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Personalidades de Vitória – Por Magda Regina Lugon Arantes

Praça Costa Pereira - Bico de pena por Wagner Veiga

Políticas? Religiosas? Familiares? Beneméritas? Governamentais? Artísticas? Filosóficas? Científicas? Jurídicas? Amigas? A mente fervilha. Ela, situação dessa, sentar-se-ia no banco da praça olhando para dentro. Foi assim quando soube do suicídio do presidente Vargas, da Revolução de 1964, do impeachment do Collor, do lançamento do Plano Real, do valor do salário mínimo, e da estatística apontando que setenta por cento da população brasileira é baixa-renda. Enfim... sempre soube ouvir o silêncio da cidade.

Paulo Hartung tornou a sentar-se no mesmo banco. E também não se soube o que falaram. Apenas a cidade foi ficando cada dia mais bonita, mais amada, e o povo mais bem cuidado. Que teria dito a Jorge Alencar sobre a cultura local para dotá-lo mais ainda de eficiência?

Aurich, velho conhecido, assim que se viu às voltas com a responsabilidade de organizar o trânsito, transpondo-se em linguagem, foi correndo sentar-se no mesmo banco ao seu lado. O que teriam confabulado ninguém sabe. Mas o planejamento está saindo! Ana Maria Marreco, perfume francês afrodisíaco, lembrando jasmins-estrelas, demorou-se mais do que os outros transeuntes. Levantou o olhar mirando o topo das árvores e absorveu relances precisos de planos para a melhoria da educação de nossas escolas municipais.

Renato Pacheco quis contar a sua história? Sentou-se ao seu lado, não "transpirou" nada da conversa. Mas seus olhos azuis brilharam e sua literatura ficou mais completa e vivificante. Aylton Bermudes sentou-se, declamou-lhe sonetos em francês, mostrou-lhe os apontamentos do "La Question du Participe", levantou-se radiante e o "Capítulo" se manifesta. José Moysés, em bom humor inigualável, sentou-se bem na ponta do banco, e mostrava as órbitas com pupilas dilatadas de otimismo e sonhos mais. O que teriam proseado? Sei que Reinaldo Santos Neves rodopiou a cidade de fio a pavio em seu afã de buscar Suely e quantas vezes sentou e chorou ali mesmo, naquele banco.

Frederico Teixeira, engraçado, nem no jornal da AEI, imprimiu ou divulgou o que todo mundo quer saber: que "diabo de tititi" é esse, feito os bumerangues do Serpa que voltam sempre às mãos dos adestrados lançadores?

E o Maurício de Oliveira? Se assobiou aos seus ouvidos a "Canção da Paz", também fez "boca de siri". Cariê foi tema consagrado naquela tardinha em fundo musical atrás do banco. Ernesto Santos Silva Filho, e Célia Otoni, executando Chopin, sentaram-se ali para os últimos movimentos. Natércia Lopes foi se chegando e cantando o Hino Nacional em latim. Levantou-se em sustenido maior. Gracinha Neves reuniu as Acadêmicas, a Orquestra de Câmara, Modesto Flávio, a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo e os Maestros Helder Trefzger, Luiz Wanderley Rocha, levando-os para a praça. E ali se deu o espetáculo. Chegaram Cláudio Modesto, com o Coral da UFES e o Opus Livre, enquanto Adolfo Alves regia o Coral do Círculo Veneto, da CST e da Sociedade Filarmônica de Vitória, para encanto geral. Nada foi pautado da conversa. Mas, eufóricos, voaram nas asas da lira em partituras internacionais. E a Banda da Polícia Militar dobrou-se ao encanto do momento e desfez-se em dobrados.

O H2O tomou posição frente ao banco e Lulu do Pandeiro deitou choro acompanhando de perto o bandolim do Alfredo Chevrolet e o cavaquinho do Luiz Carlos e os violões do Luiz Carlos e do Djalma, enquanto Rogério soltava a voz. Desde então até na Arena da Praia tocaram em exuberância jamais alcançada. Mas nada disseram. Afonso Abreu e seu grupo ofertaram-lhe um CD NOTA JAZZ, animaram a tarde e já preparam outro disco. Que teria ocorrido? Não poderia ter faltado o saxofone do José Cacciari no célebre "Fascination".

