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Ponta da Fruta

Igreja Nossa Senhora dos Navegantes. Festejos do dia de sua inauguração, anos 40 - Ponta da Fruta, ES

No passado, essa aldeia estava ligada à da Barra do Jucu pela orla marítima e depois por uma trilha que varava pastos, mata de restinga, pequenas lagoas, areias e trechos alagadiços onde vicejava rica variedade de árvores frutíferas nativas como, cajueiros, jambeiros, goiabeiras, araçazeiros, pés de araçaúna e outras. Sabe-se que desde os primóridos da colonização conquistadores, nativos, aventureiros e viajantes demandavam à região do Rio de Janeiro por essas vias naturais. Foram esses primeiros transeuntes que se referiram ao lugar como sendo a "ponta da fruta".

Nessa época o povoado do extremo sul do município de Vila Velha não passava de uma aldeia de pescadores onde a reduzida população, além de dedicar-se à pesca, base da alimentação, dedicava-se também ao cultivo da terra plantando milho, mandioca, banana, cana-de-açúcar, etc., trabalho exercido também por mulheres e jovens. E assim viveu durante quase três séculos.

Também sobre a Ponta da Fruta, assim referiu-se Oliveira [1817:180]:

A estrada geral segue sempre pela borda do mar, e duas léguas distante fica a Ponta da Fruta, pequena povoação também de pescadores, e pouco adiante o Ribeiro-Doce, que divide pelo sul a Vila do Espírito Santo da de Guarapari. Tem 6 engenhos de açúcar, denominados Calheiras, Ilha do Óleo, Jeuna, Arassatibu, dito, e Jacaroaba, 4 engenhocas, Ponta da Fruta, Jacarassú, Camboapina, e Ribeiro-Doce. Em 1817 teve 33 batizados, 26 óbitos e 14 casamentos.

Em 1960, aproximadamente, o vilarejo já era circundado por algumas propriedade que se dedicavam à pecuária, cujos serviços de estábulos e vaquejadas, eram exercidos pelos filhos mais velhos dos nativos da região. A Ponta da Fruta é hoje um dos principais balneários do estado do Espírito Santo e revela excelente potencial turístico a ser trabalhado.

Capela

No início da década de 40, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Muncial fazendo parte das tropas aliadas que lutavam contra a Alemanha e a Itália, o sentimento de nacionalidade fez nascer no país uma agressividade contra cidadãos alemães e italianos. Morava, então , no centro de Vila Velha, ao lado da igreja do Rosário, Augusto Italiano, solteirão, católico e estimado prestador de serviços à comunidade, especialmente aqueles que exigissem o uso do seu velho caminhão.

Sabe-se que ao tomar conhecimento dos clamores do quebra-quebra que atingiam imigrantes alemães e italianos, correu para os amigos de sua confiança pedindo proteção. Por se tratar de um estrangeiro bom, inofensivo, pobre e muito trabalhador, um dos companheiros sugeriu que se abrigasse no distante arrabalde de Ponta da Fruta. Foi o que fez Augusto levando consigo a sua mãe, já com câncer. Em seu favor, Augusto fez promessa à Nossa Senhora de construir uma bonita capela onde todos pudesse orar. Consta que, mesmo com o falecimento da genitora, o italiano cumpriu a promessa.

 

Fonte: Vila Velha - Onde começou o Estado do Espírito Santo, 1999
Autor: Jair Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2000



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