aristocrático da capital.

O Forte de São João, intermediário entre a Capixaba e Jucutuquara é um bairro pequeno. Por largo tempo foi quase que exclusivamente operário, porém, vem tomando apreciável incremento e já apresenta excelentes construções de moradia e comerciais.

Vila Rubim, antiga Cidade de Palha, era o reduto da pobreza e os casebres enxameavam pelos morros. Hoje é centro de forte e ativo comércio, graças à situação de passagem obrigatória para o continente e vice-versa, pois sobre seus terrenos desemboca a ponte Florentino Avidos. Ao governador Francisco Alberto Rubim, que dirigiu a capitania do Espírito Santo, de 1812 a 1819, deve o seu nome.

A ilha de Santa Maria, fronteira a Jucutuquara, não constitui, propriamente, um bairro. É um aglomerado de casebres, sem ordem, sem alinhamento, sobre o aterro que a liga a Jucutuquara. É, também, o pesadelo da Prefeitura, incapaz para conter a onda dessas construções que brotam como cogumelos. Pelo plano de urbanização será um dos mais belos arrabaldes de Vitória.

Não se sabe por fatalidade geográfica, tem a ilha do príncipe a mesma sina da de Santa Maria. A pobreza apossou-se das terras e mangais para erguer bizarra e pitoresca cidade de querosene e sapê. Como a de Santa Maria, brilhante futuro está reservado. Será o bairro da opulência, onde se erguerão as vivendas dos eleitos da fortuna.

Sobre a ilha do Príncipe repousam as cabeceiras da ponte Florentino Avidos, seções do continente e de Vitória. Sobre seus terrenos passam os trilhos da estrada de Ferro Vitória a Minas, dirigindo-se para o Cais do Porto.

Dentre os mais antigos bairros figura o de Maruípe. O seu desenvolvimento processa-se lentamente, não obstante abrigar o seu esplêndido quartel que o governo do Estado construiu para a Polícia Militar e que é ocupado pelo Grupo de Artilharia Móvel de Costa. As causas são apontadas pela carência de meios de transporte rápido e barato e que seriam sanadas com o prolongamento dos trilhos da Companhia Central Brasileira de Força Elétrica, que hora terminam em Jucutuquara. Entretanto desenvolveu-se, subdividindo-se em outros conhecidos por Muxinga, Mulembá e Gurigica, todos prósperos, bem povoados com predominância das classes menos abastadas.

Maruípe é notável pela excelência do clima e condições de salubridade. Em suas montanhas se acha edificado o Sanatório Getúlio Vargas.

Entre o Santo Antônio e a Vila Rubim, apertado pelos mangues contra a montanha, alastra-se o casario de Caratoíra, em sua totalidade constituído de modestas casas.

O Constantino é uma pequena seção entre Gurigica e Suá. Vem experimentando vigoroso surto de progresso com novas construções e a esplêndida vila edificada pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários.

No extremo oeste da cidade e ponto terminal da linha de bondes, o Santo Antônio se derrama, pletórico, pelas baixadas adjacentes, tabuleiros e montanhas. É dos mais prósperos e populosos bairros, calculando-se a sua população superior a 7.000 almas. Entre outras coisas dignas de nota, obriga o Cemitério Municipal, o amplo e moderno edifício da Obra Social São José, sob a direção dos padres pavonianos, e o Aeroporto.

Para a zona leste, apesar dos seus cabelos brancos, o Suá tem progredido pouco. Explica-se o fenômeno pelo aparecimento do bairro da Praia Comprida.

Em outras épocas, ponto terminal dos carris de tração animal, o Suá foi muito procurado pelos banhistas, que em suas praias buscavam lenitivo para os rigores da canícula. Hoje a sua rival, com melhores praias e admirável traçado urbanístico, de autoria de um dos mestres do urbanismo nacional, Dr. Saturnino de Brito, monopolizou as preferências da população.

Menos importante, em comércio e população, que Jucutuquara e Santo Antônio, é, entretanto, Praia Comprida o bairro líder, refúgio das classes abastadas. É um bairro de ruas amplas, bem traçadas e largura nunca inferior a vinte metros. Dentre as avenidas merece destaque a de Nossa Senhora da Penha, com três e meio quilômetros de extensão por trinta de largura e calçada a paralelepípedos. Nela se acha instalada, um suntuoso edifício, a Obra Social Santa Luzia.

Magnífica praia borda o recôncavo banhado por um mar eternamente calmo, verdadeiro lago com duas enormes ilhas, dos Frades e do Boi, a conter as arremetidas do largo oceano.

A praia é o ponto terminal da linha de bondes para a zona leste e também da de ônibus.

Além dos belos edifícios residenciais merecem registro o da Western Telegraph, do Hospital Infantil e da igreja de Santa Rita de Cássia.

A Bomba, debruçada sobre o canal da Passagem, limite norte da ilha, é bairro em formação. Por estar próximo ao de Praia Comprida será, por contingência, beneficiado com a sua expansão rápida e crescente.

 

Fonte: Vitória Física, (Geografia, História e Geologia), 1995
Autor: Adelpho Monjardim - Prêmio Cidade de Vitória, 1949
1ª Edição: Revista Canaan Editora, 1950
2ª Edição: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Vitória, 1995
Prefeito Municipal de Vitória: Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo: Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura: Luiz Cláudio Gobbi
Editor Executivo: Adilson Vilaça
Produtora Executiva: Silvia Helena Selvática
Projeto Gráfico: Ivan Alves
Editoração Eletrônica: Edson Maltez Heringer
Foto e Capa: Léo Bicalho
Revisão: Reinaldo Santos Neves
Chefe da Biblioteca Municipal Aldelpho Poli Monjardim: Ligia Maria Melo Nagato
Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha e Cybelle Maria Moreira Pinheiro
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro, 2014

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