Maria Alice Lindenberg, cachecol no pescoço e tom executivo, falou e disse: mas A Gazeta não publicou o colóquio na coluna do Hélio Dórea e nem via Márzia Figueira (a poeta da crônica). A Rede Gazeta absteve-se de noticiar o encontro no programa do Edu Henning e da Cristina Dockhorn (dupla dez), nem Alcione Lobato ou Abdo Chequer com seu invencível charme. Também Mayra Vivacqua e Evandro nada registraram no "Em Evidência", na TV Capixaba. Mariazinha Lucas anda a conferir por conta de também saciar-se de tanta plenitude, ali, na praça, com Luiz Paulo.

A TELEST, com Ruy Dias, resolveu implantar, ali mesmo perto do banco, um vai-e-vem e até lançar a expansão da telefonia rural para que o que ali se falasse pudesse ser conhecido ou decifrado como o enigma da esfinge. Mas qual! Só mesmo a Mobilworks agora pode significar expectativas e esperanças.

Idelze Pinto inspirou-se ali para as pródigas aulas "nem tanto feministas e nem tanto machistas", no Darwin. Teca que o diga! E onde vocês pensam que Juarez cria as receitas dos manjares dos deuses com as quais ele motiva suas aulas de Química Orgânica, praticando-as depois no Oriundi?

Luzia Toledo incentivou-a à liderança de seu bairro, motivando-a para a política comunitária. Perly Cipriano falou-lhe sobre a retomada da cidadania e dos planos do Centro de Referência dos Direitos Humanos. Saíram balançando a cabeça afirmativamente. E nada foi revelado. Max Filho falou, para júbilo de todos, mas do que foi ouvido na praça, nem uma palavra. Seu discurso ficou mais forte, contudo. Ivone Vilas Novas, chuva miúda, sentou-se ali, falou sem parar sobre o Congresso Internacional de Mulheres em Beijing, na China, e da importância do seu engajamento na luta pelos grupos socialmente discriminados, tais a mulher, abraçou-a e nem com o Frederico Pimentel confidenciou o "papo".

Rosita Schorling desceu de pára-quedas em plena praça, sentou naquele banco, subiu no mesmo pára-quedas (?) e até hoje ninguém em Campinho, nem Oneida Viola, nem Sônia Frizzera sabe o que disseram. Mas Rosita retomou-se como pioneira na arte do pára-quedismo. Rodrigo Marcheschi ofereceu-lhe carona e o Vintena quis sobrevoá-la naturalmente ao seu lado no helicóptero, mas ninguém sabe o que ouviram ou disseram. Peito de remador de Oswaldo Viola estufou-se ante o inusitado da palavra. E quem o conseguiu fazer falar?

Nahor, Tony, Paulette, Céia, Regina, criaram penteados a partir das ondas de seus cabelos, mas nada revelaram sobre o que os teria empolgado tanto.

A Lícia Siqueira, a Marta Paiva, a Márcia Soriano, Regina Pagani, a Cláudia Moulin, desfilam na periferia do banco seus modelos outono/inverno, em manequins estonteantes. E novos rumos são traçados na moda, engalanada com as jóias de Paulo. Nem pensar em esquecer do Jorginho Santos! E homenagear Tao Mendes, em preces.

Muitos a retrataram, tais Attílio Colnago, Cézar Viola e Ângela Gomes em naif inigualável, enquanto Shirley Benini simbolizou-a em aquarela de flores e Adelaide Brunow estruturou-a em painel soberbo. Mas... o que falaram e o que deflagrou tanta criatividade, ninguém sabe. Nem o Odilon da Consultime, apesar de também ali haver-se consultado.

Ubirajara Moulin de Moraes, Abraão Garcia, Carlos Arantes e Ângelo Passos, ali mesmo, naquele banco, vislumbraram a Campanha contra a Cegueira junto com o CBO. E está nascendo o Banco de Olhos, graças ao que foi visto, sentido, e não declarado. Inscrições ali mesmo. A secretária de Saúde da Prefeitura, depois de diagnósticos e anamneses, sabe como fazê-la sadia.

