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Victorino Teixeira Netto

VICTORINO TEIXEIRA NETTO

A recompensa que obtemos com o nosso trabalho, mostra sempre que soubemos escolhê-lo. A indecisão que todo jovem experimenta no início da vida, tentando descobrir o sentido real de sua vocação para o futuro, não ocorreu na vida de VICTORINO TEIXEIRA NETTO, já influenciado por seu pai DAVID TEIXEIRA, construtor civil e incentivado por sua mãe dona Adosinda Malbar Teixeira, funcionária pública federal. A engenharia seria sempre um sonho continuamente perseguido por VICTORINO.

Esta nobre profissão, cujos primórdios se perdem em épocas imemoriais no oriente e no ocidente, tendo como iniciadores o Egito e a Mesopotâmia, com sua notável engenharia agrícola e arquitetônica, influiriam o espírito aos persas, introdutores do uso das vigas de madeira de cedro para alijamento dos telhados, pioneiros na época de Dario I na construção de estradas. Mais tarde os gregos e os romanos haveriam de nos legar obras notáveis que dignificaram o espírito de civilização da raça humana.

Na primeira década do século XX, teve início no Brasil a fase da nossa moderna engenharia, caracterizada pela especialização. Ela ocorreu, todavia, em igual período na maior parte do mundo. O engenheiro brasileiro procurava ser completo ou tão completo quanto possível, deixando fama de especialista. Mas foi o caráter multifário de sua atividade que lhe caracterizou a contribuição e a carreira no campo da engenharia.

Quando, em 1927, André Gustavo Paulo de Frontin foi aplaudido pela VII Convenção Nacional de Engenharia, realizada em Curitiba, "Patrono da Engenharia Brasileira", abria-se para os jovens de sua época uma nova etapa de conquistas. Esta influência atravessou as décadas e veio atingir a época atual, dando aos engenheiros brasileiros muitas vitórias, que lhes valeu o respeito e admiração do mundo.

Ao escolher a engenharia como profissão, VICTORINO TEIXEIRA NETTO, nascido em Vitória, no dia 7 de fevereiro de 1934, professava o mesmo entusiasmo que havia sido experimentado por seus mestres. Construir deixa nas pessoas uma estranha sensação de Poder.

Para atingir, todavia, a Universidade, ele teve que começar no Jardim de Infância Ernestina Pessoa, indo depois para o Colégio Santa Terezinha, onde cursou até a 4ª série. No colégio Salesiano de Vitória, fez admissão ao 3º ano cientifico. Ingressou, afinal, na Escola Politécnica do Espírito Santo, transformada em Escola de Engenharia da UFES, concluindo o curso em dezembro de 1961, tendo participado também em 1963 do Curso de Liderança de Conferência.

Ele se recorda que, quando estudava no Colégio Santa Terezinha, tendo a professora reclamado de um modo geral que os alunos estavam estudando pouco e brincando muito dentro da classe, seu pai ofertou-lhe uma régua e uma palmatória dizendo: "Para corrigir os desatentos e brincalhões, principalmente os meus".

Contudo, o seu relacionamento com os pais foi sempre muito bom, pois além do carinho, este mais de sua mãe, que ambos lhe davam, VICTORINO, chamado na intimidade de "Vitu", eram compreensivos e mesmo quando admoestado, eles o faziam sempre com brandura e só em casos extremos com rigor. Isto levou-o a estudar e trabalhar, assumindo sempre uma responsabilidade.

O que VICTORINO TEIXEIRA NETTO tem mais saudade de sua juventude é a impressão do comportamento das pessoas, liberdade com respeito, amizade e um interesse muito grande em ser útil. A preservação da natureza lhe parecia muito importante hoje prejudicada pela ânsia do desenvolvimento e, talvez, o enriquecimento rápido.

Mostra-se grato aos pais, por terem sempre procurado dirigir os filhos para um futuro objetivo, dando-lhe e a seu irmão DAVID TEIXEIRA FILHO, não só instrução como afetividade.

Os fatos que marcaram a sua vida ele destaca: a perda de seus pais lembrada sempre com profunda tristeza; o nascimento de seus filhos, a recompensa alegre; a sua formatura e o seu casamento. Quando fazia o vestibular seu pai prometeu que lhe daria como prêmio uma moto se passasse. Quando saiu o resultado com a sua aprovação, sua mãe vetou a moto e em consequência ganhou um automóvel "Nash Ambassador", superando em muito a sua expectativa.

Filosoficamente, o engenheiro VICTORINO TEIXEIRA NETTO, diz que nunca estamos sozinhos, sempre temos alguém que nos ajuda e nos incentiva, embora às vezes possa parecer que estamos sós.

