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Um grito ecológico em 1925

Na Rua Luciano da Neves, onde vê-se um bonde circulando, observa-se também a residência do Desembargador Ferreira Coelho, onde hoje está instalado o Colégio São José. Mais a frente vê-se um Jequitibá monstruoso (que pode ter sido o que foi derrubado)

A CAIPIRADA EM ACÇÃO

Existia nas proximidades da casa de residência do ilustre jurisconsulto Ferreira Coelho, nesta cidade, uma belíssima árvore, cheia de musgos em longas tranças pendentes de sua farta ramagem, que, na opinião de nossos antigos e modernos habitantes, era um atestado glorioso do que foi a nossa floresta há séculos atrás e da fertilidade do nosso solo.

O vandalismo, a falta de amor a natureza e a ignorância induziram os nossos caipiras a derrubá-la com a aquiescência criminosa do proprietário do terreno.

Não houve também, infelizmente, no momento quem advertisse aos nossos impiedosos lenhadores de capoeira que o tronco, que tão furiosamente golpeavam na ânsia de vê-lo tombar estrepitosamente, era o depositário dos queixumes e alegrias, dos planos guerreiros dos nossos famosos indígenas, que fugiam aos meandros das grutas da Penha, quando mais forte, mais intensa e heróica se tornou a luta dos nossos destemidos missionários da instrução e civilização.

Ainda hoje grande é o numero de pessoas que comentam, indignadas a selvageria de “nossos fazedores de deserto”.

Abaixo transcrevemos, de uma das primorosas produções do grande literato patrício Coelho Neto, poder-se-á avaliar o crime praticado pelos inconscientes devastadores de nossa floresta.

“A cerimônia que realizais com tão lidas hóstias verdes, infantes anunciadores da renascença florestal, é o culto da Terra criadora e a mesma árvore que plantais, crescendo, alteando a fronde, vos levará os olhos para as alturas como a ensinar-vos o caminho da Graça. As suas raízes são da terra, como nosso corpo mas suas franças são do Céu, como nossa alma. Fazei com elas o que Deus fez convosco; dai-lhes o vosso amor e elas responderão com a Força, com Fertilidade, com a Saúde, os três aspectos da Beleza ideal, que é o Amem das árvores agradecidas”.

Que o exemplo não venha a ser imitado por outros tantos vândalos que por aqui perambulam, são os votos que fazemos.

Observação: Somente o nome do jornal “Pharol”, e o título do artigo “a caipirada em acção”, mantiveram a ortografia original.

 

O Pharol - Jornal Independente

ANO II Cidade do Espírito Santo, 9 de Março de 1925 N. 7
DIRETOR: Miguel Aguiar
GERENTE: A. SIMÕES
Semestre............3$500
Trimestre............2$000


Artigo de Miguel Aguiar do jornal O PHAROL (de 1925)
Transcrito por: Edward A. D’Alcantara, 2000

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