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Rio Piraqueaçu tem estudo inédito

Rio Piraqueaçu e a Vila de Santa Cruz - Fonte: IEMA

Rio e mar juntos em um estudo que dirá como um interfere na vida do outro. É o que vai acontecer com o Piraqueaçu, onde, pela primeira vez no Brasil, recursos costeiros serão monitorados em conjunto com um rio que tem foz na região.

A idéia é tão inovadora que chegou a ser discutida num encontro que ocorreu na China. Especialistas em recursos hídricos do mundo inteiro estão na expectativa sobre os resultados do estudo, que nasceu de uma articulação do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) junto à Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

“De certa forma, o mundo inteiro está de olho no que vamos fazer aqui”, contou o analista de Recursos Hídricos e Planos de Bacias do Iema, Robson Monteiro dos Santos.

Ele explicou que o objetivo do estudo é definir a área de mar que é afetada pela água do rio, e vice-versa. Dessa forma, os gerenciamentos do rio e da costa passarão a conversar, evitando que um setor empurre os problemas para o outro.

Mas a análise isolada de um rio em bom estado não seria suficiente para apontar diretrizes para rios degradados. Por isso, o rio Jacaraípe, na Serra, foi incluído, já que corta uma região povoada e sofre grande impacto de indústrias e esgoto doméstico.

Na prática, em terra e no mar, serão delimitadas as áreas com influência dos rios Piraqueaçu e Jacaraípe, que deve se estender até pelo menos 10 metros de profundidade na costa entre os dois rios.

A integração entre os recursos hídricos e costeiros da região hidrográfica do Piraqueaçu está em discussão na Câmara Técnica de Integração das Bacias Hidrográficas e do Sistema Costeiro (Ctcoast), no MMA, em Brasília.

De acordo com a analista de Recursos Hídricos e Gerenciamento Costeiro do Iema, Aline Nunes Garcia, as discussões podem gerar, ainda este ano, uma resolução que dará diretrizes para o gerenciamento de rios em todo o País.

“Hoje não se estuda se o que ocorre no rio vai influenciar na região costeira onde está seu estuário. Não basta trabalhar com o que o rio é, mas com o que queremos que ele seja”, defendeu.

Por que o rio Piraqueaçu?

Ele foi escolhido por possuir água de boa qualidade e com baixo grau de degradação, além de já existirem muitos estudos sobre o manancial.

Pesca artesanal é mantida

A Colônia de Pescadores de Lajinhas, localizada na Ilha do Pontal, no meio do estuário do rio Piraqueaçu, mantém a tradição da pesca e cata de caranguejos.

O líder da comunidade, Joscelir Conceição Santos, o Chiquinho, explica que a pesca é feita de forma artesanal, usando linha, anzol e rede, quando é permitido.

O resultado é vendido em Aracruz e Jacaraípe, na Serra. Porém, ele reclama que o rio tem mudado e que os pescadores estão percebendo uma mortalidade acentuada de caranguejos e mariscos, como sururu e ostras.

“Não sei o que estão jogando no rio lá para cima. São imagens tão bonitas que estão cada vez mais raras. Dá até uma tristeza na gente”, contou.

Regras podem ficar mais rigorosas

Os resultados do estudo na região do Piraqueaçu, em discussão na Câmara Técnica de Integração das Bacias Hidrográficas e do Sistema Costeiro (Ctcoast), em Brasília, podem tornar mais rigorosas as concessões de outorgas (autorizações para uso da água) para lançamento de rejeitos e para captação da água.

Antes da autorização, o Iema terá de considerar o impacto sobre o mar, além da agressão que o rio suporta. O analista de Recursos Hídricos e Planos de Bacias do Iema, Robson Monteiro dos Santos, explicou que várias ações bem toleradas pelo rio podem causar uma série de conseqüências quando alcançam a costa.

“Muitas vezes o rio suporta uma quantidade de efluentes (água suja) que a costa pode não suportar”, disse.

Ruschi quer parque marinho

O biólogo e ecólogo André Ruschi – filho de um dos mais importantes defensores do meio ambiente no Estado, Augusto Ruschi – propôs ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) a criação do Parque Nacional Marinho de Santa Cruz, na região do estuário do rio Piraqueaçu.

