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Praças, ruas e escadarias de Vitória

Demolição da antiga escadaria para alí ser construída a Escadaria Bárbara Lindenberg

"O Centro de Vitória tem, para mim, um doce sabor de infância e da juventude, quando vagávamos, irresponsavelmente, por toda região. Os morros da Fonte Grande e do Cabral eram passeios obrigatórios nos fins de semana à cata de passarinho. Morando na Cidade Alta, alternávamos nossas saídas pelas escadarias ou ladeiras tradicionais desde o inicio do século."

Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho — Diretor Geral da Rede Gazeta de Comunicações, em depoimento à Campanha Revitalização do Centro de Vitória

 

Palco de batalhas ferrenhas contra corsários invasores, espaço para peladas de futebol da garotada, de footings de sábados e domingos, praças, ladeiras e ruas antigas curtas e apertadas, espremidas contra os morros — assim é o Centro de Vitória. Cortado, ainda que é, por duas largas avenidas — Jerônimo Monteiro e Princesa Isabel. A Jerônimo Monteiro, avenida de capital importância para o Centro, e a Princesa Isabel, que amparou um pedaço do mar aterrado para dar lugar ao desenvolvimento urbano.

Ruas

Saint-Hilaire, em sua viagem pelo Espírito Santo, em 1818, descreve assim o Centro de Vitoria "As ruas de Vitória são calçadas, porém, o são mal, têm pouca largura, não oferecendo nenhuma regularidade. (...) Não possui, por assim dizer, nenhuma praça pública, posto que aquela existente defronte o palácio é muito pequena e é com muita condescendência que se dá o nome de praça à encruzilhada enlameada, que se prolonga da igreja Nossa Senhora da Conceição até a praia."

Até 1847 as ruas não tinham iluminação. Mas o traçado do arruamento sempre obedecia a um planejamento lógico e demarcatório: na Cidade Alta as ruas abrigavam o movimento residencial e na cidade baixa, como era assim chamada, o comercial.

Somente em 1908, sob o governo Jerônimo Monteiro, Vitória inicia sua fase de urbanização. O Centro cresce, se desenvolve. Assistindo a tal progresso, lamentava o historiador Elmo Elton: "... a partir da década de 60, começa a perder suas características. As ruas se tomam intransitáveis, a população já não convive com a baía, agora simples canal, em decorrência dos aterros para a construção do Cais do Porto. A cidade-presépio se transforma em selva de pedra."

Em homenagem às suas lembranças da "velha e querida cidade de meus pais e de eu menino", Elmo Elton escreveu Logradouros Antigos de Vitória. No livro destaca os antigos logradouros centrais de Vitória, como as ruas 13 de Maio, 7 de Setembro, Caramuru, Duque de Caxias, Barão de Monjardim, José Marcelino, a praça Costa Pereira, a Escadaria Maria Ortiz, a Praça Oito.

Dentre estas ruas, a José Marcelino marca o ponto inicial do povoamento da ilha — nela estão preservadas casas de época, tombadas. A rua era a principal de Vitória, situada na parte alta, sendo conhecida como Rua Grande. Estendia-se do largo do Santa Luzia, defronte à capela, até a ladeira da Pedra. Já a rua Sete, partia da Prainha, hoje praça Costa Pereira, e terminava na rua da Capelinha, atualmente Coronel Monjardim. Por muitos anos foi apenas residencial, mudando sua vocação na década de 60. A Prefeitura de Vitória teve sede ali, em prédio com entrada também pela praça do Trabalho, atual praça Ubaldo Ramalhete.

A artéria central de Vitória é a Avenida Jerônimo Monteiro, que liga as regiões norte-sul. Conhecida como Rua da Alfândega, na época ainda em que era muito estreita, ia apenas do Cais do Imperador ao Edifício Nicoletti. Diz Elmo Elton: "... aí as firmas importadas tinham sede, o mar a bater-lhes nas portas do fundo, por onde recebiam as cargas desembarcadas dos saveiros e alvarengas". Em 1920 passou a denominar-se Jerônimo Monteiro, alongando-se então da escadaria Bárbara Lindenberg até a Praça Costa Pereira. Atualmente, de tráfego congestionado, principia logo após o Forte de São João até a Avenida da República.

Praças

Praça é sempre um nome que remete à lembrança de crianças brincando, monumentos em homenagem a personagens importantes da história, namorados a conversar em bancos, vendedores de bugigangas. Mas no Centro de Vitória, além da memória corriqueira dos logradouros, as praças guardam lembranças especiais para seus moradores.

