Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Praia da Costa - década de 1950

Praia da Costa década de 1950

Em busca do mar

 

Chegar à Praia da Costa lá pelos idos dos anos 40 e 50, saindo de Vila Velha, sede, teria que se enfrentar uma longa caminhada difícil, ao mesmo tempo, prazerosa e cheia de encanto.

No início, trilhas entre ricos manguezais. Depois as passagens iam se alargando e se defrontava com extenso areal branco, deixando para trás a umidade, o “habitat” dos crustáceos e a vegetação característica dos mangues. A paisagem mudava inesperadamente, e em meio àquela aridez, cajueiros, araçazeiros e pitangueiras, vicejando em terra seca, até chegar à beira da praia e avistar o imenso mar azul.

Outra opção seria a estrada de barro, hoje Avenida Champagnat. Esta se iniciava após a travessia de uma bela ponte sobre o Rio da Costa, cujas águas corriam próximas às terras dos Maristas, antigo Sítio do Batalha. A fim de corrigir alagamentos, que aconteciam na cidade, em ocasião de enchentes, o rio foi desviado do seu curso normal perdendo seu aspecto natural, sua beleza e, até mesmo, a sua identidade. Agora, a ponte, o rio, só na lembrança, em fotos ou na história.

Todas essas caminhadas, em trilhas ou estrada eram feitas em grupo, formado de adultos, crianças e, quase sempre, de um cãozinho amigo que acompanhava o seu dono.

Pés descalços, muita alegria no coração e em bando, qual pássaros migratórios, em busca do oásis, o mar.

No caminho, o encontro com a boiada causava grande rebuliço. Poucos eram acostumados com essas cenas rurais.

Ventania repentina, chuva de areia, chapéus voando, correrias, pisadas de mau jeito, tudo superado com brincadeiras e muitos risos.

Chegando à praia o entusiasmo e o ânimo aumentavam, à medida que se dava continuidade aos inúmeros folguedos.

Nos banhos de mar, usava-se bóias de cortiça, atadas à cintura, para maior segurança. Câmaras de ar de carro, preta ou vermelha, para mil e uma estripulias na água.

O bronzeamento da pele, acontecia normalmente, sem muitos cuidados de acordo com a ação da melanina de cada um. Sem bronzeadores ou filtros solares.

Na falta de vendedores ambulantes, levava-se frutas, dos próprios quintais ou colhidas ao longo do caminho. Também deliciosos pãezinhos, com manteiga, torrados ao sol, bem apreciados pela garotada.

A praia, na época, era cheia de conchas, de vários formatos. Ariscos e velozes tatuís, berbigões triangulares, em lindos tons rajados, apareciam no vaivém das ondas, denunciando o seu esconderijo, fazendo furinhos na areia molhada, facilitando, deste modo, a captura pelos pescadores mirins.

Ao longe, no mar, via-se enormes botos cinzas, dando pulos ritmados. Um espetáculo impressionante para os banhistas.

À beira da praia, a vegetação rasteira, poucas casas de moradores fixos ou de veranistas; muitos terrenos particulares cercados e transporte coletivo, bons momentos e o tempo passava, sem se dar conta. Já era a hora do retorno, após tantas travessuras.

Uma longa estrada pela frente. Parecia interminável... Bastavam os primeiros passos para se sentir novamente a mesma coragem, o mesmo ânimo e a mesma alegria.

E no final da jornada, quase chegando em Vila Velha (centro), ainda se podia apreciar meninos afoitos e levados, saltando da ponte sobre o Rio da Costa. Mergulhando ou nadando a fim de tirar o sal do mar, na água doce daquele rio.

Em casa, depois de saborear um delicioso almoço, só restavam a tarde, a noite, o amanhecer de um novo dia e repetir a mesma dose até que as férias e o verão terminassem.

 

Livro: Retratos Coloridos, 2002
Autora: Eny Botelho Baptista
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2011



GALERIA:

📷
📷


Bairros e Ruas

Praia da Costa

Praia da Costa

Um sítio com muita capoeira, pitangueira e uma pequena aldeia de pescadores, delimitado por uma cerca de arame ao Sul e pelo Rio Costa ao Oeste. Assim era a agrária Praia da Costa, que hoje abriga 40 mil moradores e recebe milhares de turistas durante o verão, por causa da bela praia.

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Primeiros moradores do Farol de Santa Luzia

Os primeiros moradores da região do Farol de Santa Luzia, na Praia da Costa, Vila Velha, foram...

Ver Artigo
Rua Dois de Dezembro (ex-rua do Beco) – Por Elmo Elton

Tinha começo em frente à Loja Maçônica Ordem e Progresso, onde se construíra um chafariz, e terminava no largo da Matriz, quase paralela à José Marcelino

Ver Artigo
Rua Cristóvão Colombo (desaparecida) – Por Elmo Elton

Da antiga Cristóvão Colombo resta um trechinho de nada, ao lado da Barão de Monjardim, sendo que uma escadaria, ao término da extinta rua, tem, agora, o nome do descobridor. A escadaria, estreita, em rampa íngreme, dá subida para o morro do Vigia

Ver Artigo
Movimento que desenha a cidade – Jardim da Penha

Desse modo, são menos comuns os movimentos urbanos que refletem sobre a qualidade da paisagem urbana, o desenho, o volume das construções

Ver Artigo
Escadaria Maria Ortiz (ex-ladeira do Pelourinho) – Por Elmo Elton

Maria Ortiz era filha de Juan Orty y Ortiz e Carolina Darico, nasceu em Vitória em 1603, tendo falecido na vila em 1646

Ver Artigo