Morro do Moreno: Desde 1535
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Santo Antônio Futebol Clube

Fontana (Anchieta), craque da Seleção Brasileira que começou a sua carreira no Santo Antônio Futebol Clube

O bairro mais antigo da capital espírito-santense tem uma imensa importância para o futebol capixaba, pela trajetória esportiva do time do Santo Antônio, fundado em 19 de novembro de 1919. No início da década de 1950, sem sede social, promovia noites dançantes no térreo do prédio na subida para o local onde hoje está a Basílica, pela Av. Santo Antônio. O prédio era de um comerciante do bairro.

Para ir à Basílica, a escadaria e a rampa paralela são os principais caminhos, pela Av. Serafim Derenzi, mas quando estava em construção à subida era pela Av. Santo Antônio, e o título original era Santuário, até hoje orgulhosamente ostentado por moradores e ex-moradores. O campo de "pelada" da garotada do bairro de Santo Antônio era em frente à construção do Santuário, onde hoje é a Escola Ludovico Pavoni.

A camisa oficial do Santo Antônio era com listas verticais vermelhas e brancas, o calção vermelho, às vezes branco. O uniforme número dois era a camisa vermelha e o calção branco, algumas vezes camisa branca com calção vermelho.

Ainda na década de 1950 ganhou sede própria, doada por dirigentes: o imóvel onde funcionava o Grupo Escolar Alberto de Almeida, pois a escola foi para a Av. Serafim Derenzi, n.° 60. A sede fica na av. Santo Antônio, n.° 1520, na esquina da rua que leva ao Cais do Avião, em frente ao então Grupo Escolar Auxiliar da Obra Social São José, dos Padres Pavonianos, hoje EMEF Alvimar Silva, escola da Prefeitura de Vitória. Lá eram realizadas festas sociais, como domingueiras e bailes para sócios e convidados, movimentando a população local, possibilitando novas amizades e o relacionamento com moradores de outros bairros.

Tinha boa estrutura para a época, com sede e estádio, graças contribuição de associados e doações de admiradores. Para a construção do estádio, foram vendidas duzentas cadeiras cativas.

Nos anos dourados, o futebol capixaba era a manchete esportiva principal na imprensa de Vitória, com notícias do futebol carioca e algo sobre o mineiro e o paulista. Destacava o futebol amador e os aspirantes dos times da 1ª Divisão.

Os torcedores costumavam ir cedo para o estádio, pois a preliminar, normalmente, era entre os aspirantes dos mesmos times, em campeonato paralelo.

O 1° campeonato do Santo Antônio foi em 1931, vencendo o Vitória por 3x1. As equipes:

Santo Antônio: Pé Chato, Patinho, Graciano, Manduquinha, Rosindo, Boca Azul, Socó, Marcionilo, Piauí, Antônio e Walfredo. Vitória: Luiz, Murilo, Júlio, Luiz Barbosa, Sebastião, João Pinto, Irineu, Abreu, Heitor, Alonso e Amauri.

Em 1951, seu aspirante foi campeão sem perder ponto, com Alemão, Genésio e Haroldo, Oscar, Jarbinhas e Mauro, Luis (Almir), Lagreca (Mário Pato), Paulinho (Niltinho), Deraldo e Jorge. Técnico: o jogador Deraldo. O abnegado dirigente Antônio Cruz, em nome da Diretoria e feliz com o título, concedeu o prêmio pela brilhante campanha: uma ceia para os jogadores em um bar da cidade.

Em 1952, manchete nos jornais: "J. Castro foi para o Rio Branco e J. Pedro para o Santo Antônio". A imprensa considerou ter o Santo Antônio levado vantagem. João Pedro, além de craque, era muito humano, educado e dedicado, e sempre foi muito querido pela torcida antonina.

O Santo Antônio perdeu a oportunidade de ser campeão em 1952 nos acréscimos, pois não contando com Pereira e J. Pedro e o goleiro, Adjalma, improvisado na zaga fez "cera" pra segurar o jogo. O zagueiro Ilson segurou a bola e jogou pra fora de campo. O árbitro deu falta, Beto, do Rio Branco, chutou rente ao arco, Carlos Magno socou, porém aninhou a bola no próprio gol. Lance de azar do goleiro, que salvou os antoninos de uma goleada! O Santo Antônio fez 1 x O no 1° tempo, com Ormandino, mas com o empate ficou fora da disputa do título, e o Vitória foi, merecidamente, o campeão de 1952.

