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Rua Presidente Pedreira – Por Elmo Elton

Edifícios de propriedade da Sra. Maria Tagarro, a rua Presidente Pedreira em Vitória - 1928 - Fonte: Carlos Benevides Lima Junior.

Esta rua, que data do século XIX, tinha aspecto diverso do atual. Era tranqüila, de casas baixas, algumas belas, sem qualquer movimento de carros, nela funcionado, a partir de 23 de fevereiro de 1910, a Escola de Aprendizes Artífices, dirigida pelo Dr. José Monjardim, em construção existente. O prédio data de 1903, conforme se lê em seu frontispício. Esse estabelecimento, que muito contribuiu para a formação de tantos jovens capixabas, quando já desativado, em decorrência da inauguração, a 11 de dezembro de 1942, da Escola Técnica de Vitória, no bairro de jucutuquara, serviu, também, de sede inicial do Colégio Salesiano Nossa Senhora da Vitória, que nele se instalou a 21 de janeiro de 1943, sendo seu primeiro diretor o padre Emílio Miotti. Os salesianos ocuparam o imóvel por muito tempo, com estudantes meninos, até que se transferiu para ampla sede própria, no Forte de São João, agora com matrícula para ambos os sexos.

Funcionava, ali, em esquina de fronte para o Parque Moscoso, uma torrefação de café, de propriedade do Sr. Alfredo Dias, residente na mesma rua, de forma que quem passasse pelo local sentia-se atraído por forte cheiro de café, de café quentinho, como que feito na hora, para servir a seus moradores e transeuntes.

A rua, já o disse acima, tão modificada agora, era sombreada por copados oitizeiros, romântica, despertada, a cada manhã, não pelo barulho de automóveis e caminhões, que nela trafegam hoje, nem pelo falatório saído do fundo de suas oficinas e garages, mas pelo gorjeio de canários, de pintassilgos, pelo zunir das cigarras que lhe musicavam as manhãs e as tardes de verão, ou, também ainda, pelos acordes de algum piano vizinho.

Das famílias antigas que residiram nessa artéria, onde nasci e passei parte da infância, bem me recordo dos Loureiro, dos Guimarães, dos Dias, dos Tagarro, dos Walter, dos filhos de Eudóxia e, principalmente, da casinha, tão simples e acolhedora, onde morou minha tia Teresa Zamprogno Guimarães. Nessa casa, a porta de frente tinha empanada, residiu, primeiro, meu bisavô, o italiano Luiz Zamprogno (Zamprogno Luigi), um homem belo, patriarcal, de longas barbas, que sabia cantar e chorava quando suas canções lembravam os pagos natais. Esse bisavô, pai de muitos filhos, falecido em 1925, chegou ao Espírito Santo, vindo do norte da Itália, em 1874, radicou-se por algum tempo no interior, depois no Porto do Cachoeiro (Santa Leopoldina), transferiu-se, em 1900, para Vitória, onde montou modesta funilaria, a única da cidade, em compartimento vizinho à sua residência. Foi o primeiro de sua família — hoje os Zamprogno formam grande clã — a fixar-se na ilha.

Dona Mariquinha Tagarro, residia ali, em sobrados de muitos cômodos, e, porque sozinha, já que viúva, resolveu alugar quartos a estudantes, colocando, no portão, uma tabuleta: — PensãoMT. As iniciais da proprietária deram o que falar, visto que os estudantes, à noite, ao se despedirem dos companheiros de rua, diziam, zombeteiros, que iam para a pensão metê.

O patrono da rua, Dr. Luiz Pedreira do Couto Ferraz, — o Presidente Pedreira, como era chamado pelos capixabas —, governou o Espírito Santo de 1846 a 18 de abril de 1848, data em que seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de tomar assento na Assembléia Geral, como deputado por esta província, "onde contribuiu para diversos melhoramentos relativos à instrução pública, aos aldeamentos de índios, às estradas etc." Ministro do Império, continuou a interessar-se pelo Espírito Santo. Foi agraciado com o título de Barão de Bom Retiro. Nasceu na Bahia, a 7 de maio de 1818, tendo falecido, quando senador, a 12 de agosto de 1886, no Rio de Janeiro.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2017

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