André fez um diagnóstico completo da situação da área costeira de Santa Cruz e relata a importância da região para a vida marinha, já que inúmeras espécies se reproduzem no local.

Além disso, ele explica a importância turística da região e os problemas que o estuário dos rios Piraqueaçu e Piraquemirim enfrentam hoje.

Ele dirige a Estação Biologia Marinha Ruschi, em Santa Cruz, e outra unidade na nascente do rio, em Santa Teresa. Na estação funciona um curso de ensino médio em ecologia e são oferecidas aulas práticas para alunos de cursos superiores de biologia.

O local é aberto ao público, para visita orientada por técnicos, e possui trilhas que revelam os diversos aspectos dos ecossistemas de floresta paludosa, restingas, mangue, praia, arrecifes e floresta de tabuleiro. Há ainda uma floresta, experiências de agricultura orgânica de plantas medicinais, pesquisas com algas e mais de cinco mil beija-flores.

“Monitoramos os dois extremos do rio. Ele tem sofrido alguns impactos irreversíveis como o lançamento de areia com a drenagem da água da chuva, o que causa assoreamento e compromete a vida de corais na área costeira”, explica André.

Ele contou que na primeira parte do rio, de Santa Teresa a João Neiva, o seu curso d’ água está cercado por mata e, por isso, bem protegido. Já na segunda parte, de João Neiva até Aracruz, o rio recebe esgoto. A partir daí se inicia o mangue, ainda conservado.

Informações Gerais

Rio Piraqueaçu

• Área – 426,34 Km² (13,68% da Unidade Litorânea Central)

• Principal afluente – Rio Piraquemirim

• Gerenciamento – Rio de domínio estadual

• Extensão – 50 quilômetros (Piraqueaçu) e 22 quilômetros (Piraquemirim)

• Extensão do estuário – 13 quilômetros no Piraqueaçu e nove quilômetros no Piraquemirim. Os dois rios se encontram quatro quilômetros antes da foz e atingem cerca de 500 metros de largura no ponto de confluência

• Nascente – Na Reserva Ecológica de Nova Lombardia ou Augusto Ruschi (controlada pelo Ibama), em Santa Teresa, região serrana do Estado, a uma altitude de 1.000 metros.

De lá segue por João Neiva, Ibiraçu e Aracruz, recebendo boa parte do esgoto desses municípios.

• Foz – Santa Cruz, em Aracruz, local em que o Piraqueaçu se junta ao rio Piraquemirim, que nasce dentro do município

• Municípios cobertos pela bacia – Aracruz: 201,46 Km² (47,25%) Ibiraçu: 119,57 Km² (28,05%) João Neiva: 56,68 Km² (13,30%) Santa Teresa: 48,63 Km² (11,41%)

• População – Cerca de 140 mil pessoas, sendo que 700 pescadores estão oficialmente cadastrados e mais de 4 mil pessoas dependem diretamente dos recursos pesqueiros do ecossistema

• Principais atividades econômicas

– Agropecuária, indústrias químicas e de celulose, turismo e silvicultura.

• Principais problemas da bacia – Lançamento de esgoto e lixo nos municípios de João Neiva e Ibiraçu, carreamento de areia e terra nas áreas urbanas, provocando assoreamento

• Profundidade do rio – Média de seis metros podendo chegar a 17 metros no estuário

• Cobertura florestal – 161,61 Km²

• Unidades de Conservação – Está localizada numa área de manguezal de 1.580 Km2 quilômetros quadrados. O estuário é o maior do Estado e está situado em frente à Vila de Santa Cruz, no município de Aracruz.

O manguezal do Piraquemirim avança para dentro do continente nove quilômetros e o do Piraqueaçu outros 13 quilômetros, tratando-se da maior penetração de maré no Estado. Na região se encontra a Reserva Ecológica dos Manguezais Piraqueaçu e Piraquemirim, além da Área de Relevante Interesse Ecológico Morro da Vargem

Fonte: Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Prefeitura de Aracruz, biólogo Miguel Boss e ecólogo André Ruschi.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rios Riacho, Rio Piraqueaçu, Rio Reis Magos, Rio Jacaraípe - 12/08/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaborador de texto: Anderson Cacilhas
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Lucia Zumash
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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