Praça Costa Pereira

"A Praça Costa Pereira é o lugar ideal para refletir a cidade, a vida. Não sei, se são as árvores, talvez, o barulho dos passarinhos". Márcia Gáudio, atriz.

A Praça Costa Pereira foi primeiro conhecida como Prainha, depois Largo da Conceição, e entre os anos de 1922 e 1960, como praça da Independência. Mais de dois terços da sua área eram banhados pelo mar, e o aterro foi sendo feito aos poucos. Dos prédios que ladeavam a Costa Pereira se destacavam o Hotel Império, a Casa Madame Prado, a sede do Clube Álvares Cabral, o Café Avenida, a sorveteria Pinguim, o Teatro Carlos Gomes.

Diz Elmo Elton que a partir dos anos 50 a Costa Pereira deixou de ser ponto preferido da sociedade. vulgarizou-se, tornando-se, durante o dia, local de vendedores de bugigangas, e, à noite, de encontros duvidosos.

Hoje, num passeio pela Praça Costa Pereira durante o dia, continuamos a encontrar vendedores de bugigangas. Mas também encontramos vendedores de terrenos no céu, de ervas medicinais e de todas as crendices que o homem possa inventar. Homens e mulheres, jovens e velhos, observam o tempo sentados nos bancos da praça. À noite, vive solitária, abrigando raros casais apaixonados. Porém nas manhãs de domingo a deliciosa presença do chorinho do regional Mestre Flores transforma solitários em solidários.

Praça Oito de Setembro

O cronista Eugênio Sette, dizia que "...a praça Oito parece uma mulher dama muito vivida, muito experimentada, que não arrepia carreira, nem se encabula com uma piada mais grosseira. Já viu tudo. E, por isso, aguenta firme, consciente do seu papel."

A praça Oito já foi ponto dos mais frequentados da ilha, principalmente às noites das quintas-feiras, por ocasião das apresentações da banda da Polícia Militar, e, eventualmente, das filarmônicas do Rosário e São Francisco. Casas comerciais finas floresciam à sua volta, e o carnaval, na sua fase mais brilhante, ali se expandia. Na praça Oito, protegido por um muro balaustrado, ficava o cais dos botes, com os catraieiros no aguardo de passageiros. Também o ancoradouro das barcas tinha embarque e desembarque para a praça Oito.

Hoje, a praça Oito nada lembra de seu esplendor de anos atrás. É lugar de passagem de transeuntes apressados. Sua marca é um grande relógio montado pelo artista alemão Ricardo Schorling, que, antes, de hora em hora, emitia os acordes iniciais do Hino do Espírito Santo, de autoria de Peçanha Póvoa, com música de Arthur Napoleão.

A praça foi conhecida primitivamente como Cais Grande, depois cais da Alfândega, praça Santos Dumont e, finalmente, em 1911, por solicitação do governador municipal Cirilo Tovar, praça Oito de Setembro.

Praça João Clímaco

Localizada em frente ao Palácio Anchieta, a praça João Clímaco, ex- praça Afonso Brás, foi durante três séculos chamada ora como largo do Colégio, ora largo Afonso Brás. A igreja Nossa Senhora da Misericórdia, demolida para a construção da sede da Assembleia Legislativa, dava frente para a praça. Daí ser o largo do Afonso Brás também chamado largo da Misericórdia.

Desde o início do século, foi passando por várias reformas para aplainar a área e possibilitar seu ajardinamento. Seu atual patrono, João Clímaco, foi professor de filosofia, diretor do Liceu e defensor dos escravos presos em decorrência da Insurreição do Queimado.

Escadarias

"As escadarias são a cara da cidade. Dão personalidade a Vitória." Lília Melo, administradora da regional do Centro.

Que cidade brasileira possui tantas escadarias como Vitória? Qual possui uma referência tão preciosa, esculpida em detalhes? As do Centro são elos, acessam Cidade Alta e Baixa. Quatro têm grande destaque: Maria Ortiz, São Diogo, Bárbara Lindenberg e Cleto Nunes, antiga ladeira do Egito.

A escadaria São Diogo, construída pelo prefeito Américo Poli Monjardim, foi há séculos o ponto onde se encontrava o Forte São Diogo. A escadaria Bárbara Lindenberg, localizada em frente ao Palácio Anchieta, no tempo do Colégio dos Jesuítas, chamou-se ladeira Padre Inácio, e, posteriormente, ladeira do Imperador. Em 1883 transformou-se de ladeira em escadaria.