O Santo Antônio foi tri campeão em 1953, 1954 e 1955, repetindo em 1953 o feito do aspirante em 1951, ou seja, o primeiro, pelo menos no Brasil, campeão com zero ponto perdido. Relevante, também, é que sofreu apenas 2 gols, goleando o Caxias por 7 x O e o Rio Branco por 8 x 1. Seu atacante Tom foi o artilheiro do campeonato e seus dois goleiros os menos vazados: Adjalma sofreu os dois gols e o reserva Carlinhos jogou uma única partida e não sofreu gol. O elenco do tricampeonato foi: Adjama, Etiene, Carlos Magno, Pereira, Ilson, Neide, Nélio, Francisco, João Pedro, Jurandir, La Greca, Tom, Celso, Lola e outros.

Em 1956, o Vitória foi campeão, empatando 3 vezes com o Santo Antônio. O excelente time do Vitória: Louro; Dodoca, Zig, Joel e Atílio; Jocarly e Walcyr, Celinho, Paulinho, Álvaro e Nilson Flores. Provavelmente, essa foi a melhor equipe do Vitória, ao longo de sua existência.

Ao lado de Rio Branco, Vitória e Desportiva, o Santo Antônio está entre os melhores times do futebol capixaba, com jogadores que entraram para a história. Entre outros: goleiros Adjalma, Carlos Magno e Etiene, zagueiros Ilson, Pereira, Orion, Neide Nélio e Fontana, volantes Francisco e João Pedro e atacantes Ciro, La Greca, Lola, Celso, Tom e Landi.

Em sua época áurea o maior rival era o Rio Branco, sem desprezar o Vitória: eram três times de alto nível e seus jogadores jogavam realmente por amor. A maioria dos jogadores torcia pelo time cuja camisa vestia. Santo Antônio x Rio Branco, as manchetes eram sempre entusiásticas: jogo de maior renda, adversários tradicionais, rivais de sempre, adversários mais temíveis, choque de gigantes etc.

O Santo Antônio foi campeão do Torneio Início 3 vezes: 1952, 1954 e 1965. Era a festa de abertura do campeonato: um torneio relâmpago entre todos os times, em 2 tempos de 15 minutos e, em caso de empate, 3 pênaltis cobrados pelo mesmo jogador. Se necessário cada um batia 1 pênalti, até que alguém perdesse o gol.

No auge de sua história, jogos entre o alvirrubro capixaba (Santo Antônio) e o rubro negro carioca (Flamengo). Em nove de março de 1954, empate em 1x1, em Vitória.

Campeão carioca, o Flamengo convidou o Santo Antônio para a comemoração do campeonato carioca. Em 13 de agosto de 1954, Maracanã com ótimo número de expectadores, o Santo Antônio perdeu por 3x0, gols de Evaristo, Joel e Índio, embora jogando bem, pois o time carioca tinha, além dos artilheiros, craques como Zagallo e Dida. E, até hoje, todo jogador treme ao jogar pela 1ª vez no "maior do mundo". Primeiro time capixaba a jogar no mundialmente famoso estádio, seus jogadores, os "santos", foram apelidados de Maracanãs e o time antonino ficou conhecido como "Maracanã" Como o Rio Branco é conhecido como "Capa Preta".

A partir de 21 de dezembro de 1955, aos poucos foi passando para o regime profissional.

Em 1958, o Santo Antônio realizava o sonho de ter estádio próprio, inaugurado em Santa Inês, na cidade de Vila Velha. Era o Estádio Rubens Gomes, em homenagem ao torcedor e diretor, seu melhor Presidente. Se perdesse em casa, era manchete: "Santo de casa não fez milagre".

