Morro do Moreno: Desde 1535
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Prainha: 400 Anos

Prainha, anos 1900

Ao longo dos séculos, Vila Velha ficou praticamente à sombra da capital. Abandonada à própria sorte, sobreviveu aos traumas dos primeiros anos, quando a maior parte de sua população fugiu para Vitória. Em 1828, quase três séculos depois de povoada, Vila Velha tinha apenas 1.250 habitantes. Era menor que Nova Almeida, com 1.734, ou de Itapemirim, com 1.835. Sua vizinha Vitória estava com 12.704 moradores.

Durante mais de 400 anos, Vila Velha se manteve praticamente ao redor da Prainha. A mais antiga vila do Espírito Santo estava predestinada ao segundo plano. Na década de 40 do século XX não havia sequer o que se chamava de ginásio (hoje 5ª a 8ª série) no outro lado do continente. Os estudantes tinham que vir a capital. Os moradores do continente dependiam de Vitória para quase tudo. Todas as ruas eram de areia, inclusive o centro da cidade.

Panorâmica

Ao lado do colégio Marista havia um mangue, com duas pontes: a velha e a nova. Tinha também dois campos de futebol, um do Atlético e outro do Olímpico. Naquela época foi construído o canal da Costa, que muitos pensam ser um córrego natural. O canal da Costa, hoje puro esgoto diluído em água da chuva, foi uma construção feita para drenar um alagado chamado de “maternidade de pernilongo”.

O primeiro calçamento foi na Jerônimo Monteiro, época da construção da residência oficial do governador na Praia da Costa. A partir daí, as praias dos canelas-verdes começaram a atrair moradores de fora. Um dos primeiros foi o médico Dório Silva. Hoje, a exploração imobiliária toma conta da orla.

Para chegar a Vitória, o morador de Vila Velha tomava um bonde na prainha até o cais de Paul, onde embarcava na lancha. Os dois serviços de transporte eram operados pela Companhia Central Brasileira de Força Elétrica. A ponte Florentino Avidos era praticamente ignorada pelos usuários de bondes e lanchas. Em Vitória, os barcos deixavam os passageiros no Centro e no cais Dom Bosco, onde mais tarde foi aberta a avenida Beira Mar.

O vai-e-vem entre continente e ilha fazia parte do cotidiano dos canelas-verdes. Tudo era em Vitória, incluindo pagamentos de contas de luz e telefone. Uma das construções fundamentais da vida da cidade era o 3º Batalhão de Caçadores (3º BC), atual 38º Batalhão de Infantaria, do Exército, que mais tarde ganhou a companhia da Escola de Aprendizes-Marinheiros.

Algumas famílias tradicionais detinham grandes áreas de terras, mais tarde vendidas para loteamentos. Uma das principais proprietárias era a família Motta, que morava num sítio cheio de cajueiros ao pé do Morro do Moreno. Dona praticamente de todos os terrenos da avenida Champagnat até a Praia da Sereia (final da Praia da Costa), que leva esse nome porque o pintor Lúcio Bacellar pintou uma sereia na parede de um bar que ele montou.

Anos depois, um vizinho se instalava por lá. Era Gastão Roback, que criou na Sereia o Clube dos 40, já desativado. A figura mais folclórica da Praia da Costa era João Rita, que bebia com regularidade e vivia de donativos.

Em Itapoã, a família Mascarenhas possuía muitas terras, que só adquiriu valor comercial mais tarde, quando boa parte foi comprada pela Sociedade Vila da Penha, de Edgar Rocha. Em Itaparica eram os Setúbal. Mais tarde, toda a área do Coqueiral foi comprada por Armando de Oliveira Santos.

Santuário da Penha sempre atraiu romeiros que chegavam em caminhões, principalmente. Era isso que agitava a cidade.

 

Fonte: Suplemento Especial do Jornal A Gazeta (26/09/94)

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