No governo de Jerônimo Monteiro, refeita, ganhou a forma atual. O engenheiro Justin Nobert responsável pela obra, decorou-a com quatro estátuas de mármore, representando as estações do ano. No centro da escadaria colocou uma adolescente sentada sobre um delfim estilizado.

Tem história especial a escadaria Maria Ortiz, ex-ladeira do Pelourinho, uma homenagem a sua patrona, reverenciada em livros por atos de bravura no enfrentamento contra os flamengos.

Escadaria Maria Ortiz

A 10 de março de 1625 surgiram na barra de Vitória oito naus holandesas comandadas pelo almirante Pieter Pieterszoon Heyn. Em suas investidas de pirata, durante uma semana, Piet falhou fragorosamente. Porém, conta-se, houve um momento em que aparentemente os corsários levavam a melhor.

Ao tentar alcançar a parte alta da vila, subindo estreita rampa, conhecida como ladeira do Pelourinho, os corsários foram surpreendidos pela jovem Maria Ortiz, que, da janela do sobrado de onde morava, lançou sobre todos tachos de água fervendo. Depois, com um tição, ateou fogo numa das peças bélicas de que se serviam os inimigos, encorajando os ilhéus à luta e conseguindo expulsar os assaltantes.

O feito de Maria Ortiz rendeu-lhe a homenagem. Em 15 de novembro de 1924, quando Florentino Ávidos inaugurou a remodelação da antiga ladeira estreita e íngreme, transformando-a em escadaria, ela seria batizada com o nome de Maria Ortiz. O projeto foi de Henrique de Novaes.

Edificações

"Até hoje gosto de andar pelo Centro desta cidade que amo cada vez mais. Além das belezas naturais e do patrimônio arquitetônico, que encantam a vista, o Centro de Vitória também oferece atividades culturais que enriquecem a vida da Praça Costa Pereira, na Fafi, no Cine Glória, na praça da Catedral (Bárbara Lindenberg), no Carmo." Antônio de Pádua Gurgel, jornalista e escritor — Depoimento à Campanha Revitalização do Centro de Vitória.

Frente a frente, como a admirar a grandeza arquitetônica uma da outra, a Fafi, antiga Faculdade de Filosofia, e o Museu de Arte Moderna do Estado, ex-secretaria de Administração, olham os edifícios, para sempre envolvidos pela brincadeira de seu arquiteto Josef Pitilick — um tchecoslovaco apaixonado pela cidade, que no começo do século realizou as obras que marcam esquinas da Rua Barão de Itapemirim e da Avenida Jerônimo Monteiro.

Preservando a memória do Centro, Vitória guarda também o Teatro Carlos Gomes, a sede do Palácio Anchieta, o Mercado da Capixaba, o Teatro Glória, o Arquivo Municipal, o Palácio Domingos Martins, as residências da Rua José Marcelino, a escola Maria Ortiz e o Arquivo Público Estadual — todos bens tombados pelo Patrimônio Cultural Arquitetônico do Estado.

FAFI

Sobre a Fafi, o escritor e jornalista Adilson Vilaça reflete: "Há bailarinas, aquarelas, risos, tambores, máscaras, rodopios, palavras e fascinação. O prédio virou um monumento. Seu bojo é o bojo de uma baleia viva, aspergindo espuma ao vento, redesenhando a paisagem dos costumes, das atividades, da produção artística da cidade. O prédio é um pedaço sagrado da cidade de Vitória. Há redenção e dignidade no novo tempo da Fafi, no templo novo que as gerações moldam com a impaciência das vontades, com a cautela nenhuma de quem é prisioneiro da amplidão."

Construída em 1925 para abrigar o Grupo Escolar Gomes Cardim, no governo de Florentino Avidos, a Fafi, antiga Faculdade de Filosofia de Vitória, é hoje uma Escola de Arte, encampada pela Prefeitura de Vitória. Localizada na cidade baixa, na esquina da avenida Jerônimo Monteiro com a Rua Barão de Itapemirim, tem planta em forma de "V", com pátio central aberto. Sua fachada apresenta uma composição formada por saliências que destacam sete volumes intercalados.

Enquanto sede da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, pertenceu à Universidade Federal do Espírito Santo, que a entregou ao abandono e deterioração a partir de 1979. Adquirida pela Prefeitura Municipal de Vitória, em 1988, a Fafi voltou a reencontrar parte de sua história cultural, de encontros, bailes, exposições etc. Como acontecia nas décadas passadas.