Na partida de inauguração, em 17 de agosto de 1958, jogaço com o Botafogo. Os capixabas perderam por 3 a 0, dois gols de Garrincha e um de Rossi. O Árbitro foi o carioca Antônio Viug, auxiliado pelos capixabas Rubens Barbosa e Euclides Onofre. Botafogo: Ernani (Amauri), Cacá, Thomé, Servílio e Nilton Santos (Beto), Pampolini (Edson Martins) e Didi, Garrincha, Paulinho Valentim (Édison), Quarentinha (Rossi) e Zagallo (Garrinchinha). Técnico: João Saldanha. Santo Antônio: Adjalma, Orion, Ilson, Bulau e Neide (Raul). Francisco (Didite) e Pirajá (Neco), Lauro (Osni), Telmo, Miro e Lola. Técnico: Tunico Bassini.

As torcidas se respeitavam e respeitavam os jogadores, que se comunicavam com os torcedores durante o jogo. E esse time do Botafogo, só com craques, era sempre simpático. Tinha quatro campeões mundiais, depois bi campeões. Cada um teve seu lance inesquecível:

Um torcedor gritou: "Entra no jogo, Zagallo!". Sorrindo, o jogador mostrou a perna esquerda, assinalando que estava jogando com cautela, por estar machucado. Realmente, ele estava mais para expectador privilegiado do que pra jogador.

A torcida cobrando: "Garrincha, queremos o seu gol!". "Vai entortar todo mundo ou não?". De fato, ele "entortava" até as torcidas! O deficiente eficiente das pernas tortas, conhecido como "Alegria do Povo", com direito a livro e filme, gesticulou, como quem diz: "Calma!".

Não demorou, fintou "todo mundo", foi à linha de fundo e, quando esperavam seu famoso cruzamento, voltou um pouco e fez o gol, quase sem ângulo. Até a torcida antonina foi ao delírio (Garrincha era amado por todas as torcidas).

Didi parou a bola exatamente no meio do Campo, todos na expectativa de um lançamento, ele mandou uma folha seca, a bola bateu no travessão e voltou. Famoso pela chamada "folha seca", justificou a fama.

Didite deu um lençol em Nilton Santos. Que alvoroço no estádio. Que ousadia! Um lençol em Nilton Santos! O bi campeão mundial, tranqüilo e desportista, sorriu e bateu palmas. Mas, ficou "beirando" o mesmo. A oportunidade surgiu, Nilton Santos deu um lençol em Didite, esse foi encima, levou outro lençol de volta. Deu um lençol, levou dois em seqüência. Foi o momento de mais palmas e gritos da torcida!

Campeonato de 1960: turno e returno, Rio Branco 2x0. Como um foi campeão do turno e outro do returno, como era regra, disputaram melhor de três jogos para conhecer o campeão do ano. Isso, em janeiro de 1961. No dia 15, Estádio Governador Bley do Rio Branco e ex estádio de Zinco, cantado romanticamente pelos radialistas como "Estádio da Alameda Alberto Torres", Rio Branco 1 x 1 Santo Antônio. Rio Branco: Irezê, Monte e Hélio, Anchieta, Epaminondas (Foca) e Maciel, Mauro, Carlinhos, Belo, Gilson Murilo e Alcenir. Técnico: Mossoró. Santo Antônio: Etiene, Orion e Ilson (Raul), Elói, Francisco e Nélio, Ciro, Telmo, Osni, Jurandir e Joel. Técnicos: Tunico e o jogador Elói. Gols: Ciro (SA) e Alcenir (RB). Arbitro: Dílson Barroso.

Anchieta e Francisco foram expulsos (troca de pontapés) e Etiene defendeu pênalti de Mauro, no cantinho, aos 45 minutos do 2° tempo, daí a manchete dos jornais: "Empate dramático do Santo Antônio com sabor de vitória".

Dia 22, Estádio Rubens Gomes, vitória do Santo Antônio. Times, basicamente os mesmos. Expulsos: Belo, Irezê, Hélio e Anchieta, todos do Rio Branco. Monte foi para o gol. No outro dia, a manchete: "Incrível goleada alvirrubra: 6x1". Como incrível foi a expulsão de Hélio, jogador sereno, educado e realmente craque, embora zagueiro (os zagueiros eram conhecidos como violentos, chutadores de bola e trombadores).

