Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Thomas Cavendish e as peripécias de um desembarque malsucedido (1ª Parte)

Piratas - Sirs John Hawkins - Francis Drake - Thomas Cavendish

Tão antiga quanto a própria historiografia das campanhas militares, são as narrativas dos desembarques armados, através do tempo.

A batalha naval de Salamina, ocorrida em 480 a. C., entre gregos e persas, assim como a derrota ateniense, no malfadado desembarque em Siracusa, na costa siciliana, em 413 a. C durante a guerra do Peloponeso, são exemplos de desembarques, nas Guerras Antigas.

Fastidioso seria citar, a esse respeito, as contendas medievais e da Idade Moderna, bastando simples referência a alguns desembarques bem-sucedidos, das conflagrações do Século XX, também denominadas Guerras Contemporâneas.

Modelos perfeitos de planejamento estratégico e coordenação tática, foram o desembarque alemão na Noruega, em 1940 e os assaltos das tropas aliadas à costa tunisiana e ao litoral da Sicília – ambos no Mar Mediterrâneo – em 1943.

Também a conflagração entre americanos e japoneses, no transcurso da Segunda Guerra Mundial, foi pródiga em desembarques armados, dado seu caráter típico de guerra naval.

Pertence, portanto, ao desembarque aliado no litoral da Normandia, na costa francesa ocupada pelos exércitos alemães, a glória de figurar como o mais importante e bem-sucedido assalto marítimo de todos os tempos.

Iniciado no dia 06 de junho de 1944, contra a chamada “Fortaleza Européia de Hitler”, constitui obra prima de elaboração e execução de um projeto militar.

Nada foi deixado aos caprichos do acaso, pois o planejamento estratégico abrangeu uma infinidade de alternativas e pormenores. Até mesmo a construção de quilométrico cais transportável, teve início, na Inglaterra, a fim de facilitar o desembarque das tropas, veículos militares, armas e munições, nas praias normandas. Para isso, construíram-se cento e quarenta e sis gigantescos “caixões-fênix”, em ferro e concreto armado.

Nos dias subseqüentes ao desembarque das primeiras unidades de combate, foram essas secções de cais rebocadas, peça a peça, através do Canal da Mancha, manobradas e fixadas na posição exata, conforme o aclive do fundo do mar, na Normandia.

Os ingleses protagonizaram dois desembarques, em épocas distintas em sua história militar. Um deles é recente e ocorreu no transcurso da Primeira Guerra Mundial, no Estreito de Galípoli – litoral da Turquia – em 1915.

Tinha por objetivo forçar a passagem dos Dardanelos, e embora poderoso pelo número de tropas, armamento e embarcações que o compuseram, não obteve sucesso. Sobre esse desembarque existe literatura abundante.

O outro insucesso inglês foi de pequena monta e discreto registro na literatura militar. Teve lugar na atual baía de Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo, denominada à época (fevereiro de 1592), de barra do Espírito Santo, na Capitania do mesmo nome, no litoral leste do Brasil-Colônia, então pertencente à Coroa portuguesa.

Do ponto de vista militar, tão modesto desembarque configura uma ação beligerante entre pequenas unidades combatentes: marinheiros ingleses, com efetivo aproximado do valor de uma companhia de combate, deslocando-se a remo, em dois lanchões, aos quais se contrapunham tropas terrestres portuguesas apoiadas por um contingente de índios flecheiros, convocados ao combate pelos padres jesuítas.

A respeito desse episódio, a literatura é pobre e imprecisa, o que motivou as apreciações e confrontações entre relatos ingleses, portugueses e brasileiros, que se seguirão.

 

Autor: Zoel Correia da Fonseca
Fonte: Textos de História Militar do Espírito Santo – Coleção João Bonino Moreira – vol. 3
Compilação por: Getúlio Marcos Pereira Neves. Vitória, 2008.



GALERIA:

📷
📷


História do ES

Fonte Capichaba

Fonte Capichaba

A velha lenda diz: “Quem bebe água na fonte da Capichaba, não sairá de Vitória” e é uma verdade...

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Comentários da Invasão de Cavendish (7ª Parte)

Os historiadores José Teixeira de Oliveira e Maria Stella de Novaes fazem referência ao cacique Jupi-Açu e seus duzentos índios, acampados nas imediações de Vila Velha

Ver Artigo
Epílogo da invasão de Thomas Cavendish (8ª e última Parte)

Como decorrência da apreciação analítica da passagem de Cavendish pelo Brasil quinhentista, dirimir-se-ão algumas dúvidas; velhas certezas poderão ser questionadas

Ver Artigo
O Combate na Baía do Espírito Santo - Cavendish (5ª Parte)

O capitão Morgan lembrou minhas palavras aos marinheiros, mas alguns “cabeças-duras” começaram a praguejar, dizendo que sempre consideraram Morgan um covarde, que fingia sofrer de diarréia, para fugir da briga, quando na verdade, se borrava de medo de tudo

Ver Artigo
Resumo da narrativa de Thomas Cavendish (6ª Parte)

"Revogaram minha licença de marinheiro. Essa nada edificante aventura pelos Mares do Sul fechou as portas do Sete Mares para mim”

Ver Artigo
Desembarque inglês na Baía do Espírito Santo (3ª Parte)

Chegando o ano de 1592, o pirata inglês Thomas Cavendish, depois de repelido da Capitania de São Vicente, onde perdeu muita gente, reuniu-se ao navio Roebuck – comandado pelo capitão Roberto Morgan – e continuando a assolar as costas do Brasil, veio ter à Capitania do Espírito Santo

Ver Artigo
Os erros de Thomas Cavendish - Assalto à barra do Espírito Santo (4ª Parte)

"No meu barco havia um marinheiro português. Ele veio para mim e garantiu com a própria vida, que dirigiria meus dois navios, sem acidentes, até à barra do Espírito Santo"

Ver Artigo
Considerações acerca do desembarque inglês na Baía de Vitória, em 1592 (2ª Parte)

A escaramuça dos marujos de Thomas Cavendish não pode ser considerada como simples e inconseqüente ato de pirataria

Ver Artigo