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Os Cooperadores de Florentino Avidos

Carlos Xavier Paes Barreto

Do secretariado de Florentino Ávidos, homens equilibrados e probos, faziam parte os doutores Antônio Lopes Ribeiro e Carlos Xavier Barreto, secretários do Interior e Justiça e da Presidência, Mirabeau da Rocha Pimentel, secretário de Educação, posto que ocupou no governo anterior, manteve com dignidade o espírito de disciplina do magistério e engrandeceu a instrução do Estado. As 392 escolas públicas, com a freqüência média de 13.900 alunos, do ano de 1924, foram elevadas gradativamente a ponto de, no fim do quatriênio, atingir a freqüência de 21.500 alunos, em 593 unidades escolares. Todas providas do material necessário às exigências pedagógicas da época. Deve-se ter em mente que a população do Estado somava apenas 550.000 habitantes.

Alziro Viana, na Secretaria da Fazenda, desempenhou a contento sua tarefa. A receita do quatriênio foi de Cr$ 134.032.123 em moeda de hoje. As obras públicas absorveram Cr$ 62.945.000 e o funcionalismo Cr$ 51.763.000 ou sejam trinta e oito por cento. Belos tempos aqueles em que a receita não era absorvida só com falhas de pessoal.

Moacir Ávidos, cuja atuação já foi analisada, ocupou a pasta da Agricultura, Viação e Obras. A Prefeitura da Capital esteve sob a regência de Otávio Peixoto, que explorou com perspicácia o parentesco com o Presidente, em benefício da cidade. Marcou a cobrança mensal dos impostos, medida que foi adotada pelas demais prefeituras, com benefício para os contribuintes. Deu novo edifício à Prefeitura, (4) decorando-a com móveis de estilo e iniciou a pequena pinacoteca, que guarnece os muros dos salões principais. Trouxe a cidade limpa e os jardins cuidados. A pavimentação encontrou em Otavio Peixoto seu primeiro grande entusiasta.

Construiu as primeiras estradas municipais, abrindo ao público as praias de Maruípe, Camburi, Carapebus e Jacareípe. Ligações, embora precárias, foram feitas com Fonte Limpa, Jacui, Pitanga e Laranjeiras. Quando em 30 de junho de 1928, data fixada na Constituição do Estado, (5) para término do período governamental, Thiers Veloso, jornalista independente, advogado de grandes recursos jurídicos, escreveu na "Vida Capixaba": "Um período quadrienal de governo não abre espaço senão a um número limitado de iniciativas felizes, ainda àqueles que puderam dar provas tão evidentes de sua laboriosidade, como o do Dr. Fiorentino Ávidos. Este, pode rever-se na sua obra e recolher-se à tranqüilidade de sua consciência, certo de que executou um programa exaustivo e fecundo.”

"Na ordem intelectual, o seu governo, que hoje finda, desenvolveu uma atividade pouco vulgar no capítulo da disseminação do ensino primário. Na ordem material, o seu esforço foi hercúleo e inexcedível."

"Deu de si mais do que se poderia esperar, em cometimentos de natureza econômica, insuperavelmente reprodutiva. Foi uma indefectível epopéia de trabalho ininterrupto, inteligente, honesto e remunerador. Foi uma oficina incandescente, em que, dia e noite, se forjaram alguns elos indestrutíveis da cadeia interminável de nossa evolução."

 

NOTAS

 

(4) Com projeto elaborado pelo arquiteto J. Pitilick, foi adjudicado à firma Politi, Derenzi & Cia., por concorrência pública, pela quantia de Cr$ 264.661,00 em moeda de hoje.

(5) A Constituição do Estado foi reformada, prorrogando o período governamental para 30 de junho.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2016

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