Milson Henriques, não satisfeito em caricaturá-la, tirizá-la, em fundi-la, transforma-a em peça de teatro, e resolve fazer um plebiscito municipal para saber qual o sexo do papagaio da Marly. Com o Gobbi em cena. Marien Calixte declara-lhe amor dizendo que viver é vê-la. Jeanne Bilich diz-lhe que "o amor está no ar e Amylton é eterno entre nós". E por que permanecem tanto tempo sentados? Otinho não vem hoje? — ela teria perguntado ao Osmar Barbosa.

Jules White refletiu ao seu lado, muito fértil; e deu à luz (pariu mesmo!) o Centro de Medicina Reprodutiva com êxito evidente. Ali, naquele banco, entendeu o prazer de gerar filhos estendendo-o a todos. A Escola Brasileira de Psicanálise fincou bandeira na ilha com Renato Vieira e Sérgio Passos e haja Lacan! Mas nem Freud explicou o que houve ali e o que foi analisado.

O Pasquim do Abaurre, do além, mantém-na informada sobre as fofocas do alto. Delano Câmara, Marcos Alencar, Carlos Nejar e Paulo Bonates, Ester Abreu, Ormando Moraes, contam do cotidiano e do pitoresco. Celso Mathias registrou o seu encontro por metáforas e a Portfólio com fotos grandes, mas sem legendas. Vida Vitória disse, no máximo, "isto é que é vida!" E Você, da UFES, bem que tentou, pergunte ao Francisco Aurélio, mas também ficou no "nada consta" sobre a questão.

Severino Mathias de Souza, não se sabe o que ouviu ali, mas aí está a Itapoã que foi inspirada naquele banco. Jônice Tristão e Ilza, braços dados, sentaram-se para um "beijo-frio" ao lado dela e, muito falantes, já saíram traçando os planos da monumental empresa de café solúvel. Otacílio e Gersino Coser (com Marília ao lado), Apollo Rizk, Camilo Cola e os irmãos Chieppe, com certeza, estiveram ali tomando uma fresca, também o João Dalmácio e o Neffa, conversaram e o sucesso fez-se presente em seus empreendimentos de comércio de veículos, transportes, turismo e hotelaria.

O Bigode traçou ali os lindes do arroz de brócolis com mariscos, na exuberante paisagem da baía. E a Neiva Buaiz, ao dialogar em francês naquele banco, inaugurou o Maison Bleue com o que há de melhor e aconchegante. No Ingazeiras, o Tiãozinho em especial faz história na noite, sem falar em outros, tais Ferrinho, o Lanche do Tito, o Água Viva (do Porto do Sol), o Parada Obrigatória, a Lareira Portuguesa, as centenas de self service com aquelas comidinhas instantâneas aos apressadinhos. Só falta mesmo o Bregas que insiste em segurar a Barra. Todos teriam estado lá?

A indústria das paneleiras internacionalizou-se graças ao "papo" levado entre Tiana, Maria da Penha e ela, ali, naquele mesmo banco, onde se achegaram todos os artesãos da terra. E a presidente das Damas da Noite vai cumprindo direitinho o seu papel. A arte sexual também é cultura e reivindicam o apoio da Secretaria Municipal do Jorginho. E os candidatos a candidatos também. Estes, sem chances, claro.

O grupo de danças do Marcelo Ferreira, o balé de Lenyra Borges, de Renata Pacheco, de Carla Ferreira, de Ingrid e Sigrid, mostraram naquela praça que tudo o que se monodiaIoga naquele banco vira genialidade e dançaram ainda com mais expressão. Como a ioga da Maria Helena e da Áurea, separadas pela Terceira Ponte.

O Índio Tatu veio vê-la e faz projetos de medicina alternativa e retomada da língua e dos costumes da tribo, sem precedentes para o resgate do pensamento primitivo, onde a busca da estrutura do mito é mais autêntica e próxima, embora o encontro não seja possível no real. Os produtos poderão ser adquiridos na Banca do Celso em Jardim da Penha.

Orlando Bomfim e Humberto Capai Filho filmam-na e fotografam-na em ângulos de inexcedíveis belezas. Carla Falce e Sebastião Salgado foram do preto ao branco sem deixar escapar detalhes, expressando nos ângulos das curvas seus mais sutis movimentos. Mas só revelaram o que está revelado. Mais nada.

