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Vida associativa na República

Foto retirada do livro Esquadro e Compasso em Vitória, do autor Fernando Achiamé, IHGES, ano 2010.

À sombra da Igreja florescia o maior número de entidades sociais – quase todas dedicadas a obras pias.(46) O Hospital da Santa Casa de Misericórdia, além de uma dotação anual de oito contos de réis, concedida pelos cofres provinciais, beneficiava-se diretamente da arrecadação de uma taxa sobre marinhagem.

A irmandade que o mantinha dispunha de oitenta contos de réis em apólices da dívida pública e de alguns prédios em Vitória. O pessoal do hospital compreendia: médico, capelão, sacristão, enfermeiro e parteira.(47)

Em Cachoeiro de Itapemirim funcionava a Sociedade Mantenedora da Colônia Orfanológica Treze de Maio, com um programa generoso.(48)

Bem poucas as sociedades interessadas nas belas-letras: o Grêmio Literário Vitoriense, na Capital, e o Grêmio Bibliotecário Cachoeirense, em Cachoeiro de Itapemirim. Em compensação, o Buquê das Moças, o Bailante Treze de Maio, a Sociedade Carnavalesca de Vitória(49) proporcionariam, sem dúvida, momentos literários aos freqüentadores das suas reuniões. O mesmo se poderia, talvez, afirmar da Sociedade de Música(50) e da Sociedade Musical Urânia, que, em Anchieta, mantinha um seminário pedagógico e um conjunto musical.(51)

A arte cênica não ia além das representações familiares,(52) “única diversão agradável da classe culta”, diria um contemporâneo.(53) Aristides Freire(54) – o criador do teatro capixaba – foi o seu incentivador incansável e desinteressado.

A Maçonaria era representada, na província, desde 1872, pela Loja União e Progresso, que mantinha uma aula noturna de instrução primária e “variada biblioteca”.(55)

Justo citar, ainda, a Sociedade Espírito-Santense de Imigração e a Assembléia Paroquial Econômica, sediadas, aquela em Vitória, a segunda na freguesia de Santa Isabel.

 

NOTAS

(46) - V. O. Terceira de N. S. do Monte do Carmo, V. O. Terceira da Penitência, Irmandade do SS. Sacramento, Confraria de N. S. Boa Morte e Assunção, V. E. Irmandade de S. Benedito, Irmandade de S. Benedito do Rosário, Irmandade de N. S. do Rosário dos Homens Pardos, N. S. do Amparo, N. S. dos Remédios, Irmandade do Senhor dos Passos, Sociedade Auxiliadora, Sociedade Beneficente de S. Benedito do Convento de S. Francisco, Sociedade Beneficente da Irmandade de S. Benedito do Rosário (SILVEIRA, Almanaque de 1889; 59-62).

(47) - SILVEIRA, Almanaque de 1889, 57-8.

– Funcionava, anexo ao Hospital da Misericórdia, o Asilo de Alienados, “que não tem correspondido às esperanças de seus fundadores”, dizia o presidente LEITE RIBEIRO no seu Relatório de 1888, já citado.

– O Asilo, inaugurado no dia oito de maio de 1887, fora “construído pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia auxiliado pelos cofres provinciais e donativos de particulares” (Ofício do presidente da província ao ministro do Império, de nove de maio de 1887, in Pres ES, XX, 52).

(48) - SILVEIRA, Almanaque de 1889, 226-7.

(49) - Todas sediadas em Vitória (SILVEIRA, Almanaque de 1889, 62-3)

(50) - Sediada na freguesia de Santa Isabel, município de Viana (SILVEIRA, Almanaque de 1889, 111).

(51) - SILVEIRA, Almanaque de 1889, 186.

(52) - Em 1889, ao que se infere da ausência de qualquer notícia no Almanaque de Godofredo Silveira, já teria deixado de existir o teatro inaugurado a vinte de setembro de 1875 em S. Mateus (DAEMON, Prov ES, 428).

(53) - AFONSO CLÁUDIO, Hist. Literatura, 250.

(54) - Aristides Braziliano de Barcelos Freire (1849-1922). Professor, jornalista, poeta, teatrólogo, parlamentar, presidente de banco, patrono de réus junto ao Tribunal do Júri, funcionário público. Exemplar magnífico de autodidata do Brasil de ontem e de hoje. Pai do historiador Mário Aristides Freire (1886-1968).

(55) - DAEMON, Prov ES, 400; SILVEIRA, Almanaque de 1889, 61.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, novembro/2017

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