Dia 29, terceira e última partida, no Estádio Rubens Gomes. Santo Antônio 1x0. Renda e número de torcedores, maior de todos os campeonatos. Rio Branco: Irezê, Anchieta e Hélio, Fontana, Epaminondas e Maciel, Adilson, Belo, Alcenir (Cadinhos), Gilson Murilo e Roberto. Santo Antônio: Etiene, Orion e Ilson, Paulinho (Elói), Francisco e Nélio, Telmo, Ciro, Osni, Jurandir e Joel. Esse, o mais baixo e melhor jogador em campo. Gol: Joel, 43 minutos do 1° tempo. Maciel cobrou pênalti no 1° tempo, por cima do travessão. Árbitro: Eunápio de Queiros, da FCF.

Carnaval em caminhão, de Santo Antônio a Jucutuquara. Músicas com gozação foram entregues a César Sandoval, da coluna Retalhos Esportivos, do jornal A Gazeta. Rio-branquense assumido comentou em sua coluna sem citar as letras. Um delas de minha autoria, e as músicas "obra prima" dos boêmios do bairro. Um deles, meu pai, que era músico. Em frente ao portão principal do Estádio, jogadores do Rio Branco, com Fontana à frente com um copo de cerveja, saíram do bar e, desportivamente, saudaram os antoninos, mas houve temor da reação dele, por sua fama: a torcida teve a infeliz idéia de levar um caixão, que por sorte ele não percebeu...

No dia 20-03-62, final do campeonato de 1961: Santo Antônio é bicampeão, goleando o Rio Branco por 5x0. Gols: no 1° tempo Osni, e no 2° tempo Telmo (2) Joel e Osni. Os times eram praticamente os mesmos, pois na época os jogadores procuravam defender as equipes para as quais torciam, assim dificilmente trocavam de time.

Em 1963, o Conselho Nacional de Desportos — CND extinguiu o não amadorismo, aceitando apenas amador ou profissional. Os jogadores titulares, automaticamente, passaram ao profissionalismo, onerando as folhas de pagamento.

Em 3 de fevereiro de 1963 sai o presidente José de Oliveira e Antônio Cruz diz que encerrou sua carreira como dirigente, aborrecido com críticas. Era tanta paixão pelo time, que continuou ajudando, sem ocupar cargo.

Dois dias depois, José Ramires assumiu a presidência do Santo Antônio. Rubens Gomes e Antônio Cruz sempre colaborando, assim como eu, meus irmãos e os irmãos Bassini. O Diretor de Esportes do Santo Antônio lamentava não poder contratar reforços, pois nada sabia quanto às finanças. Em um jogo, vice-presidente deu soco no rosto do tesoureiro, que não quis entregar o borderô e o dinheiro da renda.

No dia seguinte, à noite, eu estava chegando para a reunião e o presidente, saindo da sede, disse que tinha outro compromisso, mas deixou na mesa a documentação da venda de Anchieta para o Vasco da Gama. Junto, encontramos sua carta renúncia.

Anchieta já era do Santo Antônio, indo para o Vasco ficou conhecido como Fontana. Como seu nome era José de Anchieta Fontana, no Espírito Santo era chamado de Anchieta para não confundir com seu irmão mais velho, conhecido ora como Goli, ora como Fontana. Em Jucutuquara e no Colégio Salesiano (só existia o do Forte São João) nós o chamávamos de Anchieta.

Diretoria eleita em 08-01-64: Presidente Hailton Bassini (Totô), Vice Pedro Bonacossa, Secretário Geral Joênio Sampaio, Secretários Aldo Barroca e Ernandes Conceição, Tesoureiro Geral Jarbas Varejão, 1° Tesoureiro Idarício Brito, Assessor Antônio Bassini (Tunico), Diretor de Esportes Rubens Gomes, Diretor de Futebol Ayrton Pedra (Tom), diretor Departamento Juvenil Alfredo Barroca, Diretor de Patrimônio Ilson Oliveira, Diretor de Relações Públicas Luis Vieira, Diretor Social Bóris Castro, Diretor Departamento Feminino Alair Machado e Diretores Sociais Alexandre Barroca e Gilson Sales.

