Morro do Moreno: Desde 1535
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Porto de Vitória comemora 100 anos (2006)

Capa do livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno

Semana passada foi comemorado os 100 anos do Porto de Vitória (1906-2006). Vimos vários especiais nos jornais locais contando a história do porto. Nós do site Morro do Moreno gostaríamos de relembrar personagens da história canela-verde que foram de vital importância para as atividades portuárias da Grande Vitória, como João Moreno e Clementino de Barcellos.

João Moreno

No início da Colonização do Espírito Santo, em 1535, João Moreno foi um dos colonos trazidos por Vasco Fernandes Coutinho. João Moreno usava as terras do morro para o cultivo e também exercia a função de vigia. Do alto do Morro, ele observava a aproximação de embarcações estranhas, e avisava ao donatário para que este e sua equipe pudessem se precaver de eventuais invasões.

Clementino de Barcellos

Clementino nasceu na última década do século XIX, em Vila Velha, a 4 de maio de 1891. Nessa época surgiram as primeiras ruas em substituição aos caminhos então existentes. Vila Velha era um verdadeiro poema composto por lindas manhãs ensolaradas e pelo murmúrio do mar nas areias da desaparecida “Prainha”.

Nesse cenário cresceu Clementino. Já rapaz, em 14 de novembro de 1914 – aos 23 anos de idade - assumiu por nomeação do Governo Federal o cargo de sinalizador do posto semafórico localizado no Morro do Moreno, à entrada da Baía de Vitória, em substituição ao seu falecido pai.

Esse posto tinha por finalidade identificar, por meio de uma luneta de longo alcance, os navios ainda em alto-mar e verificar, com antecedência de várias horas, se os mesmos iriam ao Porto de Vitória, se vinham do sul ou do norte, fornecendo detalhes, como o nome do navio, da companhia a que pertencia, etc.

Um sistema de sinalização visual de auxílio à navegação foi implantado entre o Moreno e o maciço do Péla Macaco, chamado depois de Atalaia (que significa guardião) e situado na baía de Vitória. Ambos foram dotados de mastro encimado por cruzeta. Cada haste da cruzeta recebia uma bandeira de determinada cor.

Assim, por exemplo, a da esquerda, voltada para norte, recebia bandeira vermelha indicando a aproximação de navio no horizonte norte. A da direita, votada para o sul, recebia bandeira azul indicando a chegada de navio procedente do sul e a haste superior recebia bandeira branca informando a vinda de barco do alto mar ou do leste. O posto de observação do Péla Macaco repetia o mesmo sinal do Moreno, como uma estação repetidora, e em conseqüência disso passou chamar-se Atalaia, quando, na verdade, o verdadeiro atalaia era o Moreno.

O intervalo dentre cada sinal de navio à vista e sua chegada na boca da barra era de cerca de uma hora em viagem de aproximação. Esses sinais terminavam em terra, tanto na capitania do porto, como nos trapiches das empresas de navegação, que ultimavam os preparativos de carga e descarga por meio de alvarengas ou barcaças que eram levadas por pequenas lanchas para serem atracadas aos navios, já que o porto de Vitória ainda não tinha berço suficiente de atracação. Os dois postos eram dotados de cabana para abrigo do sinaleiro, com cama de capanha e pequeno fogareiro.

O posto do Moreno contava também com luneta de longo alcance, necessária na identificação das embarcações, das banderias ou outras informações, como o prosseguimento de viagem sem escala em Vitória, principalmente nos dias de mau tempo. Mais tarde, quando necessário, podia a autoridade do porto falar por telefone direto com o sinaleiro do Moreno, como também com o posto da praticagem, que foi instalado na ilha dos Práticos, depois chamada ilha da Baleia.

Foi nessa atividade que, em 1914, Clementino teve oportunidade de avistar a aproximação do primeiro avião que desceu em Vitória. Eram os almirantes portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral realizando a primeira travessia aérea do Atlântico.

Em 1937, o Posto do Morro do Moreno foi extinto. Clementino então passou a exercer a chefia de linhas dos Correios e Telégrafos.

No livro Krikati Tio Clê e o Morro do Moreno, que será lançado em maio de 2006 com patrocínio da CHOCOLATES GAROTO, o escritor Walter de Aguiar Filho resgata toda a magia de Vila Velha numa aventura infanto juvenil, abordando fatos marcantes da nossa história, dentre eles, o posto semafórico que funcionava no topo do Morro do Moreno.

 

Fontes de pesquisa:
 

Jair Santos (Fragmentos de uma História)
Dijairo Gonçalves Lima (Vila Velha, seu passado e sua gente)



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