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Tomé de Sousa visita a Capitania do ES

Tomé de Souza, autoria de Idalina Tavares - Oléo sobre tela, 1999, Bahia - Reprodução: Antonio Queirós - Fonte: Câmara Municipal de Salvador

Outro grande acontecimento foi a visita do governador geral, ocorrida em dezembro de 1552.(14) Relatando ao soberano as principais providências tomadas durante a viagem, que se estendeu até São Vicente, Tomé de Sousa frisou:

“Todas as villas e povoações de engenhos desta coosta fiz cerquar de taipa com seus balluartes he as que estavão arredadas do mar fiz cheguar ao mar e lhe dey toda a artelharia que me pareceo necesaria, a quall está entregue aos vossos almoxarifes por que os capitães nam querem ter a que são obriguados a ter nem tem fazendas por honde os obrigue a yso hordene V. A. nisto o que lhe parecer seu serviço e mandey em todas as villas fazer casas de audiencia e de prisão he endereitar allguas ruas o qe tudo se fez sem opressão do povo he com folleguarem muito de o fazer que disto são grande parteira”.(15)

O Espírito Santo deve ter-se beneficiado dessas obras, embora não se conheçam referências especiais à matéria e os termos da carta sejam tão gerais. Antes daquele trecho, já recordado nesta obra, em que fala da abastança da capitania e reclama a presença de Vasco Coutinho, Tomé de Sousa queixa-se acerbamente dos administradores que encontrou à frente dos vários senhorios, concitando o monarca a que obrigasse os próprios donatários a virem dirigir suas colônias.(16)

Dessa visita se conhecem, além das nomeações referidas (foot-note n.º 14), a autorização dada por Tomé de Sousa para que Manuel Ramalho(17) fosse ao sertão da capitania.(18)

 

NOTAS

(14) - Depois da publicação do Traslado da Carta por que o Governador Thomé de Souza proveu de Escrivão da Provedoria, Feitoria, e Almoxarifado, e Alfandega da Capitania do Espirito Santo a Manoel Ramalho morador na dita Capitania (DH, XXXV, 162-3) e do Traslado da Carta do Officio de Provedor da Capitania do Espirito Santo, de que foi provido Bernaldo Sanches Pimenta (DH, XXXV, 160-1), não pode haver mais dúvida sobre a época da excursão de Tomé de Sousa aos portos do sul do Brasil. Aqueles documentos foram passados na vila da Vitória em onze e dezenove de dezembro de 1552, respectivamente. A vinte e sete de novembro do mesmo ano, Antônio Cardoso de Barros, provedor-mor, nomeava a Domingos Martins para o cargo de porteiro da Alfândega de Porto Seguro (DH, XXXV,159-60). Como se sabe, Cardoso de Barros participava da comitiva do governador geral. De dezoito de novembro é a carta de nomeação de João Gonçalves Dormundo para provedor da Fazenda de Ilhéus (DH, XXXV, 157-8). Como elementos subsidiários, poderíamos citar MANUEL DA NÓBREGA (Cartas, I, 401-9 e 420-4, esta última datada de S. Vicente, doze de fevereiro de 1553).

(15) - Carta de Tomé de Sousa de primeiro de junho de 1553, já citada (foot-note n.º 34, do capítulo IV).

(16) - “Como dise a V. A. não farey senão as lembranças muito necessárias sem as quais esta terra se não podera sustentar senão se hum homem pode viver sem cabeça. V. A. deve mandar que os capitães proprios residão em suas capitanias e quando isto não for por allgûns justos respeitos ponhão pesoas de que V. A. seya contente porque os que aguora servem de capitais não os conhece a may que os pario” (HCP, III, 365).

(17) - Manuel Ramalho – Teve de Antônia Pais (índia) um filho, Jácome de Queiroz, que veio a ser cônego da Sé da Bahia e tomou parte, como capelão, na bandeira de Gabriel Soares (CALMON, Hist. Brasil, I, 423). Jácome de Queiroz figura tristemente – segundo o eufemismo de RODOLFO GARCIA – nas Confissões, 46; e Denunciações, 399.

(18) - DH, XIV, 305-6.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

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