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Quem era Luiz Barbosa Leão - Por Elmo Elton

Residência de Luiz Barbosa Leão

Luiz Barbosa Leão, português, nasceu em Penafiel, província do Porto, a 1º de abril de 1824. Veio para o Brasil com dezoito anos, a conselho de dois tios: Dom Antônio Barbosa Leão, bispo do Porto, conhecido pela sua inteligência e extrema bondade, como o Santo Antão de Portugal, e José Barbosa Leão, médico cirurgião, político, jornalista e filósofo de nomeada. Esses tios não queriam que o sobrinho fosse servir como soldado, tal outros rapazes de sua idade, em colônias portuguesas na África. José Barbosa Leão já estivera no Brasil. Resolveu assim, encaminhar o jovem parente a pessoa radicada em Vitória, no Espírito Santo. Essa pessoa, cujo nome não conseguimos registrar, pai do saudoso capixaba Eugênio Neto, arranjou emprego para Luiz no comércio de Vitória. O moço logo se adaptou à nova terra, ganhou algum dinheiro, casando-se com moça de família moradora em Queimado, município da Serra. Enviuvou, dois anos após casado, daí contraindo segundas núpcias com Vitória Maria, residente na localidade de Laranjeiras, também na Serra.

Luiz Barbosa Leão, de boa instrução, conhecia o Latim e o Francês, idiomas aprendidos com o tio bispo, foi político atuante. Na Monarquia, manteve-se fiel ao Imperador. Na República, elegeu-se deputado estadual, cumprindo mandato no período de 1895 a 1900. Exerceu, na Serra, entre outras funções, o cargo de Intendente, hospedando em alojamento no fundo de sua casa comercial, os primeiros libaneses chegados àquela cidade. Deve-lhe a Serra o primeiro serviço de canalização de água, trazida da Cachoeira do Ouro, no Mestre Álvaro. As tubulações vieram, sob encomenda, da Bahia. Fez construir de alvenaria, oito artísticos chafarizes hoje destruídos, em pontos diversos da mesma cidade. Esses chafarizes foram construídos pelo engenheiro Jorge Hill, que, deixando residência em Vitória, ali se instalou até a conclusão das obras.

Luiz Barbosa Leão, homem religioso, íntegro e cordial, ao fim da vida, empobreceu, já que empenhado em campanhas políticas, dissipou tudo ou quase tudo que, através de trabalho contínuo e penoso, antes conseguira economizar. Faleceu aos oitenta anos de idade, a 4 de junho de 1904.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Nº 31/33. Ano 1980/ 1982
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2011

 

 

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