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Semana Santa – Por Edward Athayde D’Alcântara

Igreja do Rosário, 2017 - Foto: Monica Boiteux

Domingo de Ramos. Início da Semana Santa. Vila Velha se prepara em abstinência, com orações durante as cerimônias da Páscoa: Lava-pés, Trevas, Aleluia e Ressurreição. Em volta da Igreja do Rosário os fiéis com ramos comemoram a chegada de Jesus a Jerusalém.

Quarta- Feira, o Lava e Beija-pés. Um grupo de doze meninos nervosos, inclusive eu, à espera da cerimônia. Enquanto esperam, os meninos a todo instante examinam se os pés estão limpos, alguns trazem folhas de alecrim para esfregar nos dedos dos pés.

Quinta- Feira, saem da Igreja do Rosário, em procissão, as Filhas de Maria conduzindo o andor de Nossa Senhora das Dores. Deixando livre o centro da rua, vão em frente seguidas pelas irmandades do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário.

Em outro sentido segue a procissão dos homens carregando o andor de Nosso Senhor dos Passos, em formação idêntica às das mulheres.

Completando o roteiro pré-estabelecido, as duas procissões retornam e se encontram no adro da Igreja. O padre Barros, em prédicas emocionantes, provoca o choro em muitos fiéis.

Sexta-feira da Paixão, procissão do Senhor Morto. A Verônica e as Três Maria, seguem à frente do cortejo fúnebre e no final do mesmo a banda do 3º BC executa músicas fúnebres. Uma grande emoção invade o coração dos fiéis.

Neste dia se guardava o luto na residência dos católicos. Havia família que nem varria a casa e tudo era silêncio. O pai avisava: “Olha! Todo mundo bem comportado porque vamos respeitar a Paixão de Cristo”. Se houvesse desobediência o castigo seria dado no sábado após a Aleluia. As crianças respeitavam e não lembro se algum dia nossos pais realizaram tal castigo prometido.

Sábado de Aleluia. O povo está triste e as crianças querem malhar o Judas, o traidor! Como demorava dar dez horas! Armados de paus e cabos de vassouras esperam o repicar do sino da Penha. Dá a hora, alguém sobe no poste e retira o Judas e põe fogo; as pauladas começam e um dos meninos sai correndo pela rua arrastando o Judas e os outros acompanhando, batendo até destroçá-lo.

 

Fonte: Memória do Menino...e de sua Velha Vila, 2014
Autor: Edward Athayde D’Alcântara
Produção: Casa da Memória de Vila Velha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2020

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