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Viajantes Estrangeiros ao ES – Barão de Humboldt

Friedrich Heinrich Alexander - Barão von Humboldt

Em sua cronologia histórica capixaba, Basilio Daemon refere-se à possível passagem do sábio berlinense Barão de Humboldt, no ano de 1800, pelos sertões do Espírito Santo, apondo ao registro as suas dúvidas.

Com efeito, Friedrich Heinrich Alexander, Barão von Humboldt, aquele que se tornaria o maior naturalista do século em que viveu, teve os passos embargados ao transpor as fronteiras do Brasil.

O Príncipe Regente, alertado com a leitura da edição de 19 de abril de 1800 da GAZETA DA COLÔNIA, expediu ordens ao Governador e capitão-general do Grão Pará, recomendando que procedesse "com a mais cautelosa circunspecção". O insigne naturalista viajara pelo interior da América, segundo informava a ordem, expedida do Palácio de Queluz; colhera informações geográficas, as quais lhe permitiram corrigir mapas, cartas geográficas e topográficas, havendo organizado uma coleção de mil e quinhentas espécies novas de plantas. Mostrava-se decidido a se encaminhar rumo às regiões desertas do interior maranhense, ainda não estudadas pelos naturalistas. Temendo propósitos ocultos, quais fossem os de "tentar com novas idéias de falsos e capciosos princípios os ânimos dos povos", a ordem de Sua Alteza Real fazia lembrar as leis em vigor, que proibiam a entrada, nos seus domínios, a todo e qualquer estrangeiro que para tal não invocasse, previamente, um especial assentimento.

Outro ofício, do mesmo ano, dirigido ao Governador do Maranhão, era bem mais categórico: prevenia da necessidade da expedição de ordens a todas as vilas, advertindo que, no caso de aparecer algum estrangeiro viajante pela região, fosse o mesmo conduzido, com toda a comitiva, à capital, "sem contudo se lhe faltar à decência, nem ao bom tratamento e comodidade, mas só acompanhando-o, e interceptando-lhe os meios de transporte, e fazer indagações políticas ou filosóficas".

Em março de 1800, o Barão de Humboldt e o cientista Aimé Bompland, integrante da comitiva, preocupados em descobrir a ligação dos rios Orenoco e Amazonas, embrenharam-se na selva brasileira. Um soldado da guarnição fronteiriça com a Venezuela, julgando-os espiões, deu-lhes voz de prisão. Como retardassem as instruções pedidas ao governo do Pará, o comandante da guarnição decidiu libertar os cientistas, os quais regressaram ao país vizinho, donde procediam.

Meio século decorrido após esse incidente, o Barão de Humboldt era escolhido como árbitro na questão de limites Brasil-Venezuela e, por ter dado parecer favorável ao nosso país, recebeu a comenda de Cavaleiro da Grande Ordem Brasileira.

O sábio alemão, cujo nome se perpetuou nos vales, rios, baías, florestas, animais, árvores, plantas, condados, cidades, ruas, das duas Américas, nos três anos em que viajou pelo nosso continente, através dos territórios que hoje compreendem a Venezuela, Colômbia, Equador e Peru, mereceu de Simon Bolívar essa consagração: "— Ele fez mais pelas Américas do que todos os conquistadores".

Se o Barão de Humboldt houvesse percorrido o Brasil, se porventura trilhasse as plagas espírito-santenses, nas suas obras completas sobre as Américas, que perfazem vinte e nove volumes, contendo quase um milheiro e meio de mapas e gravuras ilustrativas, lá estaria a terra capixaba em registro imorredouro, o que, infelizmente, não sucedeu, em que pese as anotações de Daemon.

Quando, em 1932, a Companhia Central Brasileira de Força Elétrica distribuiu uma magnífica publicação, em inglês, dedicada ao Espírito Santo (História, Geologia, Produtos Principais, Estatística e Riquezas Inexploradas), provavelmente o seu redator anônimo, ao reproduzir quatro sugestivas gravuras de Rugendas, ignorava que o grande artista europeu também excursionou através do solo capixaba. E todos os nossos cronistas têm silenciado o acontecimento. Foi o 1° número de uma publicação, no mesmo formato de revista: HUMBOLDT, 1961, que nos alertou para a grande novidade. 

 

Fonte: Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo, 1971
Autor: Levy Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2016

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