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Visitantes chegam e ficam - Itaúnas

Marcelo Monteiro Pires e Flávia Elias Machado

Quem visita a vila de Itaúnas, em Conceição da Barra, na área da bacia hidrográfica do rio Itaúnas, garante que é só conhecer para se apaixonar.

E muitos levaram isso às últimas conseqüências, se mudando de vez para o local. Circulando pelos estabelecimentos comerciais, logo se percebe o festival de sotaques, que denuncia a presença de mineiros e paulistas.

É o caso do proprietário de uma das aconchegantes pousadas, Marcelo Monteiro Pires Fleury, 36 anos. Quem o vê de bermuda e chinelo de dedo, recebendo calmamente os hóspedes, nem imagina que, durante anos, seu traje foi o terno e a gravata.

Marcelo trocou a profissão de corretor da bolsa de valores em São Paulo, uma selva de concreto e arranha-céus, pela tranqüilidade da vila, com suas ruas sem calçamento e belezas naturais incontestáveis.

Ele contou que, cansado da vida na cidade, pensava em mudar de vida abrindo um negócio em Ilhabela, no litoral de São Paulo.

Mas alguns amigos, que já haviam visitado Itaúnas, indicaram que ele deveria conhecer primeiro a vila, antes de tomar a decisão. A primeira visita foi em 2002.

“Vim sozinho e a primeira impressão foi horrível. Cheguei à noite, estava chovendo, a estrada um caos e a vila deserta. No dia seguinte, quando o sol nasceu, fui conhecer a praia e minha impressão foi do zero ao 10, na mesma hora. Achei tudo lindo, a praia, as dunas, os alagados. É um lugar diferente de tudo”, contou.

A pousada foi adquirida em 2004, ano em que também começou a namorar a fisioterapeuta Flávia Elias Machado, 33, que conheceu na vila. Nascida em Conceição da Barra, ela cresceu passeando no lugar. O casamento será em outubro, na Igreja de São Sebastião, no centro da vila. Flávia garante que a festa terá muito forró.

Reduto nacional do forró

Se durante o dia a tranqüilidade e a contemplação das belezas naturais imperam em Itaúnas, em Conceição da Barra, as noites são embaladas pela zabumba, o triângulo e a sanfona do forró pé-de-serra,que entra a madrugada e vai até o sol raiar. A relação com o estilo musical levou a vila a ficar conhecida nacionalmente como a capital do forró.

Sempre no mês de julho acontece o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, no Bar Forró de Itaúnas, e o Encontro Nacional de Forró, no Buraco do Tatu, onde já se revelaram muitos grupos hoje consagrados mundialmente nos ritmos do baião, do xote e do xaxado. Contam que o forró é tradição de Itaúnas desde a vila antiga.

Mas a projeção nacional começou mesmo em 1995, quando grupos de forró, que tocaram no lugar, começaram a ganhar fama e caíram no gosto de universitários paulistas que visitavam a vila, daí o termo “forró universitário”.

Um dos pioneiros da difusão do ritmo foi o bar Forró de Itaúnas, aberto em 1989. O sanfoneiro Luiz Geraldino, de São Mateus, o primeiro a tocar no lugar, acabou fazendo escola.

Como crescimento do turismo, universitários paulistas espalharam o modismo para o Brasil, através da propaganda boca-a-boca. Itaúnas se tornou o reduto de artistas consagrados, que adoram o lugar, como Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho.

Bandas como Falamansa, Rastapé, Trio Virgulino,

Trio Potiguar e Chama Chuva, que fazem parte da elite do forró, ganharam projeção após tocarem na vila.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Itaúnas - 29/07/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaboradora de texto e fotografia: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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