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Rio Itaúnas, contraste no Norte

O encanto da sua mais famosa vila de pescadores, que foi caprichosamente enterrada pela areia ao sopro do vento, e a força da indústria alcooleira, há décadas fixada na região, representam muito bem a Bacia Hidrográfica do Rio Itaúnas, uma região marcada por muitas riquezas, mas também por contrastes.

Com mais de 90% da sua área de abrangência no Espírito Santo, apesar de ter pequenos afluentes no Nordeste de Minas Gerais e no Extremo Sul da Bahia (Mucuri), a bacia possui baixa disponibilidade hídrica (poucas chuvas e muita evaporação), o que traz sérios prejuízos sócio econômicos, principalmente às atividades agropecuárias.

A situação motivou o governo federal a incluir a região na área de abrangência da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

“O maior problema está associado às baixas coberturas florestais, principalmente no que se refere à degradação da vegetação ciliar. Associado a isso, temos características naturais como: um índice pluviométrico baixo e características de semi-árido, o que reforça a necessidade de atenção”, destacou o gerente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) Fábio Ahnert.

O professor Edmilson Texeira, coordenador do Laboratório de Gestão em Recursos Hídricos e Desenvolvimento Regional (Labgest), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), corrobora com a necessidade de olhar com outros olhos para a região.

“A bacia do rio Itaúnas tem limitações do ponto de vista da disponibilidade de água. Sabemos que ela é um indutor de desenvolvimento. Por isso, é preciso avaliar muito bem as políticas voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população”, avaliou Teixeira.

No Estado, a bacia passa por oito municípios. São eles: Montanha, Mucurici, Pinheiros, Pedro Canário, e parte dos municípios de Boa Esperança, Conceição da Barra, Ponto Belo e São Mateus.

Para propor soluções para os problemas, a sociedade civil organizada, usuários de água e o poder público formaram o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itaúnas que, a partir de diversas ações, vem modificando a realidade local.

Melhor distribuição da água

Se por um lado a bacia do rio Itaúnas é a que tem o maior déficit hídrico do Espírito Santo, em contra partida ela dispõe da maior quantidade de outorgas – 87, até junho deste ano – concedidas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

A outorga é o procedimento utilizado pelo Iema para melhor disciplinar o uso da água, com a concessão do direito de uso aos proprietários, minimizando conflitos entre os usuários.

USUÁRIOS

“Hoje temos 825 pedidos de outorga feitos em todo o Estado. Das 290 expedidas até agora, 87 estão na bacia do rio Itaúnas. Isso significa que está havendo maior envolvimento do usuário e uma melhor distribuição dos recursos”, conta o gerente de Recursos Hídricos do Iema, Fábio Ahnert.

Desse total, em torno de 82% foram destinados para atividades de irrigação, seguido da pecuária (8%), do abastecimento industrial (7%) e de barragens (3%).

“Isso é reflexo de uma demanda muito grande pela utilização dos recursos hídricos e, também, de uma maior conscientização por parte dos agricultores”, explica o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itaúnas, Wanderson Giacomim.

INFORMAÇÕES GERAIS

Área de drenagem - 4.391 km2

Gerenciamento - Rio de domínio estadual

Localização - Extremo Norte capixaba

Distribuição – A bacia tem mais de 90% da sua área de abrangência no Espírito Santo, apesar de ter afluentes no Nordeste de Minas Gerais e no Extremo Sul da Bahia (Mucuri). O rio tem a sua nascente próxima ao distrito de Itabaiana, na Bahia, e a sua foz está em Conceição da Barra (ES)

Limites geográficos - O rio Itaúnas é formado por dois braços, norte e sul. O Córrego Limoeiro ou Guaribas serve de divisa com Minas Gerais. Como a divisa do Espírito Santo com a Bahia está, em grande parte, sobre uma linha reta dentro da bacia do rio Itaúnas, vários afluentes da margem esquerda têm suas cabeceiras naquele estado, como o Córrego Zinco, o Ribeirão do Engano, entre outros.

Municípios cobertos pela bacia no Espírito Santo - Montanha (23,23%), Pinheiros (19,73%), Mucurici (11,60%), Boa Esperança (5,59%), Conceição da Barra (15,85%), Pedro Canário (9,77%), Ponto Belo (3,54%) e São Mateus (2,59%).

População - Estimada em 200 mil pessoas

Principais afluentes no Espírito Santo – Córregos Angelim, Barreado, Dezoito e Dourado; ribeirões Itauninhas e Suzano; e os rios Preto do Norte, do Sul, Santana e São Domingos

Principais atividades econômicas - Turismo, pecuária, piscicultura, industrial (mineração, madeireira, moveleira, farinheira e alcooleira) e agricultura, tendo como base a produção de banana, cana-de-açúcar, café, coco, laranja, mandioca, mamão, maracujá, melancia e pimenta-do-reino

Pluviosidade média - A região da bacia do rio Itaúnas tem valores de precipitação média anual que variam entre 950/1000mm e 1100/1150mm

Características naturais - Em função do baixo índice pluviométrico, a produção agrícola depende diretamente da disponibilidade hídrica de mananciais, os quais sofrem obstrução através de diversas barragens existentes na região. A água é captada e utilizada para os mais variados sistemas de irrigação nas lavouras.

Problemas - O desmatamento e a erosão das margens dos rios, com a destruição da mata ciliar, são alguns dos fatores que ameaçam seriamente a disponibilidade hídrica dos mananciais da bacia do rio Itaúnas

Unidades de preservação - A Reserva Biológica (Rebio) do Córrego do Veado (entre Pinheiros e Boa Esperança), a Rebio Córrego Grande, a Floresta Nacional (Flona) Rio Preto e o Parque Estadual de Itaúnas - as três unidades estão localizadas no município barrense.

Fonte: Diagnóstico Preliminar da Bacia do Rio Itaúnas, do Grupo de Estudos e Ações em Recursos Hídricos (Gearh), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itaúnas e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Itaúnas - 29/07/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaboradora de texto e fotografia: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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