Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Produção de café foi a mais beneficiada pela eletrificação

Benefícios gerados pelo programa de eletrificação rural no ES - Fonte: A Gazeta, 10.04.1986

Para avaliar o desempenho, benefícios e necessidades relativas à eletrificação rural no Estado, o Geres pesquisou 2.536 produtores rurais em diversos municípios do Estado. E constatou, através do material coletado, que a produção de café se mostra até o momento como a mais beneficiada pela destinação dos recursos do Funres.

Neste sentido, os municípios mais favorecidos foram os de Colatina, Boa Esperança, Baixo Guandu, Castelo, Conceição do Castelo, Iuna, Muniz Freire e Ibatiba. É que nesses municípios, notadamente entre os situados na região sul, há uma predominância da pequena propriedade rural, o que responde, em parte, pela performance do programa.

O índice percentual de terras inaproveitáveis, dentre as beneficiadas com recursos do Funres, é irrelevante e gira em torno de 3%. E é o café a produção predominante na atividade agrícola, com cerca de 76%. Os 24% remanescentes acham-se distribuídos, principalmente, entre a produção do milho, feijão, arroz e mandioca.

Anteriormente à eletrificação rural, a grande maioria das propriedades beneficiadas não utilizava qualquer tipo de energia alternativa (71%). Tais propriedades encontravam-se marginalizadas das inovações tecnológicas e de quaisquer recursos materiais mais sofisticados.

A rede de energia financiada que maior aceitação obteve foi a trifásica, numa proporção de 55% sobre 45% da monofásica. Esse é um dado importante na medida em que a Escelsa está implementando um programa de eletrificação fundamentado na rede monofásica, cujo custo final de implantação da rede gira em torno de 20% a 25% a menos que a trifásica.

Os benefícios econômicos (iluminação da propriedade, máquinas e equipamentos) e os de natureza social, com o advento da energia elétrica no campo, são consideráveis. No primeiro caso, com elevação da produtividade. No segundo, com maior comodidade e informações importantes, como é o caso da televisão que em nossa zona rural tem servido também como instrumento de trabalho por veicular informações técnicas sobre a produção agrícola e, especialmente, os preços dos produtos.

Outras questões complementares foram observadas, citando-se entre outras: cerca de 69% dos entrevistados julgaram que o programa de financiamento tem como origem recursos do Banestes e do Banco do Brasil. Ao Geres/Funres restou a fatia de apenas 4% do total, o que demonstra uma publicidade inadequada. A maior parte dos beneficiários (45%) tomou ciência do programa através de funcionários do Banestes ou de amigos. A televisão e aos jornais foi reservado o percentual de apenas 2%. Esse dado é relevante, pois vem orientar uma nova forma de direciona-mento da publicidade nas aplicações do Geres. Também não foram detectados problemas na operacionalidade do programa, ao menos em nível relevante.

No que diz respeito à execução do programa, alguns problemas foram registrados. Uns de natureza obrigacional e outros de caráter mais administrativo. Os primeiros se caracterizavam pelo financiamento a alguns produtores rurais (menos de 1% do universo) que não tiveram a rede elétrica ligada à sua propriedade, ainda que por ela já tivessem pago, o que foi providenciado posteriormente.

Na parte administrativa o Banestes aplicou uma pequena parte dos recursos em imóveis destinados ao lazer (0,5% do universo), ferindo os objetivos do programa. O assunto, porém, também foi equacionado mediante o argumento de que o projeto tem, sobretudo, uma natureza produtiva, mesmo tratando-se de propriedade vocacionada para o lazer.

Geres já faz três mil financiamentos

Desde quando iniciou, em 1982, as operações de crédito junto aos produtores rurais do Estado com vistas à eletrificação rural, o Geres já efetivou mais de três mil financiamentos – segundo números registrados até dezembro de 1985 – com recursos do Funres, a custo mais subsidiado de 35% ao ano. O valor máximo de cada financiamento é da ordem de 750 OTN, com prazo de carência de até um ano e amortização de até quatro anos.

Em 1982 foram realizadas entre mini, pequenos, médio e grandes produtores, cerca de 1.009 operações em total de Cz$ 515,5 mil. No ano seguinte foram registradas mais de 746 operações no montante de Cz$ 1,02 milhão, enquanto em 1984 as operações somaram 781 no valor total de Cz$ 2,2 milhões.

No ano passado o total de operações alcançou 696, dentro de uma verba de Cz$ 7,8 milhões. Para o ano em curso, o Geres tem uma previsão de efetuar entre 700 a 800 operações de financiamento, sendo que a verba estimada gira em torno de Cz$ 10 milhões, já deflacionados, pois a previsão inicial implicava no aporte de recursos da ordem de Cr$ 14 bilhões (Cz$ 14 milhões).

Tecnologias

Criado pela resolução “N” nº199/81, de 20/08/81, o subprograma de eletrificação rural tem como objetivo o acesso a crédito visando a introdução de tecnologias de beneficiamento na exploração agrícola, substituir fontes de energia de equipamentos agrícolas, subsidiar a ação governamental com vistas à superação de pontos de estrangulamento da produção do setor, além de criar alternativas para a fixação do homem na zona rural.

A natureza dos empreendimentos apoiados, segundo as normas desse programa operacional, compreende as chamadas derivações secundárias (rebaixamento de tensão e linhas secundárias), complementando os investimentos básicos executados pelo Estado do Espírito Santo na implantação de redes ou linhas - troncos condutoras de energia elétrica para o campo.

 

Fonte: A Gazeta, 10/04/1986
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2015

Energia e Eletrificação

Eletrificação Rural – Por José Hisbelo Campos

Eletrificação Rural – Por José Hisbelo Campos

José Hisbello estará participando do Encontro Estadual de Eletrificação Rural promovido pela Rede Gazeta de Comunicações

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Geração de energia elétrica começou no ES em 1903

A primeira iluminação pública de geração elétrica do Estado, e décima no país, aconteceu em 1903, em Cachoeiro

Ver Artigo
Eletrificação rural em Castelo é mais barata

Ao invés de contratar os serviços de eletrificação do município, o prefeito Paulo Galvão decidiu convocar a participação dos proprietários rurais

Ver Artigo
Em 1923, a luz chegava ao campo

Em 1957, o Brasil foi sede do Seminário Interamericano de Eletrificação Rural, patrocinado pelo Conselho Interamericano Econômico e Social

Ver Artigo
Produtor sugere conselho para gerir eletrificação

Carlos Lindenberg salienta que há problemas de toda ordem. Um deles diz respeito à instabilidade das linhas que levam energia para o campo

Ver Artigo
Postes de eucalipto tratado apresentam vantagens

A primeira tentativa de utilização de como poste foi em 1909, pela "Empresa Telefônica de Rio Claro"

Ver Artigo
Análise da política adotada de eletrificação rural

Veja a opinião do presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo, Pedro Burnier e do Secretário da Agricultura, Ricardo Santos

Ver Artigo
Demanda de energia no campo supera a oferta

O crescimento do interesse pela irrigação, o que faz aumentar a demanda por mais energia elétrica na área rural

Ver Artigo