Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Por onde andam as tanajuras?

TANAJURA

Autor: José Carlos L. Poroca

A tanajura é uma formiga alada, do sexo feminino, da família das saúvas. É uma fêmea virgem que após acasalar, funda um novo formigueiro. Em tempos mais quentes, quando está preste a chover, sai de suas tocas para pegar uma brisa em árvores, já que, nessa época, o estresse e o calor aumentam, provocados por aquele entra-e-sai sem fim, um caos. Nada a ver com TPM, a casa informa. É, aí, que podem entrar pelo cano. E tudo por causa de um mal entendido. Quando as naus daquele imperador português (o que não gostava de banho) aqui chegaram, os nossos patrícios cismaram que as coitadinhas (as tanajuras) podiam ir para o fogo. Foi quando surgiu a musicazinha "cai, cai tanajura, tua mãe tá na gordura".

Pelo mal entendido, até hoje as tanajuras pagam o pato pela história truncada. À época, um irmãozinho do além-mar estava apaixonado por uma zinha tropical (Maria), moça prendada, da cor do sapoti, cujo corpo se assemelhava a um violão e, apenas por coincidência, ao de uma tanajura. Alguém (a história não registra quem), vendo a aflição e a paixão daquele coitado, se prontificou em resolver o problema. O esperto explicou que jovens com aquele biotipo (se referindo à "sapoti"), tinham a alma de formigas-saúva. Por isso, ele precisaria comer algumas (formigas), para absorver o odor próprio desses insetos e, com isso, conseguir atraí-la. Para tanto, ele teria que, munido de uma urupema, cantar o "cai, cai, pela vida de teu pai", apanhar algumas, colocá-las na frigideira, fritá-las e saboreá-las. Deveria esperar pela mudança da lua e, no terceiro dia, fazer a abordagem.

Sem esperar o resultado, o apaixonado divulgou o sucesso pelos quatro ventos. Entrou pelo cano e foi tirar satisfação com o pai da fórmula, que não se abalou. Explicou que, se não havia cura para um mal (a paixão), havia para outros, já que comer tanajura era muito bom para males de garganta e excelente para os olhos. Inconsolável, o tal moço, para se recuperar da paixonite, foi fazer cursos de culinária em Paris e, até morrer, divulgou por onde passava os efeitos benéficos que aquele inseto proporcionava ("comer tanajura com freqüência dispensava o uso de óculos...").

Mas porque estamos falando de Tanajuras?

Fonte: Vila Velha Seu passado e sua gente
Autor: Dijairo Gonçalves Lima

Na Vila Velha de antigamente, dezenas ou talvez centenas de negros ficavam com latas nas mãos para apanhar tanajuras. Milhares delas tinham seus abdomes torrados ou fritos na gordura. Eram comidas com farofa. Os senhores faziam economia de carne estocando em potes de louças grande quantidade de abdomes fritos para a alimentação dos escravos.

Mas comer tanajura já era um costume dos índios, observado e registrado por padre Anchieta. Aliás, o padre apreciava o petisco e até hoje muitos brancos não perdem a oportunidade de saboreá-lo.

Gabriel Soares, que viveu no Brasil no século XVI, ao dizer em seu Tratado Descritivo do Brasil que o petisco tem o sabor de passas de uva de especial qualidade, confirmou as palavras do padre Anchieta.



GALERIA:

📷
📷


Matérias Especiais

O que o capixaba tem?

O que o capixaba tem?

Fomos impedidos de abrir estradas e de avançar. Por muitos anos, o capixaba viveria assim, como sentinela do ouro

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Jerônimo Monteiro - Capítulo XVI

Fazia-se o desembarque de passageiros, em escaleres e lanchas pequenas que atracavam às escadas dos navios

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro - Capítulo II

Na foto ilustrativa, o casal Francisco de Sousa Monteiro e Henriqueta Rios de Sousa, pais de Jerônimo Monteiro (fim do séc. XIX). APEES — Coleção Maria Stella de Novaes

Ver Artigo
Saudações - Fernando Antonio de Oliveira

Carta endereçada ao escritor Walter de Aguiar Filho, autor do livro "Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno", pelas lembranças que nos traz sobre Vila Velha de outrora e pelo alerta sobre a identidade e cultura do canela-verde. Confira!

Ver Artigo
Estudos sobre a descoberta da Província - Parte VIII (FINAL)

Cristóvão Jaques foi o único que fez reconhecimentos e assentou padrões, conforme estão de acordo todos os cronistas e historiadores, estando por isso provado ser ele o primeiro que reconheceu a costa da província do ES

Ver Artigo
Estudos sobre a descoberta da Província - Parte VII

Com a chegada e desembarque, na província do Espírito Santo, do donatário Vasco Fernandes Coutinho, a 23 de maio de 1535, temos finalizado a notícia dos navegantes que tocaram ou não nas costas desta província

Ver Artigo