Em 1965 a diretoria mudou e, como eu já morava em outro bairro e trabalhando em local mais longe, preferi não continuar. Outros também não quiserem, por motivos pessoais.

Michel Sily, comerciante na Av. Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória, assumiu a presidência e a diretoria resolveu marcar um jogo contra o Santos, com Pelé e demais craques da famosa equipe. Na noite de 28 de julho de 1965, o Santo Antônio, muito popular na época, enfrentou o Santos no principal palco do futebol capixaba de então, o Estádio do Rio Branco, em Jucutuquara, agora do Ifes. A derrota era esperada, mas ninguém pensava que o Santo Antônio oferecesse tanta resistência, jogando tão bem, sem se intimidar com o fortíssimo adversário. Tinha um timaço, mas o Santos, da época, era o Santos! Adjalma Francisco Teixeira sofreu o único gol de Pelé em terras capixabas. O Santos com todos seus craques, sendo 5 bi-campeões do mundo: goleiro Gilmar, zagueiro Mauro, volante Zito, atacantes Coutinho e Pelé.

Ciro, do Santo Antônio, deu um lençol em Gilmar e fez um golaço. Sentindo a força do adversário, o Santos parou com o futebol exibição e partiu em massa para o ataque, comandado por Pelé. Jogo equilibrado, a defesa antonina vacilou ao deixar Pelé desmarcado na meia lua, na cobrança de uma falta: Pelé colocou a mão na testa e o resultado foi um belo gol de Pelé, de cabeça, no ângulo. O artilheiro Coutinho, especialista em tabelinhas com Pelé, fez dois gols, e o Santos venceu por 3x1. As equipes: Santo Antônio: Adjalma; Lacy (Orion), Fifi, Nilton e Carmino; Walter e Paulo Arantes; Telmo (Joel), Ciro, Belo (Pretti) e Sidney. Santos: Gilmar; Modesto, Mauro (Olavo), Orlando e Lima (Haroldo); Rossi e Zito (Joel); Peixinho (Toninho), Coutinho, Pelé e Abel.

Os golaços de Ciro do Santo Antônio e de Pelé do Santos foram os destaques. Pena que após o jogo, os santistas não conversaram com torcedores, crianças ou adultos, como os cariocas e mineiros faziam! E a vinda de Pelé deixou péssima recordação para a torcida maracanã: trouxe prejuízo para o Santo Antônio.

Vários fatores contribuíram para tamanha decepção: exagerada cota exigida pelo time da Vila Belmiro, ingresso muito caro e o povo que realmente freqüenta estádio não compareceu. Muitos foram assistir no Morro do Rio Branco. Além disso, quem lotava estádio eram os times do Rio, tendência que permanece até os dias atuais. Desinteressados em conhecer Vitória, visando apenas o lucro, ao contrário dos cariocas e mineiros, querendo regressar a São Paulo após o jogo, houve indefinição quanto a horário e local. Como os dirigentes santistas queriam que fosse quarta-feira à tarde, foi anunciado no Estádio Rubens Gomes, que não possuía refletores.

Ora, muitos anos antes, o Botafogo jogou com o Santo Antônio e os alvinegros conversaram comigo, outras crianças e adultos. Ao nos despedirmos, Garrincha falou para Nilton Santos: "Vamos tomar um drinque, compadre". Foram no bar em frente ao portão principal, o prédio era de meu avô materno. Fomos embora, os coleguinhas com cara de inveja e eu com cara de orgulho, pois dois bicampeões mundiais tomaram um drinque (ou seja, uma pinga) no bar do prédio de meu avô!

Continuando: Sendo dia normal de trabalho, as empresas não aceitaram fechar as portas, e o Santo Antônio convenceu o Santos a mudar horário e local do jogo para a noite, em Jucutuquara. Quem podia pagar entrou de graça, com convite: empresários e políticos! Se a cota não fosse tão alta, não houvesse tanta indefinição sobre dia, horário e local do jogo, o ingresso fosse acessível ao bolso do torcedor fiel e não dessem tantos convites, o Santo Antônio estaria em boa situação financeira.

