Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Vasco Fernandes Coutinho - Parte I

Tela de Morgana de Sá retratando a chegada do Donatário Vasco Fernandes Coutinho

Vasco Fernandes Coutinho foi fidalgo da Casa Real portuguesa, segundo registro do próprio D. João III, na carta de doação e no foral da capitania que seria a do Espírito Santo. No primeiro daqueles documentos vai mais longe o rei: assinala que a doação a Vasco Fernandes representava mercê aos muitos serviços prestados à Coroa Portuguesa, “nestes Reinos (Portugal) como em África e nas partes da Índia onde serviu”. Sempre dando de si boa conta – acrescenta noticioso o soberano.

Eis, portanto, passada sob chancela real, a folha de serviços do nosso donatário antes da vinda para o Brasil.

Compulsando velhas fontes, lograram os historiadores colher outras referências sobre Vasco Coutinho.

Goa, Malaca e China, citam-se entre as partes do Oriente onde teria servido, ao comando do intrépido Afonso de Albuquerque, conquistador das Índias. Tais andanças ultramarinas valeram-lhe sem dúvida experiência nas campanhas de conquista, e contribuíram para lhe acentuar o ânimo aventureiro. É de se crer haja capitalizado lucros financeiros. Pelo menos, na época da doação das cinqüenta léguas de terra na costa brasileira, desfrutava situação econômica tranqüila e cômoda que lhe permitia vida folgada na Metrópole.

Possuía bens e haveres: na vila de Alenquer, uma quinta, e propriedades em Santarém.

Do erário português auferia ainda, mensalmente, a título de remuneração por serviços prestados à Coroa, tença de trinta mil reais.

De todo esse patrimônio se desfez o donatário para levantar os recursos necessários à colonização da capitania. Nada poupou. Mesmo a pensão régia, trocou-a por navio e provisões, conforme consigna o Alvará datado de 14 de junho de 1534.

Despojando-se, como se vê, irremediavelmente, de tudo quanto tinha, arrojou-se Vasco Fernandes ao destino de conquistar um Mundo Novo que nem mesmo conhecia.

Que motivos o impeliram? O desejo de aventuras, a ambição da riqueza fácil vislumbrada nas cintilações fabulescas do El-dorado, a disposição de servir a El-rei, uma vez mais ainda – ou a vaidade de se tornar senhor de um feudo onde gozaria de poderes quase absolutos?

Perduram as interrogações.

Deixando Lisboa em princípios de 1535, transporta-se para o Brasil na caravela Glória. Estima-se em sessenta pessoas o número de seus acompanhantes. Dentre eles, figuravam D. Jorge de Menezes e D. Simão de Castelo Branco, fidalgos de nobreza discutida e de conduta reprovável.

D. Jorge de Menezes passa por ter sido indivíduo de temperamento desvairado e turbulento, apesar de valoroso. De Simão de Castelo Branco pouco se sabe com certeza. Os historiadores tem tomado a ambos como degredados que aqui vieram cumprindo penas. A presença deles na expedição sugere que não veio o donatário cercado da melhor gente do Reino. A própria família – a mulher, D. Maria do Campo, ou os dois filhos nascidos do casal, Jorge de Melo e Martim Afonso de Melo – tem participação incomprovada na viagem.

A este magote de povoadores se incorporariam, no futuro, desordeiros e maus elementos homiziados por Fernandes Coutinho, como recurso para povoar o senhorio. Os tropeços de toda ordem advindos do emprego desta gente indisciplinada e tumultuária constituiriam um dos fatores da perdição do infeliz governador.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. N 21, ano 1961
Autor: Luiz Guilherme Santos Neves
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril /2013 

História do ES

Igreja dos Reis Magos

Igreja dos Reis Magos

A igreja e a residência dos Reis Magos em Nova Almeida, município da Serra, formam um dos mais belos conjuntos arquitetônicos jesuíticos do Espírito Santo do período colonial

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Vasco Fernandes Coutinho - Parte II

Afugentado o gentio com disparos de armas de fogo, lança-se o capitão às providências iniciais da implantação da donataria, estabelecida a princípio na atual cidade de Vila Velha

Ver Artigo
Vasco Fernandes Coutinho - Parte III (última)

Numa tentativa última de se pôr cobro às incursões dos selvagens, e visando aproveitar os meios naturais de defesa, transferiu a sede para a Ilha 

Ver Artigo