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Teatro, Cinema e Videobrincadeira – Panorama Capixaba (1992)

Cena do filme Moças de Fino Trato, rodado no Espírito Santo

Teatro

A salvação é a Lei Rubem Braga

Retrospectiva: até 1979, havia público, principalmente universitário, para o teatro de Vitória. Havia produções de qualidade e dava para viver da atividade, logo invadida por arrivistas que espalharam na rua a imagem de que o teatro era ruim. A queda foi geral. Muitos artistas se tornaram funcionários públicos, graças à proliferação da mentalidade segundo a qual dar emprego era dar apoio ao artista.

Segundo o diretor e ator teatral Cláudio Gobbi, existe agora a possibilidade de se recuperar o teatro capixaba, com a retaguarda da Lei Rubem Braga, criada pela Prefeitura de Vitória para estimular a produção cultural. Mas o apoio financeiro resolve apenas uma parte do tripé de dificuldades do teatro no Espírito Santo. Além do patrocínio, há também problemas para formar profissionais e atrair outra vez o público, que fugiu do teatro por não encontrar bons espetáculos.

Por falta de uma base ética, entretanto, ocorre-se o risco de viver a mesma história de novo. "O teatro capixaba é uma espécie de teatro do eu sozinho", diz Gobbi. "Eu escolho o texto, eu produzo e escolho quem pode atuar comigo". Falta consciência aos produtores. Há um hiato entre os artistas veteranos e os "novos". E escasseiam os espaços para encenações, como o Teatro Carlos Gomes, fechado pelo Governo sem que houvesse um orçamento da reforma prometida.

 

Videobrincadeira

O movimento de produção de vídeo no Espírito Santo nasceu na década de 70, quando surgiram as emissoras de TV. Mas foi na década de 70 que as produções tomaram impulso, com a adesão da TV Gazeta ao Festival de Verão da Rede Globo, ganho pelo vídeo Os Pomeranos. A TVE também implantou um sistema de produção de vídeos, numa linha educativa, ruas isso não foi suficiente para manter a qualidade.

"As produções não são levadas a sério", afirma o crítico Amylton de Almeida, que condena o excesso de experimentalismo, vanguardismo e outros ismos na produção capixaba de vídeo. O que há de positivo em Vitória, acrescenta ele, é que tem muita gente interessada no assunto, produzindo. Tanto que a cidade criou e manteve, pelo terceiro ano, o Festival Nacional de Vídeo.

Cinema

Uma idéia na cabeça e o Bandes atrás

Nos anos 60, Vitória teve um movimento cinematográfico em torno de curtas-metragens. O estimulo vinha do Jornal do Brasil, do Rio, que promovia um festival de cinema amador. As produções capixabas foram poucas e nenhuma alcançou prêmio ou fama.

A produção cinematográfica capixaba, liquidada nos anos 70 com a implantação de emissoras de TV, começa a surgir agora graças a financiamentos oferecidos pelo sistema estadual de incentivos fiscais gerido pelo Bandes e o Geres. Em 1991, foi liberado dinheiro para a filmagem de Moças de Fino Trato, de Paulo Thiago. Recentemente, foram aprovados mais dois projetos: Lamarca o Capitão, da Vitória Produções Cinematográficas, e O Amor Está no Ar, da produtora Corpo e Imagem, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas do Estado do Espírito Santo.

Roteirista e diretor de O Amor Está no Ar, o jornalista e crítico de cinema Amylton de Almeida acredita que os financiamentos do sistema Bandes/Geres podem sustentar uma produção cinematográfica no Espírito Santo, não só pelas locações feitas no Estado, mas pela liberação de verbas para o curso de cinema do Departamento Estadual de Cultura, que vai formar atores, técnicos e roteiristas.

 

Fonte: Os Capixabas, A Gazeta 14/12/1992
Pesquisa e textos: Abmir Aljeus, Geraldo Hasse e Linda Kogure
Fotos: Valter Monteiro, Tadeu Bianconi e Arquivo AG
Concepção gráfica: Sebastião Vargas
Ilustração: Pater
Edição: Geraldo Hasse e Orlando Eller
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016



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