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Um jornalismo que já pertence ao passado - O DIÁRIO, 13/08/76

Plínio Marchini

Jornalista de formação tempestuosa, nascido que foi de uma época virulenta nos meios da imprensa local, Plínio Martins Marchini atingiu a maturidade de sua carreira numa fase em que era contratado com a finalidade única de fazer editoriais apaixonados, quase sempre em defesa de políticos que eventualmente acumulavam as funções de diretor-presidente dos jornais da terra.

Em O DIÁRIO, Plínio pôde exercer com plenitude esta sua peculiar tarefa. Foi aqui que em defesa do quase lendário governador Francisco Lacerda de Aguiar, Plínio conheceu as primeiras agruras dos processos por calúnia, instância a que recorriam todos aqueles atingidos pelo duro verbo da imprensa, nos tempos em que não havia, ainda, a Lei de Imprensa.

Na realidade, Plínio Marchini teve de enfrentar a Justiça, pelo mesmo motivo, por muitas vezes, sendo que apenas do então governador Carlos Lindenberg sofreu nada menos que 11 processos.

Um deles, no entanto, estava fadado a ficar na história da imprensa capixaba: o governador Carlos Lindenberg, tomado de profunda ira, processou o jornalista que havia escrito um debochado editorial, no qual lhe atribuía o pouco saudável apelido de "papa-terra", que aliás serviu de título para o artigo de fundo. O apelido transformou-se num espinho venenoso nas mãos dos inimigos políticos do aristocrático governador, que não viu outra saída além de levar Plínio Marchini às barras dos tribunais. A queixa-crime exigia que o jornalista provasse as insinuações de que o venerando político utilizava métodos pouco ortodoxos para anexar propriedades tidas como terras devolutas, ao seu já respeitável patrimônio.

No final da história, Plínio se livrou da incômoda situação, mas acabou criando para si um verdadeiro pesadelo: por 11 vezes teve de repetir o ritual, comparecendo perante o juiz para se descartar das azedas queixas-crime do ofendido governador Lindenberg. Até que o tempo se encarregou de apagar vestígios e até mesmo de, ironicamente, conduzir o mesmo indefectível Plínio Marchini a um honroso cargo de confiança na próspera empresa jornalística do ex-governador Lindenberg.

A fim de melhor ilustrar os contrastes que, quase sempre, regem a vi da imprensa e de seus integrantes, publicamos um dos famosos editoriais de Plínio Marchini, que tantas dores de cabeça lhe trouxeram.

 

Fonte: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1ª edição, Vitória – 1998.
Projeto, coordenação e edição: Antonio de Padua Gurgel
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2018

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