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Praça do Imperador (ex-praça das Colunas) – Por Elmo Elton

Chegada do Imperador ao Cais das Colunas, a partir de 1860, Cais do Imperador - Foto Elmo Elton

Situava-se fronteira à escadaria do antigo Colégio dos Jesuítas. Essa escadaria, antes ladeira Padre Inácio, era ladeada por colunas entre as quais se prendiam correntes de ferro, daí advindo a denominação de cais ou Praça das Colunas.

Em 1860, quando o Espírito Santo estava sob a presidência do Dr. Pedro Leão Veloso, toda a cidade de Vitória se engalanou para receber a visita de Sua Majestade o Imperador Pedro II, que de volta de sua viagem às províncias do norte, chegou à nossa baía às oito e meia horas do dia 26 de janeiro, a bordo do navio Apa, comandado por Joaquim Marques Lisboa, futuro Marquês de Tamandaré. Faziam parte da comitiva, além da Imperatriz Teresa Cristina, João Almeida Pereira Filho, ministro do Império: Cândido de Araújo Viana, camareiro; Luiz Pereira do Couto Ferraz, veador, e Dona Josefina da Fonseca Costa, dama de companhia da imperatriz.

O desembarque ocorreu, no meio dia, no cais das Colunas, — cais e praça então reformados, ganhando seu primeiro calçamento, já que ali saltariam SS.MM. Construiu-se uma ponte para desembarque, ergueram-se, no local, dois palanques, à direita e à esquerda, um para as altas autoridades e outro para as senhoras gradas.

O imperador e sua comitiva, após festivamente recepcionados, visitaram repartições, conventos, igrejas, quartéis, aldeamentos indígenas, escolas, hospitais e cadeias, durante sua estada na província, que se demorou até 8 de fevereiro, tudo conforme se lê em jornais da época e no "diário" escrito pelo próprio monarca, documento este minuciosamente comentado e publicado pelo historiador Levy Rocha.

Desde então, cais e Praça das Colunas passaram a chamar-se do Imperador.

Em 1872 o comerciante Francisco Pinto Ribeiro mandou construir, no local, por conta própria, "um chafariz encimado de uma estátua de Apolo, que muito ressaltava o conjunto artístico da obra, sabendo-se, ainda, que, em 1882, um outro comerciante, Francisco Luiz de Oliveira, cuidou de remodelar, também por conta própria, o velho logradouro.

No governo de Jerônimo Monteiro, quando da visita do Presidente Hermes da Fonseca, ali desembarcando, a 21 de julho de 1911, a praça passou a se chamar Hermes da Fonseca, sendo que Florentino Avidos, por ocasião do centenário do nascimento do velho imperador, ocorrido a 2 de dezembro de 1925, restabeleceu-lhe a homenagem.

Logo após o término da Segunda Grande Guerra, o logradouro recebe nova designação: — praça Roosevelt, a mesma desaparecendo de todo com o aterro e murada do cais do porto.

Conheci, quando rapazinho, essa tradicional praça, com seus sobrados antigos e comércio ativo, embora então freqüentada mormente por embarcadiços e biscateiros, a Farmácia Confiança, bem montada, fazendo esquina com a avenida Jerônimo Monteiro, navios nacionais e estrangeiros atracando no local, uma vez que as obras do porto já haviam chegado até àquela área.

Recordo que esse cais e praça, sempre que lá ia, me despertavam uma certa saudade ou nostalgia, qualquer sentimento de fundo atávico, sobretudo à noite, talvez porque, do convés dos navios, me chegassem, invariavelmente, acordes de violões misturados à canção dolente de seus tripulantes.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2017

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