Seus poetas, em haikais, sonetos, versos livres e aprisionados, não podem deixar de cantá-la. A Lei Rubem Braga, também nascida naquele banco de praça, bem o demonstra. José Dalton improvisa sobre José Limeira, mas os bons da terra aí estão sofrendo estrofes.

Ficássemos ali mais tempo e veríamos ainda os Grandi Ribeiro que, de Cachoeiro, aqui fincaram raízes; Everly a comandar com galhardia o carro do sol do Tribunal de Justiça, ao lado de José Eduardo, enquanto Júlio César dedica-se ao trabalho da doutrina espírita, com Lamartine Palhano e outros mais. João Batista Herkenhoff demorou-se ali sentado, lamentando a ausência do busto de um poeta nessa praça, enquanto Cachoeiro de Itapemirim exibe com orgulho a efígie do seu poeta maior. E reclamava com o Taneco que, todo feliz, depois de algum tempo sentando-se ao lado dela, saiu cantarolando as marchinhas de antigos carnavais e vai até publicar o seu livro.

Maria Coroa, em Jucutuquara, reza e benze, e muitos são os tarôs e búzios que rolam pela urbe ressonando em hiâncias. Outros buscam a técnica de Ítalo Campos, de Guilherme Lara Leire, de Hugo, de Sérgio Passos, de Bonates, para administrarem melhor as suas neuras e não terminarem no delírio do Buzunga. Roberta Giovanotti, mais expansiva, bastou sentar-se na praça e já está com dois livros a serem lançados. Nada há dito ou escrito. Carlo Bússola passou, não parou, arrependeu-se, voltou. Sentou-se. A sua reza hoje é o Padre Nosso mais realizado. Ao som do plim plim plim do Sirineu, vendedor de "quebra-queixos". A UFES abriu-lhe as portas tão logo Weber resolveu dar uma paradinha próximo ao banco e acabou sentando-se também. O curso de pós-graduação em Direito Ambiental adotou-a de fato e, enamorados, Jayme Borgo e Bárbara Weinberg (por ora em Joinville) defendem a todo custo a sua virgindade, procurando impedir-lhe a nudez imposta com o arrasar do vestido verde que a encobriu sempre. Sentados, lado a lado, nada dizem do que foi sussurrado. Mas a obra está aí, plena de ser vista.

Arildo e Zezo, flanelinhas oficializados e legalizados pelos próprios fregueses, também estiveram por ali, tanto quanto alguns engraxates, e esperam grandes progressos em apoios irrestritos neste ano da graça de NSJC.

Personalidades de Vitória são os que fazem o nosso dia-a-dia, os que tropeçam conosco no prazeroso caminhar pelas ruas da cidade e que, sempre lembrados, são apontados na medida em que se dispõem a tomar assento ao lado da Filomena, da Sebastiana, da Josefa, e tantas mais, até que um belo dia têm a felicidade de, tal o oceano, acercar-se assim, na intimidade, com a ilha chamada Vitória, cuja feminilidade e exotismo inspiram a todos nós para, no cotidiano do banco da nossa vivência, traçarmos rumo à história. Que para Amylton de Almeida foi, graças a São Pedro, "Lugar de Toda Pobreza", e que para Pedro Caetano foi "cidade-sol com o céu sempre azul".

E para nós que ali também sentamos? Nada diremos. Apenas que é paixão mesmo. Vontade de ser Vitória.

 

Fonte: ESCRITOS DE VITÓRIA — Personalidades de Vitória – Volume 15 – Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES, 1996.
Prefeito Municipal - Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo - Jorge Alencar
Sub-secretário Municipal de Cultura e Turismo - Sidnei Louback Rohr
Diretor do Departamento de Cultura - Rogério Borges de Oliveira
Diretora do Departamento de Turismo - Rosemay Bebber Grigatto
Coordenadora do Projeto - Silvia Helena Selvátici
Chefe da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim - Lígia Maria Mello Nagato
Bibliotecárias - Elizete Terezinha Caser Rocha e Lourdes Badke Ferreira
Conselho Editorial - Álvaro José Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco
Revisão - Reinaldo Santos Neves e Miguel Marvilla
Capa - Vitória Propaganda
Editoração Eletrônica - Edson Maltez Heringer
Impressão - Gráfica e Encadernadora Sodré
Autor do texto: Magda Regina Lugon Arantes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2018

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