Teatro Carlos Gomes

Principal teatro de Vitória, o Carlos Gomes foi inaugurado a 5 de janeiro de 1927, com a peça Verde e Amarelo, de Patrocínio Filho, representada pela Companhia Tan-Tan. Sua edificação foi iniciada em 1925, por André Carloni, que fez a obra quase que completamente com seus próprios recursos — recebeu uma pequena ajuda do governo. Alguns anos depois de inaugurado, foi vendido ao Governo estadual.

O Carlos Gomes, que por anos funcionou como cine-teatro, aproveitou em sua construção as colunas de ferro fundido do Teatro Melpômene — o primeiro teatro de Vitória, todo em pinho de Riga, com 1.200 lugares e que também ficava na Costa Pereira —, para suporte de galerias e galpões.

Com a fachada principal voltada para a Praça Costa Pereira, é um edifício eclético, em dois pavimentos. Em seu interior merece destaque a escadaria de acesso, o lustre da plateia e a pintura do forro da plateia, datada de 1969 e de autoria de Homero Massena.

Museu de Arte Moderna do Espírito Santo

Endereço por muitos anos do prédio da Secretaria de Administração, o museu foi o primeiro imóvel inaugurado na gestão de Florentino Avidos como presidente do estado do Espírito Santo. Foi destinado a usos diversos, como Pinacoteca Municipal, entre os anos de 1940 e 1971; sede da Imprensa Oficial do Estado; sede da Secretaria de Estado da Administração e Recursos Humanos; e, finalmente, Museu de Arte Moderna do Espírito Santo.

Projetado pelo tchecoslovaco Joseph Pitilick, mantém apenas em sua fachada o desenho original. Aberto como museu em dezembro de 1998, teve exposição inaugural de Dionísio Azevedo.

Palácio Anchieta

Data do século XVI o começo de sua história. No início da colonização do Espírito Santo os jesuítas começaram a erguer uma igreja e sua residência provisória na Cidade Alta, imediações onde se localiza hoje o Palácio Anchieta. A igreja, dedicada a São Tiago, abria-se para a Praça João Clímaco. Junto à edificação do templo, os padres construíram um colégio.

O complexo arquitetônico de igreja e colégio tinha área construída ao redor de grande pátio interno (claustro) e enorme área envoltória (indo até os limites da atual Rua General Osório), onde ficava o pomar, o fortim de São Tiago e o porto dos Padres. Após a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas, a igreja e o colégio foram incorporados aos bens da coroa.

O colégio passou a abrigar a sede do governo da capitania no final do século XVIII, período em que houve um incêndio destruindo a biblioteca. A igreja continuava a ter celebração de cultos.

Na época do império, a antiga igreja de São Tiago foi transformada em Capela Nacional e os cômodos do ex-colégio, adaptados para servir como residência dos governadores estaduais. No governo Jerônimo Monteiro aconteceram as maiores modificações. O colégio foi praticamente destruído e a igreja centenária foi demolida para dar espaço a mais repartições públicas.

O antigo colégio, inteiramente reformado pelo francês Justin Norbert, recebeu em sua fachada roupagem neobarroca, combinando com a nova escadaria erguida na antiga subida, formando um conjunto. Após Jerônimo Monteiro, quase todos os presidentes de estado, interventores e governadores realizaram obras de modificação ou manutenção do imóvel.

Até 1950, foi a construção de maior área em Vitória e funcionava como um completo centro administrativo, O Palácio Anchieta, que ganhou nome em homenagem ao padre José Anchieta, é uma das principais referências arquitetônicas do Centro da cidade. Seu interior guarda o túmulo simbólico de seu patrono.

Monumentos

"O povo que não preserva a sua história e a sua cultura é apenas um aglomerado de pessoas". Pedro Dadalto, empresário - Depoimento à Campanha Revitalização do Centro de Vitória.

Apesar da riqueza de sua história, poucas são as estátuas e monumentos que a cidade dedica a seus heróis. Pequena também, segundo Willis de Faria, autor do Catálogo dos Monumentos Históricos e Culturais da Capital, é o conhecimento da população quanto à origem dos monumentos e de homenageados.

Willis lamenta o descaso que reserva o capixaba aos monumentos aqui instalados. Afirma: "O povo diariamente passa próximo aos mesmos e poucos são os que param para observá-los. Assim sendo, seria necessário um esclarecimento à população em relação à história das pessoas que são representadas, pois por trás das carinhas simples que apresentam muitos bustos e estátuas se esconde um grande passado."

São monumentos de natureza histórica, política, religiosa, científica social, militar, cultural, esportiva e folclórica. No Centro de Vitória encontram-se estátuas, bustos e esculturas em homenagem a Domingos Martins, ao índio Araribóia, a Getúlio Vargas, ao trabalho, a dona Domingas, a mãe, a ex-governadores de estado.