Da mesma forma, filosoficamente ele define o desabrochar do amor na vida das pessoas, como um estado psicológico, em que participa-se com forças e ideias que jamais se pensava ter. Mas, diz, que o casamento é necessário ao "ego” de todos. O relacionamento marital é um convívio de acomodação, ou seja, uma adaptação dos componentes do casal e um procedimento unificado, buscando o objetivo comum, sustentado pelo amor recíproco. Os problemas com os filhos, hoje, são determinados pelos conflitos das gerações agravado pela juventude que quer, a todo custo, mudar bruscamente o comportamento individual da sociedade. Como resultado, ficam anseios quanto ao futuro cheio de dúvidas, pois as mudanças radicais e bruscas não permitem um equilíbrio e poderá levar a sociedade e com ela seus filhos ao desequilíbrio e à insegurança.

VICTORINO TEIXEIRA NETTO, confessa-se um sentimental por natureza, mas esconde tal fato, não só mudando de assunto como também quando assim o permite com piadas e brincadeiras. Na vida profissional tem orgulho do que faz, nos negócios não é o expert mas pelo seu volume que é razoável, não tem maiores problemas. A vida no lar, pelas funções profissionais acaba também sendo atribulada. Derrotas, quem não as teve, mas delas tem tirado sempre os ensinamentos que algumas vitórias lhe têm proporcionado. O seu maior objetivo na vida é ser útil, não apenas no seu trabalho, como na relação com seus amigos e na formação da sua família.

Casou-se, por amor, com a Sra. Marly Gianordoli Teixeira, tendo com ela os seguintes filhos: Tatiana, Bianca, Fernando Antônio e Cláudio.

Ele defende o ponto de vista que deve resolver cada coisa a seu tempo, fazendo-o com o máximo que possa. Da mesma forma acha que o dinheiro na vida das pessoas não tem limite, quanto a influir no êxito de cada um, podendo até mesmo em alguns casos não entrar em cogitações. Mas reconhece que ter dinheiro dá status, bastando para confirmar isto, ver os muitos exemplos. Entretanto não é só o dinheiro que proporciona status. O valor pessoal, cultura contribuem bastante também neste aspecto.

VICTORINO acha que não existe estabilidade econômica permanente, porque na sua opinião ela é instável. Seus pais são citados por ele como as pessoas que mais o ajudaram a vencer na vida. Seu desejo permanente é fazer bem as suas tarefas por mínimas que sejam.

Na sua juventude, diz ele, sofreu influência intelectual de seus pais, do Padre José Quintiliano e, hoje, dos amigos inteligentes que possui e dos quais se orgulha.

O fato mais pitoresco que VICTORINO TEIXEIRA NETTO considera ter ocorrido na sua vida de engenheiro e de Diretor do Distrito Rodoviário Federal no Estado, foi quando assumiu o seu Departamento o controle da II Ponte (a do Príncipe), na época com pequena parcela construída pelo lado da ilha e em terra firme. Logo veio a crítica em forma de piada, de que era a "Ponte do Gato", pois não entrava n'água. Quando estavam construindo sobre o mar a crítica não demorou e logo foi apelidada de "Ponte do Pato". Realmente tais críticas eram, para ele e demais engenheiros do DNER, muito engraçadas, mas só hoje assim considera, pois na época vivia os problemas técnicos que retardavam a inauguração da obra.

Do Curriculum Vitae de VICTORINO TEIXEIRA NETTO consta que, como estudante exerceu atividades afins em obras particulares de Construção Civil; trabalhou como auxiliar de engenheiro ainda como estudante, exerceu atividades nos seguintes órgãos: Prefeitura Municipal de Vitória; Divisão de Obras Públicas do Estado; e DER do Espírito Santo.

E membro do Centro Espírito-Santense de Conservação da Natureza; ingressou no DNER tendo exercido as seguintes funções: Engenheiro Ajudante da R.17-3; Chefe do SEM-17; Chefe do Serviço de Trânsito Distrital; Subchefe do 17° DRF; pela Comissão de provas do DASP procedeu o exame de candidatos a operadores de máquinas; foi examinador da prova para Engenheiros realizada de acordo com a Lei 3.780/60; foi Membro do Conselho Rodoviário Estadual — ES; Membro da Fundação de Estacionamento e Pontes; Chefe do 17° Distrito Rodoviário Federal, nomeado pela Portaria n° 1.619/74, de 21 de outubro de 1974; presidiu e compôs 132 Comissões de Serviços e Obras. Além das obras do DNER que dirige, construiu edifícios e residências no Estado.

VICTORINO TEIXEIRA NETTO, possui o Diploma e Medalha de "Amigo da Marinha", conferidos pelo primeiro Distrito Naval em 1952; possui também o Diploma e "Medalha do Pacificador", conferido pelo Ministro de Estado do Exército em 1977; Diploma de "Amigo do 38° BI" conferido por seu Comandante em 1979; e Diploma e Medalha "Vasco Fernandes Coutinho" conferidos pela Polícia Militar do Espírito Santo em 1980.

Para ele e sua família, para os seus amigos, pede sempre ao Senhor as graças da tranquilidade, especialmente quando necessitam vencer momentos difíceis e superar provações, com a coragem de quem aceita tudo sem pretender modificar nada do que foi previamente decidido pelo inquestionável destino.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2020

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