Meu avô assistia aos jogos no Morro, alegando que as torcidas eram barulhentas, eu assistiria ao jogo com ele, mas meu irmão, administrando o futebol amador, conseguiu um convite pra mim. Quando entreguei o convite ao porteiro, um dirigente disse, com desdém: "Os convites foram destinados só para autoridades e empresários!". Muito sentido, tive vontade de sair e assistir no morro com vovô. Porém, ponderei: "Colaborei tanto com o time e quem jamais ajudou nem costuma vir aos estádios, ganha convite a troco de nada e assiste ao jogo de favor! E ainda vem um atual diretor, e juntos fizemos parte da diretoria anterior, me esnobar. Aliás, na verdade a intenção foi me humilhar, ora, eu tenho mais direito de ser convidado!".

Já com as finanças abaladas, o prejuízo contribuiu para a queda da briosa equipe do bairro de Santo Antônio. O presidente antonino colocou dinheiro dele e teve que fechar sua empresa. Aí começou a decadência do Santo Antônio.

Em 1987, o Campeonato Capixaba da 2a Divisão foi disputado por cinco clubes: Castelo, Industrial, Santo Agostinho, Santo Antônio e São Mateus. Portanto, um imperial, um da área produtiva e três santos. Os santos foram abençoados. O campeonato foi dividido em 2 fases: fase inicial com turno e returno e finais, que foram realizadas entre Santo Antônio, campeão do turno, e São Mateus, campeão do returno. Turno, 4ª rodada: Santo Antônio 2x1 São Mateus. Returno, 4ª rodada: São Mateus 4x1 Santo Antônio.

Primeiro jogo das finais: Santo Antônio 0x2 São Mateus, no Estádio Engenheiro Araripe. Uma semana depois, segundo jogo: São Mateus 2x1 Santo Antônio, no Estádio Sernamby.

Portanto, Campeão: São Mateus (1° título). Vice-campeão: Santo Antônio. Time do São Mateus: Zecão (Chico); Fumaça (Carlinhos), Amarildo, Batata e Lido; Toni, Gilson (João) e Zé Olímpio; Vando (Anselmo), Melito e Romildo; Treinador Cosme Maia. Preparador físico sargento Pacheco e massagista Jamil.

Foi o último título conquistado pelo Santo Antônio: vice-campeão da 2ª Divisão. Final melancólico para um time tão tradicional e brilhante, muito querido e respeitado no futebol brasileiro.

Em 1989 o Estádio Rubens Gomes foi vendido para o governo do Estado. Mais tarde, foi passado para a Prefeitura de Vila Velha, destinado à construção de uma Vila Olímpica para projetos sociais e esportivos.

A sede social em Santo Antônio é a única lembrança do tradicional e aguerrido time. Só não está totalmente abandonada por ter pessoas usando o local, mas não tem nada a ver com o Santo Antônio nem há mais atividades sociais.

Dois fatos foram decisivos para a paralisação do Santo Antônio: o frustrante jogo contra o Santos e o Estádio em Vila Velha, de difícil acesso, considerando que a única ligação entre Vitória e Vila Velha eram as Cinco Pontes, e o transporte coletivo, como sempre, precário. O Estádio Rubens Gomes poderia ser nas proximidades da Ilha das Caieiras ou, melhor ainda, onde hoje é o Sambão do Povo e PARQUE Tancredo Neves. Assim como o estádio do Rio Branco poderia ser nas proximidades do Quartel da PM. Eram espaços totalmente desocupados.

Resumindo, títulos do Santo Antônio:

Campeão Capixaba de aspirantes: 1 vez (1951).

Campeonato Capixaba: 6 vezes (1931, 1953, 1954, 1955, 1960 e 1961).

Taça Cidade de Vitória: 6 vezes (1931, 1953, 1954, 1955, 1960 e 1961).

Torneio Início do Espírito Santo: 3 vezes (1952, 1954 e 1965).

Vice Campeão Capixaba da Segunda Divisão: 1 vez (1987).

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, nº 70, ano 2014
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2014

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