Muitos outros bustos postados em praças e repartições públicas complementam as singelas referências a um passado de trabalho, de luta e de conquistas que permitiram transformar o Centro de Vitória.

Monumento a Domingos Martins

Natural de Itapemirim, Domingos José Marfins desde cedo dedicou-se ao comércio, fazendo sucesso comercial em Londres. Retornando ao Brasil, foi morto em 1817, por fazer parte da revolução de Pernambuco, como um dos chefes do movimento político revolucionário que intentava implantar a Confederação do Equador no Brasil, libertando-o de Portugal.

Seu busto de bronze amparado pela liberdade, representada por uma figura de mulher, também de bronze, sobre um pedestal de granito, está localizado na Praça João Clímaco. O monumento foi inaugurado em 5 de novembro de 1917.

Araribóia

Araribóia, ou Cobra Feroz na língua dos índios temiminós existentes no Espírito Santo, é reconhecido como herói brasileiro. Chefe dos temiminós, fez-se logo amigo dos colonizadores portugueses.

Em 1567, a pedido de Vasco Fernandes Coutinho, comandou 200 temiminós que o Espírito Santo enviou para socorrer Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, contra os franceses de Villegagnon. Ele e seus flecheiros decidiram a sorte da batalha, expulsando os intrusos. Convertido ao catolicismo, Araribóia foi batizado com o nome de Martin Afonso Araribóia e recebeu o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo.

Concebido por Carlo Crepaz, sua estátua de bronze, em tamanho natural, assentada sobre uma pedra apontando seu arco e flecha, vigia a baía de Vitória na Praça Américo Poli Monjardim, na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes.

Dona Domingas

Assentado na Avenida Jerônimo Monteiro, na área lateral da escadaria do Palácio Anchieta, o monumento de bronze representa a catadora de papel que se tornou figura folclórica e personagem do cotidiano nas ruas de Vitória. Dona Domingas, em posição curvada pela idade avançada, caminhava carregando um saco cheio de papel nas costas, tendo na mão direita um cajado de madeira.

Elaborado sem título e sem legendas, o monumento a dona Domingas foi concebido pelo escultor italiano Carlo Crepaz.

Monumento a Mãe

Idealizado dentro de um lago, no interior da praça Costa Pereira, onde um arco irregular em seu ponto superior desce uma corrente que segura duas bolas de metal, ligadas por um tubo, que representa artisticamente a mãe ligada ao filho através do cordão umbilical, o monumento recebeu homenagem do escritor Adilson Vilaça em seu romance Albergue dos Querubins.

Escreve o Vilaça: "A têmpera das linhas de um invulnerável aço insinua com sutileza obstinada um ventre em arco, onde repousa um feto, sublime navegante do útero do vento." Forjada em metal, a escultura foi criada por Maurício Salgueiro.

Fim do passeio de Vitória

Neste breve passeio pelo Centro história foram visitados os principais nichos da história capixaba. Edificações que guardam em suas paredes o labor dos antepassados, ruas que ainda preservam pistas do afã incessante da colonização, praças que reúnem nossa gente e que remetem aos dias primeiros da urbanização.

Espiando a baía, o Centro de Vitória é um hino à beleza. Não é sem razão que o coração capixaba estremece com qualquer possibilidade de perda dos bens construídos no Centro. A experiência ensinou à população que a atitude dos braços cruzados é arrasadora. Muito se perdeu na precipitação dos governantes, mas as pessoas que amam o Centro, que amam Vitória, já não admitem que se rasgue um só pedaço de nossa história.

Nossos prédios são versos da Cidade Presépio, da Cidade Sol. E para sempre deveremos cantá-los, rua a rua, de porta em porta. Viva Vitória!

E para a saudação soar com a emoção necessária, peçamos emprestados a Pedro Caetano os versos da Cidade Sol:

 

Cidade Sol, com o céu sempre azul

Tu és o sonho

De luz norte a sul.

 

Meu coração te namora e te quer

Tu és Vitória

Um sorriso de mulher.

 

Do Espírito Santo és a devoção

E para os olhos do mundo

És uma tentação.

 

Milhões te adoram

E sem favor algum, entre os milhões

Eis aqui mais um.

 

Fonte: Centro de Vitória, Coleção Elmo Elton nº2 – PMV, 1999
Texto: Maria Cristina Dadalto
Fotos: Judas Tadeu Bianconi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2020

Parabéns, Vitória (desde 8 de setembro de 1551)

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