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Tropeiros

Tropeiros de Ibatiba

A Festa do Tropeiro, em Ibatiba, é uma oportunidade de descortinar um fragmento da história do nosso Estado. Um tempo em que os dias passavam devagar, que as crianças brincavam à beira do rio, que os homens saiam cedo para a labuta, enquanto as mulheres se envolviam com as tarefas domésticas.

Toda essa calmaria só entrava em descompasso com a chegada dos tropeiros. O primeiro sinal era dado pelos latidos dos cachorros vira-latas no terreiro. Era a tropa chegando. Os caminhos eram longos, levava-se muito tempo para a chegada de uma tropa. Era um momento especial na vida daquelas pessoas. Os que chegavam de longe e os que estavam ali, esperando os tropeiros, os mulares, os cavalos e as novidades.

Os homens colocavam a conversa em dia, política, colheita, negociavam a compra de um machado novo. As mulheres acendiam o fogo, aumentavam o almoço e corriam para escolher uma renda para o enxoval da filha mais velha. As crianças cuidavam dos animais, davam água e riam. Um café coado na hora, uma broa de milho. O tempo só voltava à normalidade depois que a tropa partia.

A partida também era alegre pois todos sabiam que daqui mais um tempo vinha outra tropa, outras novidades, outra gente, outro passar do tempo. Ibatiba foi durante muitos anos o ponto de ligação do Espírito Santo com Minas Gerais. Os tropeiros iam para Minas carregados de alimentos, produto escasso numa terra onde diamantes e pedras preciosas afloravam na terra, e voltavam com as riquezas das Minas Gerais.

O Espírito Santo era a muralha verde protetora dos tesouros da Coroa. Muralha que era percorrida na cadência sincronizada dos passos dos animais. Foram os tropeirois os primeiros a percorrer os caminhos da Rota Imperial, caminho rasgado em nossas matas por ordem do Imperador.

Participar da Festa do tropeiro em Ibatiba é reviver a história, é dar valor a um legado precioso da gente do Espírito Santo, da nossa gente.

Homens com as mãos calejadas de lidar com as rédeas e outras tralhas de mula, que percorreram as veredas do nosso Estado em um ir e vir incansável, transportando as mercadorias, fundando vilarejos, roubando suspiros das moças, fazendo o Espírito Santo.

A Festa do Tropeiro acontece sempre no mês de setembro.

 

Por: Luzia Toledo (Presidente da Comissão de Turismo e Desporto da ALES)
Publicado originalmente em A Gazeta, 04/11/2009

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Eu servi no 3º BC , hoje 38º BI (Batalhão de Infantaria), em 1957 (eu nasci em 1938...! ! ! parece que foi ontem...) e algumas vezes eu ia até este matadouro, acredito já era desativado.

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