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Seminário – Bacias hidrográficas dos Rios Jucu e Santa Maria

Foto: Acervo Elson Gatto Filho, 1986

Pela primeira vez na história, as 10 prefeituras que compõem as bacias hidrográficas dos rios Jucu e Santa Maria vão debater os problemas em conjunto e propor soluções. Tudo isso com o auxílio de especialistas franceses.

É que vai ocorrer nos próximos meses, no Centro de Convenções de Vitória, o “Água 2007 – Seminário Internacional de Recursos Hídricos”, com o tema Gestão de Bacias Estratégicas.

A partir do conhecimento científico que será apresentado nas palestras, o seminário pretende diagnosticar os problemas enfrentados nas bacias e sugerir as medidas apropriadas para resolvê-los.

Para isso, vai contar com a orientação de técnicos da agência da bacia do Sena e Normandia, que estão num processo de gestão mais avançado – o modelo francês é de 1964, enquanto o brasileiro data de 1997.

“Queremos saber deles quais são os caminhos que os comitês devem seguir para atingir os objetivos com maior rapidez”, informou o presidente da Ecobacia, Alberto Pêgo, um dos responsáveis pela organização do evento.

Além das 10 prefeituras e a Ecobacia, o governo do Estado, por meio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), e a Associação Barrense de Canoagem (ABC) estão envolvidos com a realização do seminário.

Outras ações nas bacias

Ligação de esgoto – A Secretaria de Meio Ambiente de Domingos Martins, em parceria com Promotoria do Ministério Público Estadual (MPE) no município, realiza uma campanha para que os moradores realizem a ligação do esgoto doméstico à rede coletora da Cesan, uma das condicionantes para instalação da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) SãoPedro, no distrito de Panelas.

Pesquisa no rio Jucu – O Estudo Hidrosedimentológico da Bacia do Rio Jucu, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) e capitaneado pela professora da Ufes Valéria Quaresma, investiga quanto o rio recebe de sedimento e transporta como carga de fundo, o que trará resultados para o conhecimento da qualidade da água (turbidez), na dispersão de poluentes orgânicos e metais pesados.

Certificação de produtos orgânicos – Graças à atividade pioneira de importantes lideranças da agricultura orgânica, especialmente a Certificadora Chão Vivo, os produtores rurais das bacias dos rios Jucu e Santa Maria começam a se tornar referências estaduais na produção de alimentos livres de agrotóxicos.

Atualmente os produtos já são vendidos nas feiras livres de Jardim da Penha, em Vitória, e Praia da Costa, em Vila Velha, além de supermercados. Duas escolas da Prefeitura de Vitória estão em projeto- piloto para utilizar os produtos na merenda escolar.

Incentivo ao artesanato local – A ONG Amar Caparaó vem servindo de incubadora para o Projeto “Amar Arte”, um embrião de cooperativa de produção artesanal e de indústria caseira na bacia do rio Santa Maria da Vitória.

Preservação do macaco muriqui – No ProjetoMuriqui, o Instituto de Pesquisa da Mata Atlântica (Ipema) busca entender o padrão de distribuição espacial do animal na região de Santa Maria de Jetibá, analisando os fatores necessários à preservação da espécie, que está ameaçada de extinção.

Reciclagem de lixo – Inspirados nos trabalhos de proteção ao meio ambiente iniciado pelo naturalista Roberto Kautsky, foi elaborado o Projeto “Reciclando com Cidadania”, com busca conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem do lixo em Domingos Martins.

Educação ambiental – A Associação Amigos do Mochuara (Assam) desenvolve atividades de educação ambiental junto aos produtores rurais do entorno do monte, que é símbolo do município de Cariacica.

Fonte: Pesquisa A Tribuna

Principais problemas dos Rios Jucu e Santa Maria

“Com as chuvas, o solo desprendido é carreado para dentro do rio causando a formação de bancos de areia, diminuição da lâmina d’água e aumento da turbidez, que diminui a balneabilidade e a atratividade do rio”, conta o gerente de Recursos Hídricos do Iema, Fábio Ahnert.

Situações críticas em alguns pontos

As regiões hidrográficas dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória registram a maior versatilidade de usos da água no Espírito Santo. Talvez em sua função disso, verifica-se uma grande diversidade de problemas derivados da ação humana, que comprometem a quantidade e a qualidade dessas águas.

O Índice de Qualidade da Água (IQA) médio na bacia do rio Jucu, entre os anos de 1998 e 2006, demonstra predominância de qualidade boa, segundo dados do Iema.

“Porém, em alguns locais, a situação é crítica. Uma pesquisa recente aponta que foram registrados 47mil coliformes fecais em um copo (100 mililitros) de água, ou seja, a poluição está 47 vezes maior do que é o tolerável”, afirma Paulo Sérgio Reetz, vice-presidente da diretoria provisória do comitê do rio Jucu.

Estradas mal planejadas

A abertura de estradas vicinais mal planejadas e executadas de modo improvisado é responsável, segundo um estudo, por 70% do assoreamento dos rios.

Alta concentração de ferro

Característica nas duas bacias, a alta concentração de ferro dissolvido total nas águas dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória é explicada pela natureza dos solos das bacias, o latossolo do tipo una, rico em óxidos de ferro.

“A intensa e desordenada urbanização e o desmatamento nas áreas da bacia devem estar favorecendo a erosão desses solos e a chegada do ferro, por lixiviação, nas águas do rio”, explica o presidente do Instituto Ecobacia e ambientalista, Alberto Pêgo.

Uso indiscriminado de agrotóxicos

Entre as práticas agrícolas inadequadas utilizadas nas bacias dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória, o uso indiscriminado de agrotóxicos – a região tem larga tradição na produção de alimentos – é um dos mais preocupantes.

Dados empíricos demonstram que o consumo de agrotóxicos na região é bastante elevado e que sua utilização, na maioria das vezes, acontece sem a observância de normas mínimas de segurança para o manipulador, a cultura, o solo, os rios, os peixes, as criações e o homem.

Desmatamento, erosão e assoreamento

O desmatamento, a erosão e o assoassoreamento são problemas comuns em áreas de preservação permanente, como topos de morros e encostas de alta declividade, nascentes de córregos e rios, e nas matas ciliares dos cursos d’água.

Dentre as principais causas estão o modelo de atividade agrícola desenvolvido nas bacias dos rios Jucu e Santa Maria que demonstra: utilização de queimadas como forma de preparação do solo e pastoreio excessivo do gado.

Esgoto sem tratamento

A principal causa de contaminação dos rios é o lançamento de grandes cargas de esgoto sem nenhum tratamento. A contribuição das indústrias, matadouros e frigoríficos, e, especificamente nas áreas rurais das bacias, pocilgas e criadouros de animais, maximizam o problema.

“Há sérios problemas de esgoto nas cabeceiras. As cidades lançam sem tratamento ou com tratamento inadequado. Isso se reflete em lagos eutrofizados (com grande incidência de algas)”, conta o especialista em recursos hídricos Antonio Sérgio Ferreira Mendonça.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Jucu – 26/08/2007
Autora: Flávia Martins
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016

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