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Paisagens de Passagens - Por Rubens Câmara Gomes

Praia de Camburi - Acervo Adelpho Poli Monjardim

Muitas paisagens da minha infância não existem mais ou foram alteradas por aterros ou por ignorância mesmo. Nada contra mudanças, não tivesse sido eu um dos arautos de mensagens do tipo “o mutante é mais feliz”, nos idos dos 60/70. Mas algumas coisas eu preferia como eram das primeiras vezes em que as vi. O Parque Moscoso é uma delas. Das últimas vezes em que entrei, teria sido melhor que tivesse ido a outras paragens, pois aqueles bichos enjaulados, lagos vazios e encardidos, a atmosfera brega, nada tinha de familiar, embora a Cocha Acústica estivesse no mesmo local. Faltavam algumas pastilhas naqueles desenhos que formavam peixes... Faltava também um pouco da minha inocência que tantas vezes tinha brincado por ali...

A praia de Camburi sem nenhuma construção também era muito melhor, embora eu tivesse freqüentado pouco quanto ela ainda era virgem. Lembro que o acesso era pela ponte da Passagem, no caminho para o aeroporto, uma estrada de barro à direita que seguia depois até o canto da praia, onde um riacho de águas claras desaguava. A Praia do Canto tinha mais encanto com o trampolim em frente à praia do Barracão, o morro da Western, o Iate Clube original – onde Carmélia  promovia o Galeto Dançante – também era muito melhor do que o atual, pelo menos para os meus olhos. Ainda bem que o assunto é paisagens porque em matéria de praia minhas preferidas sempre estiveram no continente. E a Prefeitura de Vitória haverá de me perdoar a preferência pela Praia da Costa, Manguinhos, e, atualmente, Barra do Jucu...

Mas a Baía de Vitória é um caso de amor à parte, em todos os contornos da ilha. Sim, porque em diferentes épocas aventurei-me por toda Vitória, do visual da Fonte Grande ao manguezais de São Pedro antes da grande invasão, quando era apenas a ilha das Caieiras, pescadores, botecos, e estórias do povo, já que imaginação nunca faltou por aqui. Cada visita sempre foi uma aventura prazerosa. Santo Antônio, do time de futebol e do cais do hidroavião, eu também preferia no tempo em que vi com esses mesmos olhos míopes, mas outros olhares.  A visão do Penedo, com a lua nascendo por trás da rocha, depois de ter saído do mar de Vila Velha, também faz parte das minhas paisagens prediletas. Quando morei no Edifício Navemar nos anos 70, tive o prazer de desfrutar de um luar na baía em companhia ilustre, que foi o ator Walmor Chagas, igualmente deliciado com a visão do espetáculo Lua-Penedo-Baía de Vitória.

Das paisagens que surgiram com o progresso, gosto muito do visual que temos do alto da Terceira Ponte. Lembro-me de que em companhia de Afonso Abreu fui algumas vezes curtir o visual da baía observando a partir do Morro do Moreno, em Vila Velha, o que era parecido. Soube que instalaram lunetas no convento, mas ainda não fui ver. Espero não ter me tornado um rabugento, daqueles que não se conformam com as novidades.

Não, apesar de um tanto quando saudosista, eu ainda busco o novo e o belo em todos os lugares. Por isto, certamente, nunca vou me cansar de olhar as paisagens de Vitória. Mesmo que de vez em quando acorde nostálgico, com saudades do Parque Moscoso da minha infância, ou da Praça Costa Pereira de minha adolescência...

 

Fonte: Escritos de Vitória, 1995, Paisagem
Autor: Rubens Manoel Câmara Gomes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, Janeiro de 2014

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