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Tipos Populares da Praia do Canto - Por Sandra Aguiar

Zé Pretinho tem patrimônio com o bar esquina venda

Inúmeros personagens fazem parte da história do bairro. Quase todos ganharam popularidade vendendo produtos diversos nas ruas, prestando serviços nas casas dos chamados ricos.

Sr. Vicente Bananeiro, um preto velho, chapéu e mãos trêmulas, grandes e redondas cestas com cachos de banana-ouro, prata, da-terra, pencas de vez, cachos maduros. De acordo com descrição do historiador Fernando Achiamé, dançava uma dança esquisita, a "dança dos aflitos".

Para muitos deles, Achiamé também fez versos:

Zé do Coco — falecido recentemente — o pernambucano que também foi jardineiro e porteiro, um contador de casos e dono de conversa fiada, dono do facão, instrumento de trabalho e arma, na hora da arruaça.

Galo Velho, o limpador de caixa d'água, bom tomador de cachaça e desentupidor de fossas. 

Zé Pretinho, baiano que se casou na capela perto do Hospital Infantil, em 1936, e "se casou" com bar-esquina-venda de Santa Lúcia (não havia um limite bem definido na época entre esse bairro e a Praia). Ainda de pé a venda e o homem, filho de porta-estandarte da Mocidade Independente, ex-funcionário do consulado americano, na Moacir Avidos, ex-verdureiro, que substituiu a gôndola pelo carrinho de mão, e entregador de gás antes de ser dono de bar.

Tem mais:

Dona Emilie, que suportava a saudade do Líbano pregando botões, chuleando bainhas, transformando sobra de tecido em roupas pequenas para filho de madame usar. Usou véu negro e se agarrou à Bíblia para espantar os demônios.

Motinha, o pintor de parede.

Sr. Arnõ, que recolhia e vendia as garrafas de cachaça de encruzilhada.

Melo Bico, motivo de divertimento de uns e de medo de outros:

"Melo Bico, a que tropeça nas ruas

cesta-garrafa-copo-pente-bebida

tropeça nas ruas

voz rouca fala

voz rouca xinga

rouca grita, xinga, fala, tropeça

tropeça nas ruas

bebe tanto Melo Bico bebe

bebe muito

muito mais

muito mais mesmo

tropeça nas ruas

bebe mais

tropeça nas ruas

e pára

da cesta tira garrafa

da cesta tira copo

bebe cachaça

tropeça nas ruas

da cesta tira o pente

e se penteia

bebe e se penteia, bebe e se penteia, bebe e se penteia

e mija em pé

bebe mais

tropeça nas ruas

fica eterna — não eterna ali, não eterna aqui

eterna para sempre."

Maria Cachucha. Entre os que mendigaram nas ruas tinha, ainda, Isso ontem. Hoje tem muito mais — são centenas de anônimos, de catadores de papel a vendedores de pamonha.

Raul Seixas, o mendigo jovem, cuja aparência em nada lembra o cantor do rock nacional: pele clara, cabelos claros e encaracolados, sorriso ingênuo. Talvez por pura identificação com o "Maluco Beleza". Pacífico, ele aborda os que trafegam dia ou noite nas imediações da imensa Reta da Penha e oferece ajuda às donas de casa com sacolas na mão, em troca de moedas para comprar comida e bebida e pão. Dá bom-dia, boa-tarde, boa-noite e dorme nas calçadas dos shoppings, forradas com papelão.

 

Fonte: Praia do Canto – Coleção Elmo Elton nº 4 – Projeto Adelpho Poli Monjardim, 2000 – Secretaria Municipal de Vitória, ES
Prefeito Municipal: Luiz Paulo Vellozo Lucas
Secretária de Cultura: Cláudia Cabral
Subsecretária de Cultura: Verônica Gomes
Diretor do Departamento de Cultura: Joca Simonetti
Administradora da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim: Lígia Mª Mello Nagato
Conselho Editorial: Adilson Vilaça, Condebaldes de Menezes Borges, Joca Simonetti, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lígia Mª Mello Nagato e Lourdes Badke Ferreira
Editor: Adilson Vilaça
Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Cristina Xavier
Revisão: Djalma Vazzoler
Impressão: Gráfica Santo Antônio
Texto: Sandra Aguiar
Fotos: Cláudia Pedrinha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2020

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