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Parque Estadual de Itaúnas

Parque Estadual Itaúnas - Fonte: Assessoria de Comunicação IEMA

De um lado, as belas e históricas dunas de areia, à beira mar. Do outro, uma região alagada que abriga uma diversidade de plantas e animais. Tudo isso às margens do rio Itaúnas e cercado por vegetação de Mata Atlântica.

Esse é o Parque Estadual de Itaúnas, um “quintal” exuberante para moradores e visitantes da vila de Itaúnas.

“O parque é o quintal da vila. Falamos para que as pessoas cuidem dele como cuidam do seu quintal. Toda área de lazer da vila se concentra nele”, explicou o gerente da unidade de conservação ambiental, o biólogo André Luiz Campos Tebaldi.

Fundado em 8 de novembro de 1991, o parque abrange uma área de 3,5 mil hectares, cobrindo 25 quilômetros de litoral, desde a foz do rio até a divisa do Estado com a Bahia, no Riacho Doce. Ao todo, são 38 quilômetros de áreas monitoradas.

O gerente explicou que as primeiras ações de preservação começaram na década de 80, quando ambientalistas passaram a monitorar a reprodução de tartarugas marinhas.

Nessa mesma época, empresários conseguiram mudar a foz do rio Itaúnas, para a construção de um hotel, o que levou a uma grande degradação.

“Ambientalistas identificaram na região área de extrema beleza cênica, com potencial ecológico fundamental. Em 1991, o governo decretou a área como de utilidade pública para a criação do parque e deu-se início à proteção”, disse.

A partir da criação da unidade de conservação, foram identificadas diversas espécies de plantas e animais ameaçados de extinção. A vegetação de restinga e o manguezal predominam às margens do rio, e há uma busca pela recuperação de pontos que foram degradados pela monocultura e pela mudança na foz do rio.

Além disso, o sítio histórico e arqueológico da região, que foi habitada por índios e teve uma vila soterrada pela areia, também fazem parte do parque.

André destacou que, para aumentar a preservação, o parque teve seu Plano de Manejo aprovado recentemente, que aponta prioridades a serem trabalhadas.

Também firmou parceria com o campus da Universidade Federal do Espírito Santo em São Mateus, a Ceunes, para que estudantes, principalmente de Biologia, possam pesquisar a flora e a fauna.

Atualmente, segundo ele, umas das dificuldades é a questão da regularização fundiária, já que não é permitido moradias dentro do parque, mas cerca de 45 residências continuam instaladas em sua área.

“Nessas áreas, por lei, é prevista indenização das pessoas e possível relocação das famílias tradicionais. Também lidamos com o problema da especulação imobiliária, principalmente na região do Riacho Doce”, explicou o biólogo.

Mais de 65 mil visitantes no verão

O Parque Estadual de Itaúnas recebeu mais de 65 mil visitantes no último verão. O local já se transformou em referência nacional de turismo ecológico e recebe turistas de todo o Brasil e de outras partes do mundo.

Uma pesquisa, realizada há cerca de um ano, mostrou que esse turismo no entorno do parque movimenta R$ 116 milhões, considerando os gastos dos visitantes desde que eles saem de casa, de qualquer parte do mundo, com destino ao balneário.

O gerente do parque, André Luiz Campos Tebaldi, observou que são formados monitores ambientais, entre moradores da comunidade de Itaúnas, para receber e orientar esses turistas.

As épocas de maior demanda são o Revéillon, o Carnaval e a Semana Santa, mas durante todo ano circula gente por lá, desde grupos de jovens a famílias inteiras, em busca da praia de águas mornas, da contemplação das belezas naturais e das aventuras que o turismo ecológico proporciona.

Na sede do parque, que fica aberta todos os dias das 9h às 17 horas, visitantes podem conhecer as histórias da vila soterrada e assistir a vídeos educativos, além de palestras e oficinas de artesanato local, que são oferecidas na alta temporada.

Para organizar o turismo de aventura, o parque pretende estudar a capacidade e sinalizar as trilhas disponíveis, para que o ecossistema não sofra interferência externa. Em algumas trilhas, parte do caminho é feito de canoa, subindo o rio Itaúnas.

“Os passeios não são oficializados, mas alguns grupos o fazem. Nós orientamos para que haja condução adequada sem interferência no meio ambiente. A tendência é de que, a médio e longo prazo, a visitação pública seja regulamentada”, acredita.

Rio busca sua foz natural

A natureza segue seu curso e se recupera, lutando contra a intervenção humana. Prova disso são as mudanças que o rio Itaúnas vêm sofrendo ao longo dos anos.

Desviado de seu curso natural pela mão do homem, o rio luta para reencontrar sua foz. O biólogo André Luiz Campos Tebaldi, gerente do Parque Estadual de Itaúnas, observou que a abertura forçada pelo poder econômico de uma foz artificial, na região de Guaxandiba – três quilômetros acima da foz original – levou a uma grande degradação da área, com assoreamento e até mesmo influência na região alagada, cada vez mais vazia.

Chegando à foz artificial, aberta na década de 80, é possível ver a destruição causada pela força da água. A região que era coberta por uma farta vegetação de restinga, se transformou em pura areia.

Mas a boca o rio tem rejeitado a foz, que já tem um enorme banco de areia, e está achando caminhos para, em meio à mata, reencontrar o antigo traçado.

O biólogo aponta que a tendência é a formação de manguezal na Guaxandiba. Já existe vegetação de manguezal se formando e regenerando da área do encontro entra a água do rio e a do mar.

“Quando foi constatada a degradação pelas mudanças feitas naquela época, descobriu-se que era melhor não haver mais intervenção, pois a natureza cuidaria da recuperação”, explicou o biólogo.

André destacou a importância de proteger esse ecossistema, que é formado de áreas de interesse mundial para conservação.

“O Estado só tem três ou quatro, que estão dentro de áreas protegidas. O parque é uma delas. Como ficam na foz dos rios, são alvo da degradação dos recursos hídricos”, ressaltou.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Itaúnas - 29/07/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaboradora de texto e fotografia: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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